Crítica: Dia dos Mortos (1985) - Sessão do Medo

23 de julho de 2017

Crítica: Dia dos Mortos (1985)


Terceiro e último capítulo da Trilogia dos Mortos original de George A. Romero, Dia dos Mortos procede em estabelecer uma mitologia própria para os mortos-vivos sob a visão do diretor. Nos dois filmes, os zumbis demonstravam considerável evolução enquanto os pobres personagens humanos descobriam mais detalhes sobre os seres. Romero então resolve levar isso para um novo nível, introduzido um conceito original e marcante, que faz com que o filme seja bastante original e que, por ser bastante ambicioso (e curioso também), não funcionaria tão bem se não tivesse a destreza do cineasta.

A priori, a intenção de Romero era realizar um capítulo grandioso, um "...E o Vento Levou dos zumbis" como o mesmo falou. No entanto, seu orçamento original foi cortado pela metade pelo fula do estúdio, o que fez com que o diretor mudasse quase que por completo a premissa, reutilizando apenas alguns detalhes e personagens. 20 anos depois ele usaria sua ideia original para construir Terra dos Mortos (2005), filme com qual ele retornou à franquia.


Aos meus olhos - antes de assistir - eu pensava que Dia seria o elo fraco da franquia, pois nunca ouvia ninguém falando positivamente dele (nem negativamente). Então, fui ver sem muitas expectativas, o que contribuiu para a minha surpresa ao ver que não só ele é subestimado como, para mim, é superior ao capítulo anterior da franquia, Despertar dos Mortos (1978), pelo qual todos morrem de amor.

Ao meu ver, Dia dos Mortos só é subestimado por não ter o mesmo teor crítico do seu antecessor, principal fator para que a crítica e o público o adore. Ao assumir uma conduta menos criticista (mas não ausente), essa terceira parte traz um filme menos arrastado e que vai direto ao ponto, além de também trazer efeitos fantásticos, brutais e realistas.

A premissa do filme é trazer um mundo já abatido pelo apocalipse zumbi, com pouquíssimos sobreviventes. Seguimos um pequeno grupo deles, formado por cientistas e soldados, que vivem numa instalação subterrânea com o propósito de achar alguma solução. Após a morte do seu capitão, a liderança fica nas mãos do Capitão Rhodes (Joseph Pillato), um ignorante líder que logo começa a ter atitudes autoritarista ao querer cortar por completo as experiências conduzidas pelo Dr. Logan (Richard Liberty), também chamado de "Frankenstein", que inclusive está testando a dominação dos zumbis através de Bub (Sherman Howard), um morto-vivo que demonstra certa inteligência.


Do outro lado da pesquisa está a Dra. Sarah (Lori Cardille), que tenta achar um antídoto para a epidemia (embora o filme não a envolva nas próprias pesquisas). Quando o babaca do Rhodes começa a ameaçar a vida deles, Sarah assume o posto de heroína para tentar salvar seus companheiros. Claro que vários conflitos ocorrem, culminando num desfecho sensacional onde os zumbis invadem o abrigo.

Dia dos Mortos pode não ser o filme que Romero queria que fosse, seu filme de zumbis definitivo, mas devido à restrições no orçamento e dos produtores, teve que fazer uma produção mais contida. Isso não tira o mérito, pois o longa é incrível, sem dúvidas um dos melhores filmes do tema. Alguns podem se incomodar com a forma que o filme não utiliza muito os antagonistas, pelo menos nos primeiros dois atos, mas sob meu ponto de vista, isso ajuda a compor a identidade do filme e também a aumentar o impacto do final.

Romero faz algo que achei bem interessante, pois nesses três filmes, ele cria uma mitologia própria para seus zumbis. Como falei no parágrafo que abre o post, aqui ele leva a evolução a um novo nível, introduzindo o Bub, um zumbi "esperto" que está sendo treinado pelo Frankenstein e que logo ganha a simpatia do público. O personagem se tornou um clássico e um ícone entre o gênero, sendo adorado até hoje. Confesso que era meio preconceituoso com essa ideia antes de assistir, mas paguei com a língua. Essa concepção dos zumbis inteligentes é também explorada em Terra dos Mortos, onde um dos principais vilões é um zumbi que guia a horda em direção à cidade de refugiados.


O diretor também trás melhorias em relação ao anterior (que são separados por sete anos). Elas são justamente as coisas que eu não gostei e expliquei na crítica dele, como por exemplo, aqui temos uma trilha sonora conveniente para a trama e portanto, aumenta o suspense e tensão de diversas cenas que tem justamente este propósito e não o contrário, como a trilha cartunesca de Despertar fazia.

Os efeitos estão fan-tás-ti-cos. Também sob a supervisão de Tom Savini, um cara fera pra caralho em maquiagens, aqui as caracterizações dos zumbis estão mais realistas e adequadas, sem falar nos efeitos sangrentos que são excelentes. Por exemplo, há uma cena onde a protagonista se vê obrigada a decepar o braço de um amigo mordido e a realização do efeito é incrível. No geral, estão mais realistas e chegam a chocar, como sequências onde os zumbis dividem um cara no meio, voando tripas pra todos os lados.

No mais, Dia dos Mortos se provou um filme de respeito e se tornou o meu favorito da trilogia (repito que isso não quer dizer que os anteriores são ruins, longe disso). É um filme incrivelmente subestimado, repleto de suspense e com um clima deprimente e sufocante, devido à seus cenários pequenos e que, quando são trocados por maiores, se tornam solitários e igualmente deprimentes. Cheio de cenas incrivelmente violentas, Romero finaliza de forma excepcional sua trilogia original.
por Neto Ribeiro

Título Original: Day of the Dead
Ano: 1985
Duração: 100 minutos
Direção: George A. Romero
Roteiro: George A. Romero
Elenco: Lori Cardille, Terry Alexander, Joe Pilato, Richard Liberty

2 comentários:

  1. Anônimo7/24/2017

    Ainda não assisti, mas acredite se quiser foi lançado em bluray aqui no Brasil por uma distribuidora desconhecida (se não me engano NBO), comprei o meu numa banca de jornal kkk ainda não assisti mas parece ser bem legal

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  2. melhor filme de zumbi já feito, na minha opinião

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