Critica: My Amityville Horror (2012) - Sessão do Medo

8 de junho de 2017

Critica: My Amityville Horror (2012)


"Há histórias sobre isso que não foram contadas, e talvez nunca sejam. Rezo para que ninguém nesta sala tenha que passar por isso, mas se eles conhecem alguém que já sofreu com isso, a pior coisa para essas pessoas é a dificuldade de se comunicar com outros, é a dificuldade de encontrar alguém para ajudar. Pessoas que pensávamos serem verdadeiros amigos, grandes amigos, são os únicos que sobrevivem a isso porque isso não é comentado, isso não é compreendido. Simplesmente acontece, e quando acontece, você se torna um estranho aos outros." - George Lutz.

Essa é a décima primeira parte da saga da franquia de Amityville, porém, ela será diferente de todos os capítulos que vimos até aqui, o motivo é simples, trata-se de um documentário. E esse documentário é obrigatório para todos que se fascinam pela história original, da morte dos DeFeos e da história da família Lutz na casa da rua Ocean Avenue Nº 112, em Long Island.  O diretor e roteirista é Eric Walter, ele não fez muita coisa a não ser alguns outros documentários. E particularmente, depois da catástrofe colossal que 'The Amityville Haunting' foi, estava na hora de inovar mesmo, ou pelo menos, de relembrar o público e os diretores do que se trata a franquia de Amityville. 

O documento começa com o George Lutz dizendo o texto escrito acima, logo em seguida, uma surpresa. Temos entrevistas com pessoas que viveram naqueles tempos, o primeiro a falar é Daniel Lutz, o filho mais velho. O homem é desbocado e bem grosseiro em vários momentos, mas ao mesmo tempo, ele tem certeza do que aconteceu naquela casa quando ela tinha entre 9 e 10 anos de idade. Ele conta como foi a sua experiência durante aqueles momentos em Amityville:  O fato dele ter caído da escada, da sua cama se mexer, da mudança de personalidade de toda a família, das milhares de moscas, a janela ter fechado esmagando seus dedos, a sua 'tristeza' pelo fato da igreja não tê-lo ajudado como ele queria e o seu ódio por George Lutz. 

Danny Lutz

Além de todos esses acontecimentos, Danny nos conta o que fez depois de Amityville, ao que parece, ele nunca quis ser conhecido como 'o garoto de Horror em Amityville', ele queria ser uma pessoa normal, mas aquilo tudo o perseguia, por isso, num belo dia, ele falou com Kathy e saiu de casa em busca de seu lugar.  E também conta sobre sua mãe, seu pai biológico, como ele nasceu, nome completo,  a sua relação com a sua mãe, até a chegada de George e a sua relação com ele.

Esse ponto é muito importante. Danny simplesmente odiava George, ele chegara a alegar que tentou matar o padrasto no passado, além disso, ele revela que ao contrário dele, George era um cara que, depois do ocorrido em Long Island, adorava dizer que ele era o cara de Amityville, que ele tinha feito aqui tudo que os filmes mostraram, e tudo mais. Então, nessa visão, não teriam motivos para Danny confirmar a história de George sobre Amityville se elas não tivessem acontecido.  

Muitos pontos são esclarecidos aqui, coisas que não está no livro de Jay Anson, por exemplo, Daniel afirma que George só se casaria com Kathy se ele pudesse adotar seus três filhos legalmente, e para isso Lutz foi falar com o pai biológico dos garotos que havia seguido com a vida depois do divorcio com Kathy. 

Além das entrevistas com as pessoas que se envolveram com o caso na época, temos ideia completa de como se sucederam os fatos, quando as coisas estranhas começaram a acontecer, quando foi o ápice desses fenômenos, como a família decidiu ir embora deixando tudo para trás, e muito mais. Até a chamada do famoso casal Ed Lorraine Warren para investigar o caso não foram passados despercebidos. 

"Lembro-me de Lorraine Warren quando ela entrou em transe e disse; 'Era uma força demoníaca das entranhas da terra'". Laura Didio

Segundo eles, a sala de costura era o local onde o demônio ficava mais forte, era também o local onde aparecia o mal cheiro e onde as moscas apareciam. E também existe uma teoria de que a personalidade difícil de George contribuiu para que as estidades interferissem na vida da família. Danny alegou que George gostava de ler coisas como livros paranormais, cultos religiosos, se comunicar com satã, essas coisas. A estante de livro na casa de George antes de Amityville era cheia desses livros segundo o seu ex enteado. 

"Lorraine, você e eu subimos as escadas e nos sentamos na sala de costura. Tinhamos uma vela acesa, e Lorraine, eu me lembro, disse que nunca tinha sentido uma força tão grande como naquela noite. Era como se ela sentisse que estava no inferno. Lorraine também apresentou uma fotografia ao que aparece a imagem de uma criança.". Marvin Scott.

Laura Didio, Marvin Scott, Ben Foti e Neme Alperstein.

Fotografia tirada por um dos fotógrafos naquela noite. Todos que estavam na casa concordam que não tinha crianças e nem animais de estimação no local. 

Ideia interessantes também são colocadas em evidências para fazer-nos pensar. O fato de a casa reagir diferente em cada pessoa: Kathy sentia tanta paz dentro da casa que não tinha vontade de sair dela nem para fazer as coisas mais básicas como ir ao mercado comprar comida; George não parava de sentir frio e passava boa parte do seu tempo alimentando a lareira com lenha. 
  
Danny também fala como foi que o cachorro 'Harry' quase morrera sufocado quando ele pulou por uma grade, mas a coleira o prendeu fazendo ele não tocar no chão, e também quando ele e George viram o porco olhando para eles na janela do quarto da irmã... Essa cenas estão escritas no livro, porem com algumas pequenas modificações. 

Foto que Lorraine Warren bateu. mostra suposto fantasma.
Especula-se que um membro da família DeFeo.  
Além dessas entrevistas, temos também algumas cenas, notícias de TV e alegações e discussões entre pessoas que investigaram o caso. As ideias que cercam toda essa misteriosa história, a possibilidade de que tudo não passe de uma farsa muito bem planejada pelos Lutz (Principalmente de George), e a ideia de que aquilo tudo que está no livro, e um pouco mais, realmente aconteceu. Existe também um momento em que especialistas tentam explicar como a nossa memória preenche as lacunas de um fato fazendo com que as histórias sejam aumentadas ou diminuídas. 

"Ed Warren sempre falou com certas pessoas quando ele estava na casa na noite de 06 de março, havia algumas pessoas lá, ele disse: ' Vamos de quarto em quarto...  Antagonizando a casa ou os espíritos.'. Liguei para os Warrens: 'O que você e Ed estão fazendo, Lorraine? Você pode vir aqui? É este caso que acabou de virar notícia.'... Eu expliquei tudo para eles, e eles disseram: 'Claro, estamos indo.'. Nós dirigimos para a casa e George estava esperando, e George não quis entrar na casa. Tudo estava em cima da mesa, a casinha de doce que Kathy fizeram para as crianças pro Natal, roupas espalhadas, jornais, havia comida na geladeira, parecia que eles tinham ido embora apenas para passar o dia fora. Lorraine entrou em um quarto que tinha sido o quarto de Ronnie DeFeo, e saiu de lá imediatamente. Depois disso eu levei Ed e Lorraine para conhecer Kathy, George e as crianças. ". Laura Didio.

Lorraine Warren e Daniel Lutz.
Para melhorar, ainda temos uma entrevista com Lorraine Warren onde ela se encontra com Danny décadas depois. Lorraine fala o que ela acha sobre o caso, sobre as afirmações de Danny e o que aconteceu com ela nas duas vezes que ela entrou na nº 112 da Ocean Avenue. Aqui ela revela algumas coisas que ninguém sabia até então. E isso é tudo muito legal, ver a pessoas que viveram aquilo falando, sem script, roteiro ou qualquer coisa do tipo. Aparentemente, tudo parece fluir bem natural. Não sou um expert para dizer se foi tudo combinado ou não, de qualquer forma, se foi, eles fizeram um bom trabalho. 

George e Kathy se separam alguns anos depois. Em 2004, Kathy morre aos 57 anos. Em 2006, George morre de parada cardíaca. Além de Daniel, nem Christopher e nem Missy quiseram participar do documentário. Até os dias atuais, cinco famílias diferentes passaram pela casa de Amityville, todas elas alegaram ter tido uma vida tranquila durante o tempo em que ficaram na casa.    

Família Lutz.

No fim, a ideia prevalece de que seja uma farsa, seja algo sobrenatural, o fato é, algo aconteceu em Amityville durante os 28 dias em que a família viveu dentro daquela casa, a pergunta que fica no ar é 'O que aconteceu?'... São histórias como essas que nos fazem pensar no que acreditar. 

O documentário é muito bom, não tem simulações, não é tendencioso fazendo você acreditar apenas numa coisa, e nem atores fazendo reconstituições dos fatos, temos apenas histórias das pessoas que presenciaram de perto todo aquele 'escândalo' que foi Amityville, trazendo fatos novos e dando novas visões sobre o relacionamento e comportamento de alguns membros da família Lutz. 

Apesar disso, faltou um pouco de explicação sobre o caso DeFeo, embora o documentário gire em torno da família dos Lutz, o caso DeFeo é uma prévia que também contém casos bizarros envolvendo a casa que deveriam ter sido mencionados. Não obstante, seria muito mais interessante se os produtores procurassem alguns moradores pós Lutz para falar a respeito do tempo em que viveram na casa, também seria muito legal se os dois irmãos de Danny participassem do projeto para darem as suas versões. 

Depois de ver o primeiro e o segundo filme em ordem cronológica (Assista o segundo e depois o primeiro!), veja esse documentário, ele vai deixar muitos pontos claros e vai servir como a cereja do bolo. Nota: 8,0.

Obs: Esse documentário serve também para quem viu 'invocação do Mal 2' uma vez que o começo do filme fale sobre Amityville, aqui a ideia presente no filme fica mais clara.   

Ficha Técnica

Titulo: My Horror Amityville.

Diretor: Eric Walter.

Roteiro: Eric Walter.

Participações de: Daniel Lutz, Susan Bartell, Laura DiDio, Marvin Scott, Neme Alperstein, Ben Foti, Lorraine Warren, Bobby Sylvester, Peter Jordan.

Sinopse: O Documentário conta a historia definitiva e verdadeira da casa mais temida do mundo. Em 13 de novembro de 1974, a casa de número 112 na Ocean Avenue, em Amityville, Nova York tornou-se um lugar temido pelos seus moradores, quando Ronald DeFeo, de 23 anos, matou sua família inteira sob circunstâncias misteriosas. Em Setembro de 1977, tornou-se um lugar temido pelo mundo todo quando o livro de Jay Anson, Horror em Amityville, foi publicado (e mais tarde adaptado para a popular série de filmes), trazendo à casa fama internacional e acesso imediato ao mundo das histórias sobrenaturais. Nem tanto por causa dos assassinatos de DeFeo, mas pela história do que aconteceu com a próxima família que moraria lá, um ano após o massacre. A família Lutz.

Trailer

Por: Michael Kaleel.

Um comentário:

  1. Michael sou sua fã e adoro essas criticas, parabéns pro site, é o melhor de filmes de terror que eu vejo.

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