Crítica: Corrente do Mal (2014) - Sessão do Medo

4 de julho de 2017

Crítica: Corrente do Mal (2014)


O hype e a expectativa pode ser considerado uns dos maiores males do cinema atual, junto com os trailers e remakes/reboots. Você conhece um filme, ele é elogiado e posto em um pedestal e quando você finalmente o assiste, se decepciona. Você não sabe muito bem o que não gostou nele mas "achava que seria melhor", estou certo? Essa situação ocorre ano após ano, principalmente dentro do gênero do terror.

Exemplos recentes são The Babadook (2014), Boa Noite, Mamãe (2015), A Bruxa (2016) e Corrente do Mal (It Follows, 2014), todos considerados um dos melhores do ano. Lembro-me de ter assistido-o o último assim que foi lançado comercialmente e escrevi uma crítica para o blog. Esses dias, resolvi reler a crítica e adivinha só? Não concordava com metade dela! Por quê minha opinião mudou? Uma simples revisada. 


Eu assisti novamente It Follows há um tempo atrás e embora não chegue a considerá-lo um filme excelente, foi uma produção que cresceu consideravelmente no meu gosto. Irei disponibilizar um trecho da crítica original, escrita em 2015, para comparar com o material reescrito que resolvi fazer hoje. Até mesmo quando eu o vi pela primeira vez, eu sabia exatamente quem era o verdadeiro culpado pela frustração:

"No Rotten Tomatoes, o filme tem 97% de aprovação. Me pergunto o por que. O filme é bom, mas não é para tanto. (...) Para mim não é o melhor do ano. Ele é bom, é engenhoso mas tem falhas. Acho que a expectativa gigantesca que eu criei é culpada disso (...) Tem um bom elenco, e tem um bom desenvolvimento, mas para mim, ele não é toda essa coisa espetacular que disseram. Eu não coloco ele no pedestal, por que acho que não merece. É um filme bem feito, mas só isso. Não é nada que vá revolucionar o terror pelo próximo século."

Vamos falar sobre It Follows: Este foi um filme que começou com passos pequenos, causando burburinho de festival em festival. É um horror de baixo orçamento, apenas $2 milhões, com um planejamento inicial de lançamento limitado nos cinemas americanos. Mas devido à boa recepção, recebeu um lançamento maior com mais divulgação e acabou arrecadando $20 milhões de dólares.


Um dos fatores que agradou os críticos foi como a história pode ser interpretada como uma metáfora para doenças sexualmente transmissíveis. A base dele é bem semelhante, mas ao invés de contrair DST's, os personagens contraem uma maldição. Jay (Maika Monroe), nossa protagonista, conhece Hugh (Jack Weary) e após transarem, ela é drogada. Ao despertar, ela se encontra amarrada a uma cadeira de rodas, num estacionamento abandonado. O rapaz fala várias coisas que ela não consegue compreender, em como ele tinha que fazer isso para que pudesse se livrar de "algo". Em seguida, ele a deixa em casa.

Nos dias que seguem, Jay finalmente entende o que ele tanto falava. O "algo" era uma coisa que não pode ser explicada, que apenas você pode ver e que irá te seguir até que te mate ou até você passar pra outra pessoa através do sexo. O "algo" se manifesta como pessoas que à primeira vista podem soar normais.

O diretor David Robert Mitchell disse ter tido a ideia para o projeto de um constante pesadelo que ele costumava ter onde era constantemente perseguido por alguém que caminhava lentamente atrás dele, mas sempre parecia o alcançar. A ideia foi revisitada após a faculdade, onde ele adicionou o conceito da sexualidade e veio finalmente escrever o roteiro em 2011. Por ser um filme de baixo orçamento, e talvez por opção do próprio diretor, a maldição não traz criaturas bizarras e complexas. São pessoas que podem facilmente passar despercebidas numa multidão, mas claro, tem seus traços assustadores. Olhos fundos, passos lentos. "Isso" não tem pressa.


Por conta disso, o suspense é bem trabalhado e bem aproveitado na história. Não temos coisas explícitas e as situações mais assustadoras vem de momentos que você menos espera. Mitchell faz uma jogada bem interessante ao te distrair com os personagens e não prestar atenção que no fundo da cena e isso resulta nas melhores cenas da projeção, como a da praia. Isto faz com que aprendamos a ficar alertas, paranoicos até. Ele também acerta nos posicionamentos da câmera, ora distante, ora próxima demais, deixando a sensação que somos por vezes aquilo que segue a protagonista.

O filme não peca por ter um desenvolvimento lento. Isso auxilia na construção da atmosfera e no uso dos sustos, que são existentes mas não excessivos e na maioria das vezes são efetivos. Mas isto é pode ser irrelevante para públicos que preferem jumpscares. Outro crédito merecido é da Maika Monroe, excelente aqui e que merece ser acompanhada em outros projetos, interpretando uma personagem bastante carismática.

Outro grande acerto é a trilha sonora, assinada por Disasterpeace que vai no fundo do baú e busca inspirações nas emblemáticas soundtracks de John Carpenter, principalmente na de Halloween. Esta não parece ser a única homenagem ao filme. Até mesmo o estilo de filmagem, cenários e cenas remetem ao filme de 78!


A verdadeira bola fora do filme é o final, onde Jay e seus amigos enfrentam a força desconhecida numa piscina. Além de ser uma resolução rápida, é feita de forma boba e não condiz muito com a história. Isso sim pode ser uma decepção para os espectadores.

De resto, It Follows é um ótimo exemplo de que o gênero do terror está mais vivo que nunca e o cinema independente é uma das maiores fontes de pérolas como essa, que raramente chegam ao alcance do público, embora o filme tenha sido lançado rapidamente pela California Filmes no país como Corrente do Mal. E segue uma dica: Se você se desapontou com um filme que esperava bastante, dê um tempo e reveja. Você pode se surpreender!

por Neto Ribeiro

Título Original: It Follows
Ano: 2014
Duração: 84 minutos
Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert M
Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist Daniel Zovatto, Jake Weary, Olivia Luccardi, Lili Sepe

2 comentários:

  1. Acabei de ver um comentário, num fórum sobre filmes, falando que AO CAIR DA NOITE não era tão bom quanto A BRUXA e *CORRENTE DO MAL*. Quando vi a capa do filme, logo identifiquei que era o mesmo desta crítica! HAHA. Irei assistir ao filme já já <3 E volto pra dar minha opinião.

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  2. Assisti ao filme. Eu amei! O filme é todo bem pensado... mas no final deixou a desejar, pois a forma com a qual as personagens conseguiram vencer o "bicho" foi bem fraca perante tudo o que "ele" era capaz de fazer. Mas enfim... tirando isto, o resto está muiiiito bom! A fotografia é linda... cenários escuros parecem ser bem claros... a trilha sonora eu achei bem diferente e simples... o que criou uma atmosfera bem legal... a posição da câmera para mostrar o "bicho" se aproximando em determinados lugares foi bacana! Gostei muito... Lembro de ter lido a sinopse deste filme ano passado, mas a história não me interessou. Todavia, a história é muito boa e o filme é bastante bom!

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