Crítica: Annabelle 2 - A Criação do Mal (2017) - Sessão do Medo

24 de agosto de 2017

Crítica: Annabelle 2 - A Criação do Mal (2017)


Annabelle 2: A Criação do Mal é o quarto segmento do universo criado por James Wan em seu excelente Invocação do Mal lançado em 2013, contando com uma continuação direta e dois spin-offs - que também são prequels do primeiro Invocação -, que também serão uma ponte para mais dois futuros spin-offs já confirmados, um focado no demônio Valak presente no segundo filme da franquia, um sobre o Homem Torto, que já está sendo descrito como uma fabula macabra de terror e mais uma continuação de Invocação do Mal continuando a saga dos Warren pelo sobrenatural. É trivial que a boneca Annabelle, presente nos primeiros minutos de Invocação do Mal, ganhou toda a atenção do público, mesmo com o curto espaço de tela; era certo que, com o sucesso de bilheteria, a Warner iria apostar em continuações e spin-offs, já que o universo do primeiro é rico e conta com vários casos dos Warren escritos em livros e reportagens de jornal e TV. 

O primeiro filme a dar segmento a franquia foi Annabelle (2014), que entrou em produção poucos meses após a estreia de Invocação do Mal nos cinemas americanos. O filme teve a fraca direção de John R. Leonetti de continuações sem importância como Mortal Kombat 2: A Aniquilação e Efeito Borboleta 2, e roteiro de Gary Dauberman (roteirista de tranqueiras como: Aranhas Assassinas (2007), Bloodmonkey (2007), entre outros...) e, como já era de se esperar, é um filme muito abaixo da média e infinitamente inferior ao primeiro Invocação do Mal. Mesmo falhando em agradar o público e crítica, tendo 29% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e 36% do púbico, o filme fez bem nas bilheterias. Com custo de 6.5 milhões, o filme arrecadou 256,873.813 U$, sendo o filme com maior custo/beneficio lançado em 2014. A Warner não querendo perder sua galinha dos ovos de ouro, decidiu fazer mais um spin-off que também é um novo prequel de Invocação do Mal e do próprio Annabelle, dessa vez com direção do sueco David F. Sandberg, que ganhou atenção pelos seus curtas, entre eles o hypado Lights Out, que ganhou um longa de mesmo nome ano passado, dirigido pelo próprio em sua estreia na tela grande. O roteiro ficou a cargo de Gary Dauberman, mesmo (ir)responsável pelo roteiro do anterior.


O enredo se passa 12 anos antes dos eventos do primeiro Annabelle, e conta a história de um artesão e sua esposa, que após a trágica morte da filha, decidem, por caridade, acolher em sua casa, uma freira e 6 meninas de um antigo orfanato que foi fechado. A esposa fica o momento todo em seu quarto, não tendo contato algum com as garotas e o artesão se tornou um sujeito recluso e frio, e logo, o ambiente se torna um lugar nada amigável para as visitantes. Especialmente para Janice (Talitha Bateman), que tem problemas para andar devido a sequela de uma doença, e sua melhor amiga Linda (Lulu Wilson, de Ouija: Origem do Mal). Uma certa noite, Janice descobre o quarto que era da filha falecida dos donos da casa e dentro de um armário trancado encontra a boneca Annabelle, libertando algo maligno na casa...

Embora eu tenha mantido o pé atrás quanto a um novo filme, eu acompanhei as noticias sobre a produção de Annabelle: Creation e os depoimentos do diretor David F. Sandberg, que afirmou mais de uma vez que seu filme iria seguir uma linha de terror clássico, nos moldes de filmes como Desafio do Além e O Iluminado, focando mais na atmosfera e construção de clima crescente de tensão do que nos sustos gratuitos. Infelizmente nada disso é visto aqui, e o filme ainda cai em algumas armadilhas presentes no primeiro. O primeiro ponto negativo que precisamos destacar é o roteiro, que mais uma vez é tão simplista e clichê quanto o de seu antecessor e não sai do lugar comum, usando de todos os elementos presentes até em filmes do James Wan, e que consequentemente mostram sinais de desgaste pela exposição e repetição. 


A direção de Sandberg é segura e competente, seguindo os passos do James Wan. Ele usa longos planos-sequências pra trabalhar a ambientação e envolver o espectador, infelizmente o diretor não tem o mesmo exito de Wan em construir tensão sendo sutil e usando da sugestão ao invés do sustos recorrentes. Há sim momentos de jumpscares genuínos, alguns bem trabalhados e executados, mas também há um certo excesso, ainda mais considerando a declaração dada pelo próprio diretor de que o filme focaria mais no clima e menos no susto. 

O elenco está muito bem em grande maioria, com destaque para Talitha Bateman e Lulu Wilson... O restante é subaproveitado e seus personagens são pouco explorados e sem destaque no roteiro, algo que acaba se tornando um problema em alguns momentos, pois impossibilita o público em cria empatia por eles.

Há alguns momentos em que o filme se torna tão formuláico que até replica uma cena presente em Invocação do Mal 2 de forma idêntica. Cena essa que seria bem mais eficiente se não tivesse sido apresentada antes no filme do Wan. Há por outro lado, algumas cenas de destaque e que são bem realizadas, com destaque a uma cena no celeiro envolvendo um espantalho.


O desfecho faz uma ligação direta com o primeiro filme. A primeira vista, seria um ponto positivo a considerar, mas qualquer um que pensar um pouco sobre tal ligação, verá que é forçada, sem sentido e deslocada do restante do filme. O roteiro tem incoerências e furos, e mesmo a origem do mal na boneca é deixado de lado, com a mesma justificativa usada na introdução do primeiro invocação do Mal.

Annabelle 2: A Criação do Mal irá agradar o público que espera apenas o pack de Invocação do Mal, com todos os elementos utilizados anteriormente, e irá desagradar quem esperava algo mais ousado e diferente, como prometeu o diretor. O filme é superior ao anterior, mas no fim das contas isso não diz muita coisa.

por Marcelo Alves

Título Original: Annabelle - Creation
Ano: 2017
Duração: 109 minutos
Direção: David F. Sandberg
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Stephanie Sigman, Talitha Bateman, Lulu Wilson, Anthony LaPlagia, Miranda Otto, Grace Fulton, Alicia Vela-Bailey

2 comentários:

  1. quero quer você faça a critica death note que estreia amanha na Netflix e um filme baseado no anime e também faça a critica da serie o nevoeiro que vai lança amanha também na netflix

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  2. Aguardava ansiosamente a crítica aqui do sessão do medo para Annabelle 2. Fico muito feliz em saber que o Marcelo tem uma opinião muito parecida com a minha.
    Pra ser muito sincera NÃO gostei do filme. Primeiro que não fiquei com medo quando fui dormir (geralmente isso acontece) e segundo que fiquei cheia de perguntas e incomodada com alguns fatores.

    Os produtores de filmes de terror deveriam acrescentar a formula do medo nos filmes, no exemplo clássico: O que os olhos não veem, a gente sente e muito (medo). Trabalhar o ambiente é fundamental, talvez por isso os cansativos filmes Atividade Paranormal fizeram tanto sucesso, mais precisamente o primeiro da franquia. Não se via exatamente o mal, mas sabíamos que ele estava ali presente. Ou até mesmo nosso querido A Bruxa de Blair, poderia ser usado como exemplo. Quem nunca bateu os olhos na frente da TV pra ver a maldita Bruxa?
    O filme tem momentos muito legais que foram bem explorados, mas quando o filme acabou me perguntei: ‘’só ? ‘’. Foram três longos anos para tampar a decepção que foi o primeiro Annabelle e infelizmente ficou a desejar. Muito marketing em cima atrapalha.

    Até o momento Invocação do Mal de 2013 é o melhor desse universo.

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