Crítica: Hellraiser 3 - Inferno na Terra (1992) - Sessão do Medo

14 de junho de 2017

Crítica: Hellraiser 3 - Inferno na Terra (1992)


O que começou no inferno, terminará na Terra.

Há 25 anos chegava aos cinemas americanos a terceira parte da franquia Hellraiser, que ainda teria muito caminho pela frente. Os dois primeiros filmes tiveram um sucesso bem moderado e mesmo assim conseguiram reunir uma grande legião de fãs, que adoraram todo o mundo bizarro e doentio da história.

Então, o intuito de Hellraiser 3 seria algo semelhante à Jason Ataca Manhattan (1989) e Predador 2 - A Caçada Continua (1990), ou seja, levar um mal anteriormente contido em uma locação relativamente pequena à cidade grande. O que não é uma ideia inteiramente ruim, embora o primeiro tenha a mal aproveitado e o segundo tenha feito muito bem. É interessante por que dá uma sensação de "calamidade" maior, o que geralmente resulta em várias cenas divertidas.


Mas primeiro o filme tem que se preocupar em continuar a história de Hellraiser 2 (1988). A história de Kirsty (Ashley Laurence) havia sido finalizada e a sequência havia terminado com um tipo de totem infernal surgindo na casa do Dr. Channard. A escultura aprisiona almas além do próprio Pinhead.

O filme abre com J.P. (Kevin Bernhardt), um dono de uma boate noturna, visitando um museu, onde o totem está sendo exibido. Se lembram daquele mendigo estranho que sempre aparecia nos filmes anteriores? Bom, aqui está ele de volta, vendendo o objeto ao cara. Ao mesmo tempo conhecemos Joey (Terry Farrell), uma repórter em busca de um grande furo. Ela acaba num hospital onde se depara com um homem que entra em emergência, coberto de sangue e correntes. Sua morte não demora muito e Joey percebe que há algo de errado ali.

Ela procura a moça que o acompanhava, Terri (Paula Marshall), cujo ex-namorado é exatamente o J.P. O jovem do hospital era um desconhecido que ela tinha visto agonizando na boate segurando uma caixa desconhecida, cuja posse é dela agora. As duas então começam uma investigação em busca da origem do objeto. É quando J.P. desperta Pinhead...


Para minha surpresa, Hellraiser 3 não é um filme ruim. Não mesmo. Embora ainda não o considere no mesmo nível dos anteriores, a sequência se sai bem ao seguir um novo caminho para a franquia, estabelecendo alguns critérios que durariam até o fim da saga. O problema ao meu ver é apenas terem escolhido uma abordagem genérica para uma história tão rica em detalhes quanto a de Hellraiser.

Outro ponto que empobrece bastante a produção é o roteiro que é cheio de presepadas nos diálogos. Ao passar para a tela, o diretor Anthony Hickox nem tenta amenizar e acaba entregando algumas cenas horríveis, onde até mesmo uma simples fala como "Ah não, gasolina!" parece exagerada! Isso acaba atrapalhando o desempenho de quase todo o elenco.

O único que mantém a postura é o ótimo Doug Bradley, no papel do Pinhead. O cara manda bem demais interpretando o Padre do Inferno. Em especial uma emblemática cena onde Pinhead invade uma igreja e faz um monólogo que incomodou muita gente, finalizando ao colocar dois de seus pregos em suas mãos e imitando a posição de Jesus na cruz!!!


Falando de Pinhead, sua história pré-Cenobite é completamente explorada aqui. Anteriormente, Kirsty havia "separado" o Pinhead do Capitão Elliot Spencer (a identidade humana dele) e agora, Elliot ajuda Joey através de sonhos que ela tem constantemente. Rola até uma certa semelhança com algumas tramas de A Hora do Pesadelo!

O filme ainda tem cenas bem bacanas como uma em que correntes saem do totem e arranca a pele inteira de uma moça, a "engolindo" em seguida. Também ganha bastante destaque a cena em que Pinhead ressuscita na boate matando geral e até mesmo a fantástica sequência em que Joey é perseguida pelas ruas da cidade por novos Cenobites recém criados da boate, envolvendo até um enrolado em arame farpado que cospe fogo!

Apesar de suas falhas (que não são poucas), pra quem gostou dos dois primeiros, merece uma conferida pois o filme traz muita coisa bacana à mesa, servindo como o último capítulo da trilogia original! A primeira metade é meio lenta mas depois que o filme engata, é puro sadismo!

CURIOSIDADES:

- Peter Jackson (Fome Animal, O Senhor dos Anéis) foi chamado para dirigir.

- É o primeiro filme da franquia a ser lançada pela Dimension Films, que mantém os direitos até hoje.

- Também é o primeiro filme da franquia em que alguém chama o nome de Pinhead.

- As primeiras ideias do filme envolviam uma história que se passava no Egito antigo, uma sequência direta de Hellraiser 2 onde Pinhead tenta se ressuscitar e um prédio que serve como uma Configuração do Lamento. As duas últimas foram adaptadas para Inferno na Terra.

- Ashley Laurence faz uma pequena participação especial como Kirsty em fitas que Joey assiste.

- J.P. diz "Venha pro papai" para Terri. A fala é uma referência à mesma que Frank falava no primeiro e segundo filme.

- A censura americana vetou o poster original do filme por considerá-lo muito perturbador. O cartaz trazia uma imagem lateral de Pinhead gritando (ao lado). A Dimension Films então usou uma versão editada do poster do primeiro filme.

- A infame cena da boate foi bastante cortada devido à violência gráfica em várias edições. Mas a versão sem cortes tem várias cenas estendidas e algumas mortes mais destacadas, como a criação do Cenobite "dj" e até uma que referencia a Cenobite mulher dos primeiros filmes.

- O final original do roteiro tinha Joey fazendo um acordo com Pinhead para ser sua "noiva" em troco de uma vida de sucesso no jornalismo.

por Neto Ribeiro

Título Original: Hellraiser III - Hell on Earth
Ano: 1992
Duração: 93 minutos
Direção: Anthony Hickox
Roteiro: Peter Atkins
Elenco: Terry Farrell, Paula Marshall, Kevin Bernhardt, Peter Boynton, Doug Bradley



Description: Rating: 3 out of 5

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