Crítica: Colisão Mortal (2016) - Sessão do Medo

5 de julho de 2017

Crítica: Colisão Mortal (2016)


Fender Bender, ou Colisão Mortal como foi lançado por aqui, é um filme televisivo produzido pelo canal Chiller, que está começando a fazer conteúdo original como a série Slasher (2016), em parceria com a Scream Factory, uma distribuidora americana de filmes de horror e ficção científica. A intenção do filme é ser uma nova investida no gênero slasher, que hoje em dia já não faz muito sucesso. Para mim, tentativas como esta são sempre bem-vindas pois o subgênero é o meu favorito dentro do horror e é sempre bacana ver o pessoal produzindo coisas novas dele, independente do resultado final.

Como é de costume nos clássicos que formaram o gênero nos anos 80 e que servem de inspiração para o filme, Fender Bender tem uma história simples: Hilary (Mackenzie Vega, Jogos Mortais), uma jovem de 17 acaba de tirar sua carteira de motorista, se envolve em uma pequena batida, uma fender bender como chamam nos Estados Unidos. Ingênua e sem muito conhecimento, ela troca informações com o motorista do outro carro (Bill Sage, Somos o que Somos), para que o seguro dele possa cuidar dos reparos.

O que ela nem imagina é que o cara é um serial killer que costuma causar esses pequenos acidentes para que depois possa ir atrás da vítima e matá-las. Hilary e seus dois melhores amigos, Rachel (Dre Davis, Pretty Little Liars) e Erik (Kelsey Montoya, O Hóspede), acabam descobrindo isto da pior maneira, quando o trio se veem sozinhos e cercados pelo psicopata.


Como um amante de slasher, ou até mesmo de filmes de terror no geral, é impossível não notar que o filme segue uma fórmula clássica de estrutura do enredo e infelizmente não se arrisca em ir além disto. Há muitos clichês e geralmente eu não costumo me importar com isto se o filme divertir, mas é um sério problema quando estes clichês afetam a inteligência, ou a falta dela, nos personagens.

Ao longo de seus noventa minutos de duração, Fender Bender passa grande parte dele gastando nossa paciência com situações desnecessárias, dramas da protagonista e quando o assassino finalmente mostra para o que veio, já é tarde demais, pois o filme já está terminando e não há muitos caminhos para a história seguir.

Outra falha é a ausência de personagens para encontrarem seus destinos nas mãos do assassino. Poderiam ter inclusos mais mortes, até por que, é um filme slasher. Apesar disso, as poucas mortes presentes até que são bem feitas, com destaque para a da abertura e a da melhor amiga da protagonista (elas sempre se destacam, não é mesmo?).

O elenco também não se destaca, além do Bill Sage. O núcleo adolescente tem interpretações plastificadas e indiferentes, não causando nem o básico do carisma para que possamos torcer para a vida ou a morte de cada um deles.


A direção de Mark Pavia (Voo Noturno), que também assina o roteiro, é culpada de tirar a emoção de muitas cenas de suspense, além de não saber guiar o vilão. Já que o roteiro não o explora tão bem, o diretor poderia apostar em cenas mais tensas e inclusivas, o que não é o caso. Visto que o último crédito de Pavia foi realizado há 19 anos, talvez o cara estivesse bem enferrujado.

Por outro lado, o filme acerta no final ousado, embora corrido, pois vai de contra muitos clichês do gênero, mesmo já tendo sido utilizado em vários outros filmes. Apesar disso, o final não salva o filme inteiro, que não é um desastre, mas é mal projetado. O roteiro parece mais uma versão não finalizada, com peças muito espalhadas, faltando retoques para juntá-las e entregar uma história mais amarrada. Com mais esforço, poderia ter saído um filme na média, com uma direção menos preguiçosa e um roteiro arrastado.

por Neto Ribeiro

Título Original: Fender Bender
Ano: 2016
Duração: 91 minutos
Direção: Mark Pavia
Roteiro: Mark Paiva
Elenco: Mackenzie Vega, Bill Sage, Dre Davis, Cassidy Freeman, Kelsey Montoya, Harrison Sim

Um comentário:

  1. Vi esse filme e não gostei do final, é bem pessimista

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