Crítica: A Cura (2017) - Sessão do Medo

28 de maio de 2017

Crítica: A Cura (2017)


Já faz 15 anos que Gore Verbinski dirigiu o aclamado O Chamado (2002), sem dúvidas um dos melhores remakes de terror já feitos. Desde então, o caprichado diretor se aventurou nos mares do Caribe com a trilogia Piratas do Caribe (2003-2007), dirigiu a animação Rango (2011) e o criticado O Cavaleiro Solitário (2013), todos com Johnny Depp. Mas seu retorno ao gênero se deu com A Cura, uma das grandes promessas do ano. Para ser sincero, fiquei surpreso quando, em seu lançamento lá em Fevereiro, choveu comentários negativos sobre ele. Pelos trailers, era um filmão, sabem? Mas Esquadrão Suicida era uma obra-prima em seu primeiro trailer oficial ao som de Bohemian Rhapsody, certo?

Acontece que pude conferir ele só agora e pra ser sincero não foi uma decepção. É um filme que infelizmente entrega menos do que poderia, mas ainda assim, não é todo o desastre que eu vinha lendo. Para falar a verdade, eu até gostei bastante dele. Creio que esse agrado tenha sido devido às baixas expectativas que eu tinha ao conferi-lo.


Bom, a premissa de A Cura é extremamente intrigante, assim como todos os materiais de divulgação usados, como os primeiros teasers e os trailers. Um executivo novaiorquino é enviado para a Suécia à procura de um magnata da Wall Street, que se ausentou de seu trabalho e é requerido para a conclusão de uma importante venda de empresa. O mesmo se encontra num spa especial e exclusivo nas montanhas suecas.

Ao chegar lá, Lockhart (Dane DeHaan) se descobre num estranho ambiente, usualmente habitado por pessoas idosas e ricas que vão para o tal spa para relaxar e tirar o peso do trabalho das costas. O fato de um possível encontro entre Lockhart e o seu procurado ficar mais difícil a cada hora o faz desconfiar de que há algo errado. Após se envolver num acidente de carro, Lockhart acaba virando um paciente do spa para se recuperar de sua perna quebrada. Ele então começa a investigar quais as verdadeiras intenções do local e do seu proprietário, o misterioso Dr. Volmer (Jason Isaacs).

Vou começar a falar sobre o filme pelo seu principal defeito: A Cura tem 2h20 de duração, uma duração bastante longa para um filme de horror. A não ser que seu roteiro seja completamente afiado, essa duração não costuma funcionar para as fórmulas do gênero. Mas A Cura não é um filme de terror convencional nem tenta ser, e é um acerto. O problema é que o roteiro de Justin Haythe acaba não usando sua duração ao seu favor. A produção poderia ter facilmente meia hora a menos de duração. Um retoque básico no roteiro deixaria o filme excelente se ele tivesse 110 minutos e não 146.


Então, o filme acaba ficando mais arrastado que o necessário e com enrolações desnecessárias que acabam tirando o clima de tensão ao invés de complementá-lo. Um exemplo: um personagem é "preso", machucado e depois fica livre. Minutos depois ele é preso novamente e solto novamente. Poderiam ter juntado todas essas enrolações e deixarem todas condensadas num clímax só, o que talvez beneficiaria o desfecho.

O filme traz vários conceitos diferentes e interessantes e até certo ponto eles são bem trabalhados em cenas bem agoniantes e bizarras, além do mistério que o personagem é envolvido. Ele, no entanto, não é muito original e bebe da fonte de vários filmes. Talvez o mais evidente seja Ilha do Medo (2010), suspense de Martin Scorsese estrelado por Leonardo DiCaprio. O filme remete bastante à filmes antigos dos anos 50/60, seja por suas locações ou por alguns detalhes da história.

A direção de Verbinski é certeira e perfeccionista, quase Kubrickiana. Embora não tenha sido envolvido no roteiro, Verbinski prioriza os visuais e a fotografia (assinada por Bojan Bazelli, que trabalhou em O Chamado também) e tem cenas de dar orgulho aos olhos (como a da foto abaixo). A questão visual acaba se destacando e sendo o principal ponto forte da produção.


Eu tenho uma estranha sensação de que em algumas décadas esse filme vai ser considerado cult ou algo do tipo. É um filme muito bonito, em questões visuais. Tem cenas realmente magníficas, os jogos de câmera e fotografia são os principais responsáveis por isso. Sua história no entanto poderia ter procurado um rumo mais ambicioso. Mas ainda assim não o considero um filme ruim como tantos comentários que li julgavam. É um filme caprichado e acima da média e que definitivamente merece a conferida daqueles que não procuram um horror convencional mainstream com sustos baratos e fantasmas.

por Neto Ribeiro

Título Original: A Cure for Wellness
Ano: 2017
Duração: 146 minutos
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Justin Haythe
Elenco: Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth


Description: Rating: 3 out of 5

2 comentários:

  1. Eu pessoalmente achei o filme maravilhoso, mescla bem elementos de drama, suspense e horror. A única falha que eu encontrei foi a de ser previsível em certas partes da trama mas no geral eu recomendaria para qualquer um.

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  2. Eu achei o filme simplesmente sensacional!!! Apesar das inúmeras críticas negativas... É ver que gosto é algo muito pessoal, haja vista ter um colega que odiou "A Autópsia de Jane Doe", que, para mim, foi magnífico...

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