Crítica: Madrugada dos Mortos (2004) - Sessão do Medo

23 de julho de 2017

Crítica: Madrugada dos Mortos (2004)


Eu vou entrar em um campo minado ao começar a crítica dizendo que prefiro mil vezes este remake do que o original. Sim, Madrugada dos Mortos é um remake pra quem não sabe. Ele é também um dos filmes de zumbis mais caprichados já feitos e sem dúvidas está entre meus favoritos. O que também muita gente não sabe é que foi o primeiro do Zack Snyder, que hoje é mais conhecido por seus blockbusters como 300 (2007), Watchmen (2009) e Batman vs Superman (2016). Antes de ser apelidado de Snydeus pelos fanáticos de quadrinhos, Snyder dirigiu o que é, pra mim, seu melhor longa. Ele teve a árdua tarefa de reinventar um dos filmes mais cultuados do gênero: Despertar dos Mortos.

Como eu expliquei na minha crítica sobre ele, é um filme bom e importante mas que envelheceu mal. Um dos pontos mais elogiados nele é a crítica social sobre o capitalismo e alienação das massas, onde vemos os zumbis em um shopping mesmo após transformados. Os principais erros sob o ponto de vista atual era a maquiagem azulada dos zumbis (e de algumas cenas violentas), a trilha sonora e a longa duração tornando o filme arrastado. Claro, não quer dizer que é ruim mas para mim foi o mais fraco da Trilogia dos Mortos.


O que fizeram no Madrugada dos Mortos (uma tradução mais apropriada para o título original) foi simplesmente melhorar tudo que tinha de duvidoso no original. Para isso, o senso crítico do texto de Romero foi retirado para dar lugar a um longa mais ágil e menos pretensioso, podendo explorar todas as oportunidades de cenas de ação e violência. No original, há apenas 4 personagens principais vivendo no shopping, aqui, o número é quintuplicado. 

A trama se dá início numa frenética cena de abertura que pode ser considerada como uma das melhores de filmes de terror ever. A enfermeira Ana (Sarah Polley) chega cansada de mais um turno no hospital e vai para a cama com seu marido, Luis. A dupla acorda no dia seguinte quando são surpreendidos por uma garotinha que vive na rua. Ela o ataca e morde brutalmente Luis. Em segundos, Luis desperta mudado, violento como a menina e querendo atacar Ana. A mesma consegue fugir pela janela do banheiro mas em choque, descobre que o caos está instalado no lado de fora. Depois de passar por um verdadeiro sufoco, Ana encontra o policial Kenneth (Ving Rhames) e outros sobreviventes que se dirigem até o shopping local. Ao entrarem, se deparam com três guardas, liderados pelo arrogante C.J. (Michael Kelly). Lá, eles começam a conviver enquanto tentam sobreviver ao apocalipse infernal.

Talvez a única coisa que pode incomodar em Madrugada, ao meu ver, é o número grande de personagens onde menos da metade chegam a ser desenvolvidos. Alguns só aparecem realmente para morrer e é um grande diferencial em comparação ao original. No entanto, os protagonistas são bem explorados e ao fazer essa seletividade, o roteiro não se queima.


Isso por que o longa tem tantas qualidades. A primeira que eu quero destacar é o modo que o roteiro aproveita totalmente os cenários, já que os personagens estão dentro de um shopping. A história se passa em cerca de um mês então dá pra desenvolver várias situações em lugares diferentes, desde eles fazendo a limpa no lugar até quando eles percebem que tem que sair dali. Nessa versão, eles não usam um grupo desconhecido de motoqueiros como pivô então qualquer estranhamento acontece entre os próprios personagens.

A violência rola solta e resulta em cenas bastante criativas. O Snyder chegou a comentar que resolveu não reutilizar os zumbis lentos do Romero por que não se encaixava na visão mais "séria" que o projeto propõe e isso foi um grande acerto. Aqui, os mortos são rápidos, violentos e ágeis, com uma maquiagem no ponto e um bom uso deles.

Há sim suspense mas não é um suspense muito discreto, sempre vem acompanhado de cenas de ação e energia desenfreada. Isso é um grande acerto pois ao abandonar o formato satírico do original, a refilmagem tem a oportunidade de fazer um filme igualmente bom mas focado em outro tipo de entretenimento.


Apesar disso, o filme tem uma pegada bastante pessimista, desde sua abertura caótica até mesmo à cena final. Ele é agitado mas no fundo sempre há aquele ar de desesperança. Isso é composto por pequenos detalhes, como os créditos iniciais onde acompanhamos o desenrolar da epidemia ao som emblemático de Johnny Cash até algumas situações no shopping ou destinos de certos personagens. Digamos que a produção assume a tagline "Quando não houver mais espaço no inferno, os mortos caminharão pela terra". Temos uma verdadeira representação de inferno com toda a destruição e a ascensão dos zumbis, crescendo em escala assustadora, amontoando-se do lado de fora do edifício.

Madrugada dos Mortos acerta em tudo que seu progenitor errou e se estabelece como um dos melhores remakes do gênero. Além disso, para mim, é um dos melhores filmes de zumbis, condensando tudo que há de bom neles numa produção caprichada, eletrizante, bem feita, cheia de efeitos especiais excelentes e cenas perturbadoras. Questão de preferência mesmo. 
por Neto Ribeiro

Título Original: Dawn of the Dead
Ano: 2004
Duração: 100 minutos
Direção: Zack Snyder
Roteiro: James Gunn, Michael Tolkin, Scott Frank
Elenco: Sarah Polley, Ving Rhames, Jake Weber, Mekhi Phifer, Michael Kelly, Ty Burrell, Kevin Zegers, Lindy Booth

2 comentários:

  1. OMG não sabia qie esse filme tinha sido dirigido pelo Snyder, enfim adoro a pegada diferente dos filmes dele, a madrugada dos mortos com ctz é o melhor filme de zumbis (pra mim) e um dos melhores de terror, é aquele filme que te instiga a assistir até o final.

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  2. Foi realmente uma pérola para o gênero, realmente poucos sabem que se trata de um remake, até porque o filme ganhou uma legião de fãs na época para o gênero.
    Forte, dinâmico e bastante pegado. Vale muito a pena assistir e até mesmo rever.

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