Crítica: Death Note (2017) - Sessão do Medo

25 de agosto de 2017

Crítica: Death Note (2017)


Finalmente chegou nos catálogos mundiais da Netflix a adaptação americana de Death Note, um dos mangás/animes mais adorados pelos fãs do gênero e que agora ganha uma repaginação ocidental. Sob a direção do Adam Wingard, conhecido pelo nosso público por dirigir filmes como Você é o Próximo (2013) e Bruxa de Blair (2016), o remake tenta apresentar a história original de uma forma mais mastigada para novos espectadores. Confesso que sou apenas familiarizado com a história do anime, portanto esta crítica não terá muitas comparações, apenas quando eu julgar ser necessário, beleza?

Bom, o primeiro mangá do Death Note foi lançado em 2003 e a série em anime foi lançada em 2006. Este último projeto alavancou a fama da história à níveis internacionais, ganhando uma legião de fãs obcecados pelo personagem Light Yagami, um jovem calculista e frio que um belo dia encontra um caderno pertencente à um Deus da Morte, o Ryuk. Ao anotar um nome de qualquer pessoa neste objeto, a pessoa imediatamente morre (da forma que você quiser). Lembro-me que houve várias controvérsias quando a adaptação americana foi anunciada, principalmente pelas reações dos fãs (que estavam certos em se preocupar e devem estar xingando os deuses após ver o resultado).


Pelo pouco que eu conheço da história original, houve sim várias mudanças nesta versão e entendo a raiva de quem esperava uma adaptação mais correta. Creio que os filmes asiáticos sejam mais fiéis então se você procura isso, recomendo vê-los. Mas vamos falar deste Death Note: Na trama, conhecemos Light Turner (Nat Wolff, Cidades de Papel), um adolescente problemático que sente raiva de todos após a morte de sua mãe, atropelada por um cara rico que saiu impune do crime. Um certo dia, ele encontra um caderno, cujas páginas são recheadas de regras e nomes escritos. As regras são muitas mas se resumem a uma ação: escreva o nome de uma pessoa no caderno e a pessoa morrerá. Ao abrir o caderno pela primeira vez, ele se depara com um monstruoso demônio de dois metros de altura, o Ryuk (dublado pelo excelente Willem Dafoe, Anticristo). O personagem é debochado e sem dúvidas a melhor coisa do filme! Após uma patética cena de apresentação, Light testa os "poderes" do caderno ao matar um valentão de sua escola.

A trama se desenrola quando Light mostra o caderno para Mia (Margaret Qualley, Dois Caras Legais), uma cheerleader desiludida que, embora se mostre chocada a princípio, adora a ideia e se apaixona instantaneamente por Light e logo os dois criam um mito: o Kira. Ao começarem um tipo de serviço de vigilantes, anotando no caderno os nomes de criminosos procurados pela polícia e literalmente gente que não presta, eles deixam o rastro do nome Kira, que toma proporções mundiais, diminuindo a criminalidade e tendo pessoas acreditando se tratar de um tipo de entidade justiceira.

Acontece que o pai de Light (Shea Whigham, O Lado Bom da Vida) é um policial e na verdade é um dos poucos que quer investigar o tal do Kira, já que os outros o apoiam. Ele é contatado por L (Keith Stanfield, Corra!), um detetive independente que vem investigando o Kira há um tempo e descobre que ele mora em Seattle.


O maior erro deste Death Note é justamente o roteiro. Ele começa muito mal, o filme se inicia com uma sensação estranha de estar faltando alguma coisa, sem uma base introdutória nem nada. Depois que a trama se estabiliza, daí começa a soar corrido. É até compreensível visto que o material-fonte é bastante vasto e seria impossível resumir tanta coisa em um filme de 100 minutos. Ainda assim, é bem difícil deixar isso passar. Muitas intenções são demonstradas mas não são tão bem exploradas, como uma discussão do tipo "quem é você pra julgar quem deve morrer ou viver", sacaram?

Nat Wolff e Margaret Qualley, protagonistas da produção, estão bem nos seus papéis mas seus personagens são bem difíceis de acompanhar. Eles são cheios de conflitos, o que seria bom, mas acontece que são pelos conflitos errados, então podem esperar birrinhas de namorados e uma verdadeira confusão de intenções.

Outra coisa que eu notei é que, embora a adaptação tente manter algumas peculiaridades do anime, elas não funcionam tão bem assim no filme visto que a abordagem é meio diferente. Portanto, detalhes comportamentais de alguns personagens (como o L que parece ter um tique nervoso toda vez que abre a boca) incomodam. Assim também como a já mencionada cena de encontro entre Light e Ryuk que é muito ridícula, cheia de gritinhos e muito exagerada.


Adam Wingard no entanto não deixa suas raízes do horror de lado e aqui traz muita coisa bacana, sendo a principal delas as cenas de mortes, sem nenhum CGI (e se houver, é bem discreto). As cenas são violentas, cheias de sangue e miolos! Ele também traz um pouco do seu fanatismo ao gênero ao filme como numa cena em que Mia está assistindo ao clássico Fantasma (1979) na TV.

Outro ponto positivo é a fotografia, bem elétrica e cheia de cores neon - que virou moda atualmente - mas funciona no filme, com a assistência da ótima trilha sonora, cheia de sintetizantes e músicas conhecidas e que se encaixam perfeitamente em algumas cenas, com The Power of Love na versão do Air Supply fechando o filme.

Também é impossível não mencionar o Willem Dafoe dando a voz do vilão Ryuk. Pude perceber que o envolvimento dele neste filme é meio diferente em relação ao anime, principalmente no lado visual. No filme ele sempre aparece no fundo, desfocado, cheio de sombras, com seus olhos brilhando. Eu realmente gostei dessa ideia, deu um ar mais sinistro pra ele. "Humans are so interesting." 

No final das contas, Death Note foi uma decepção? Não posso negar. O baque foi sentido mais ainda por aqueles que adoram o mangá/anime e se eu fosse um deles, provavelmente minha nota seria bem menor do 2,5/5. Mas, sei que muitas pessoas, assim como eu, estão entrando em contato com o material pela primeira vez, então provavelmente nossas opiniões serão parecidas. Posso dizer que não achei que foi um desastre tão grande, foi "divertido" na medida do possível. É sim um filme com um potencial bem maior e mal aproveitado, faltou força e consistência, faltou aprofundar a história visto que o que vemos aqui soa superficial até mesmo para aqueles que não conhecem o anime. Mas se amanhã lançassem uma sequência, eu assistiria.

por Neto Ribeiro

Título Original: Death Note
Ano: 2017
Duração: 101 minutos
Direção: Adam Wingard
Roteiro: Charles Parlapanides, Vlas Parlapanides, Jeremy Slater
Elenco: Nat Wolff, Margaret Qualley, Keith Stanfield, Paul Nakauchi, Shea Whigham, Willem Dafoe

3 comentários:

  1. Também achei isso é no final gostei da reviravolta que ele conta no final no hospital com o pai dele e quando l estava pronto para anota aí pulá pra o hospital e rhurk dando risada e fala aquela frase aí o filme acaba e sera que ele morreu ? Se lança outra sequência eu assitia

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  2. Mas se Light morre na seQuência ficarei triste

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  3. tem que ter sequênciaaaa, porra que curiosidade dessa bosta de final, ansiedade me consome. voto para sequência.

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