Crítica: Lake Alice (2017) - Sessão do Medo

19 de julho de 2017

Crítica: Lake Alice (2017)


Olha, sinceramente, eu não sei por que ainda gasto meu tempo com esses filmes. Talvez eu seja esperançoso (ou iludido), achando que um desses filmes ainda entregará uma boa diversão slasher como de vez em quando aparece, mas essas tentativas acabam sendo bastante frustradas. E mesmo com tantas bombas, eu acabo aqui no mesmo lugar. O responsável por esse desabafo é Lake Alice, um filme que pra ser sincero, não esperava muita coisa. Talvez torcesse pra ser uma surpresa. Mas acontece que essa fita que mescla home invasion com slasher acaba tropeçando em bobeiras e o resultado é um filme que não convence, não agrada e não diverte. Ou seja, é totalmente inútil.

É uma produção pequena e independente, isso eu não me preocupo pois muitos filmaços do gênero nasceram de uma mesma fonte. Não me incomodo também pela premissa clichê, pois do jeito que ando sedento por algo do gênero slasher, o filme com os melhores e maiores clichês iria pros favoritos. No entanto, o filme soa preguiçoso, feito de má vontade, incompleto. Não funciona.

A história se passa durante a época do Natal, onde Ryan (Brad Schmidt) viaja com sua namorada Sarah (Caroline Tudor) para conhecer seus pais, Greg (Peter O'Brien) e Natalie (Laura Nemi). Ao chegar lá, Ryan a pede em noivado, o que causa um pouco de estranhamento do pai, que embora tente parecer receptivo, não está gostando muito da ideia. Os quatro estão ficando na antiga cabana da família em Wisconsin, onde eles moravam antes de se mudarem. Portanto, o retorno proporciona vários reencontros na cidade. Um detalhe engraçado até é que todos os personagens que entram em contato com algum membro da família são mal encarados e tem aquela expressão de "claramente-eu-tenho-um-segredo" ou algo do tipo. Ou seja, todo mundo parece ter um ranço com alguém da família. Isso claro, tende a criar suspeitas quando uma noite, a família é acordada por batidas. Logo eles são surpreendidos por uma dupla mascara que parte para a violência e começa a matá-los um por um.


Primeiro de tudo, o filme não tem ritmo. Ele é curto e a primeira metade dele serve pra apresentar os personagens, o que eu não achei ruim. Num filme desse estilo é importante fazer com que o público os conheça e saiba pra quem vai torcer ou não. Porém, a partir do momento que as coisas começam a esquentar, o filme desenfreia e se torna uma verdadeira bagunça causada por um roteiro mal feito, uma direção picareta e uma edição mais punheteira ainda, cheia de fade outs. Os personagens acabam se tornando extremamente irritantes pela tamanha burrice, principalmente a monga da Sarah que corre 10 segundos e já tá desabando de cansaço pelas árvores, tentando se esconder numa floresta rala (!!!) enquanto os assassinos andam pra lá e pra cá.

Não há construção de suspense e, detalhe, também não há trilha sonora. Não sei se isso foi opção do diretor ou falta de recursos mesmo, mas acaba prejudicando bastante o que já não estava indo bem. Os personagens aparecem e dez segundos depois, já morrem. Não existe cenas tensas que te façam pelo menos segurar o fôlego, imaginando de onde um dos assassinos vai sair, pois todas as aparições deles são ridículas e repetitivas, sempre esfaqueando alguém pelas costas e ainda cheias de barulhos falsos de murros ou algo do tipo, parecendo algo saído do Chaves.

O que chega a ser uma pena, pois o filme tem uma fotografia bacana e numa cena que envolve fogo, eu até consegui imaginar como ela seria com mais trabalho na história. Sabe aqueles filmes que você tem certeza que faria um trabalho melhor que o do diretor? Pois bem. O terceiro ato não ajuda e põe o último prego no caixão do filme. É previsível, patético, sem graça e nada que a gente não tenha visto antes. O roteiro nem tenta disfarçar a cara de pau e a reviravolta consegue ser prevista desde o início. 

Lake Alice é um filme cheio de momentos promissores mas completamente mal aproveitados, um verdadeiro desserviço. Não consegui dar uma nota pior pois de alguma forma, gostei de imaginar como eles seriam (isso é que é ser trouxa), mas o filme é uma oportunidade jogada no lixo. Apesar da boa atuação do protagonista, não há mais ninguém no elenco que mereça uma menção, principalmente a atriz que faz a Sarah. Resultado final: mais um pra lista dos que não foram.

por Neto Ribeiro

Título Original: Lake Alice
Ano: 2017
Duração: 78 minutos
Direção: Ben Milliken
Roteiro: Stevie Jane Miller
Elenco: Brad Schmidt, Caroline Tudor, Brando Easton, Laura Niemi, Peter O'Brien,  Michael Shamus Wiles, Eileen Dietz

Um comentário:

  1. "Talvez eu seja esperançoso (ou iludido), achando que um desses filmes ainda entregará uma boa diversão slasher como de vez em quando aparece" te entendo bem kk, slasher e meu subgenero preferido de filmes de terror, hj em dia ta dificil encontrar um q preste, torço por leatherface, novo filme da franquia massacre da serra eletrica q sera lançado em outubro!

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