Crítica: Hellraiser - Renascido do Inferno (1987) - Sessão do Medo

7 de junho de 2017

Crítica: Hellraiser - Renascido do Inferno (1987)


Lá nos anos 80, surgiu um autor de livros de horror que chegou a ser considerado o próximo Stephen King. Embora não tenha tido o mesmo reconhecimento que o Rei Stevie, o escritor Clive Barker conseguiu fazer grandes feitos no gênero. Seu trabalho mais conhecido foi gerado a partir de seu segundo romance, The Hellbound Heart, escrito em 1986. Menos de um ano depois, Clive estaria roteirizando e dirigindo a adaptação cinematográfica da obra, Hellraiser, que acabaria lançando um dos vilões mais icônicos do gênero, o Pinhead.

Hellraiser viria a ser uma conhecida franquia de horror, embora não fizesse tanto sucesso quanto suas companheiras Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo ou Halloween, mas isso não vem ao caso. O décimo filme, subintitulado Judgment está previsto para estrear esse ano portanto já estava mais do que na hora do blog dar uma revisada nos filmes, certo? 

Vamos começar!


A história do primeiro filme se dá início quando um homem chamado Frank (Sean Chapman) negocia uma estranha caixa. Em uma espécie de ritual, ele abre a caixa e acaba liberando armadilhas que o matam. Conhecemos então Larry (Andrew Robinson) e sua esposa Julia (Clare Higgins), que se mudam para a casa que pertencia à mãe de Larry. É quando descobrimos que Frank é seu irmão e o lugar onde ele fez o ritual é no sótão da casa.

Antes de sua morte, Frank e Julia tiveram um caso escondido. Mas nem ela nem seu marido sabe do paradeiro do rapaz. Um dia, Larry sofre um pequeno acidente e corta a mão. Quando seu sangue cai no chão do sótão, faz com que o cadáver putrificado de Frank, que estava escondido, desperte. Isso, no entanto, não deveria acontecer pois sua alma havia sido levada para o inferno com os Cenobites, um grupo de demônios que idolatram a dor e o prazer e que são convocados ao abrir da caixa do início.

Para voltar à sua forma humana, Frank precisa se alimentar de sangue humano. Julia começa a seduzir homens, atraí-los para a casa e matá-los, pra que o amado possa se recompor. Cabe então à filha de Larry, Kirsty (Ashley Laurence) pare a madrasta e o tio, ao abrir A Configuração do Lamento (a caixa) e oferecer uma troca para os Cenobites.


Embora eu não tenha lido o livro, devo reconhecer que a história adaptada aqui é incrível. É interessante e diferente, um nível diferente de bizarro. Sério, demônios sadomasoquistas? Quem não conhece os filmes e lê algo assim, deve achar que é tosco demais para ser verdade. Mas o roteiro de Hellraiser e a direção iniciante de Clive Barker fazem o suficiente para que tudo se resuma num ótimo  filme de horror.

O formato da história era diferente daquelas que faziam sucesso na época. Hellraiser não é um filme slasher e nem o Pinhead era um vilão marcante no primeiro filme. Os vilões são na verdade Julia e seu cunhado Frank, que mostram ser tão frios quanto os Cenobites. Os demônios tem pouco tempo em tela mas o visual deles e principalmente a atuação de Doug Bradley não decepcionam.

Você percebe só pelo primeiro filme que a história é apenas uma porção, um aperitivo, do que aquele universo pode propor. E isso não é ruim, pois não deixa o filme ser ambicioso e mantém a simplicidade, já que grande parte da narrativa se passa na casa.


Fora isso, o maior mérito de Hellraiser é, sem dúvidas nenhuma, a maquiagem. Puta que pariu, o trabalho é muito bom para aquela época. Frank em sua forma feita de músculos e tendões chega a ser apavorante, aquela figura vermelha coberta de sangue que espreita na escuridão do sótão. A produção dos Cenobites não desaponta e embora Pinhead seja o líder, o destaque está nos outros três, um mais bizarro que o outro, como aquele que range os dentes! Outra cena marcante devido à excelente maquiagem é a da foto acima.

Hellraiser é um dos melhores filmes dos anos 80 sem dúvidas e que merece sim uma assistida por aqueles que ainda não tiveram a chance. Embora a fama tenha sido um pouco manchada pelas sequências, é uma amostra excelente de um filme original e por que não, assustador?

Seguindo o sucesso de Hellraiser, foram lançadas mais 8 sequências: Hellraiser II - Renascido das Trevas (1988), Hellraiser III - Inferno na Terra (1992), Hellraiser IV - A Herança Maldita (1996), Hellraiser - Inferno (2000), Hellraiser - Caçador do Inferno (2002), Hellraiser - O Retorno dos Mortos (2005), Hellraiser - O Mundo do Inferno (2005) e Hellraiser - Revelações (2011). Espera-se que a décima parte estreie em 2017 e ela não terá Doug Bradley como Pinhead, assim como Revelações.

Aqui estão algumas curiosidades do filme:

- O filme seria chamado The Hellbound Heart, o título do livro, mas o estúdio achou que pareceria mais um romance. Clive Barker sugeriu "Os Sadomasoquistas do Além" mas foi rejeitado também por parecer muito sexual. Ele pediu para que a equipe desse sugestões e uma mulher sugeriu ironicamente "O Que Uma Mulher Faz Por Uma Boa Transa".

- Doug Bradley, o Pinhead, quase rejeitou o papel para fazer um dos caras que Julia mata, pois achava importante que o público visse seu rosto já que o mesmo era um ator novato.

- A história se passaria na Inglaterra mas o estúdio achou que seria mais comercial se filmassem nos Estados Unidos. Por consequência, alguns atores britânicos tiveram suas vozes dubladas.

- Pinhead é apenas um apelido que acabou pegando no público. No roteiro, ele era chamado de "Padre" mas foi mudado para "Cenobite Líder". A cenobite mulher era chamada de "Garganta Profunda" mas foi mudado pelo conteúdo sexual.

- Na festa de fim das filmagens, Doug Bradley não foi reconhecido sem a maquiagem.

- Barker explicou que a qualidade dos efeitos especiais no final foi devido à falta de um orçamento maior. Ele e um 'cara grego' fizeram os efeitos manualmente num final de semana e segundo ele, acabou ficando bom levando em conta a quantidade de álcool que os dois beberam enquanto faziam.

- Andrew Robinson, o Larry, convenceu Barker a mudar sua última fala, "Vá se foder", para "E Jesus chorou". O que foi uma boa já que acabou dando um aspecto mais bizarro à cena.

- Barker teve que cortar várias coisas do filme para conseguir uma classificação adequada. Entre elas estavam marteladas mais longas de Julia, mais gore e sexo masoquista entre Julia e Frank.

- Em 2015 foi lançado Leviathan: The Making of Hellraiser and Hellbound, um documentário sobre a produção do filme e de sua sequência Hellraiser II: Renascido das Trevas (1988). As únicas pessoas que não retornaram foi Clive Barker e Ashley Laurence, que alegaram estarem cansados de falar sobre Hellraiser todos esses anos...

- O livro The Hellbound Heart foi lançado pela Darkside Books no Brasil em 2015, com o título do filme numa edição caprichada em capa dura.

por Neto Ribeiro

Título Original: Hellraiser
Ano: 1987
Duração: 93 minutos
Direção: Clive Barker
Roteiro: Clive Barker
Elenco: Andrew Robinson, Clare Higgins, Ashley Laurence, Sean Chapman, Doug Bradley



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