Crítica: A Hora do Espanto (2011) - Sessão do Medo

14 de agosto de 2017

Crítica: A Hora do Espanto (2011)


E aí pessoal, estou aqui para falar de uma refilmagem de um sucesso que fez muita gente delirar nos anos 80, foi uma grande referência aos filmes do gênero que se sucederam e trás uma das histórias mais divertidas dessas criaturas, os vampiros. 

Estamos falando de 'A Hora do Espanto' de 1985, o filme impressiona pela qualidade dos esfeitos e da maquiagem, sua trilha sonora impecável transmite uma viagem alucinante àquele mundo oitentista, e os personagens são excelentes, interpretados por astros do cinema. O sucesso foi tanto que fizeram uma sequência 'A Hora do Espanto 2' de 1988, quase do mesmo nível de qualidade do original, ótima trilha, ótimos personagens e muita diversão.   

Na onda dos remakes dos dias atuais (Que consumiu Hollywood há quase duas décadas), 'A Hora do Espanto' não podia ficar de fora, e foi exatamente o que aconteceu em 2011. Refizeram o primeiro filme dando uma 'modernizada' na trama. Pessoalmente, sou um cara apaixonado pelo original e pela continuação, virei a cara quando soube dessa refilmagem, mas iria ver mesmo assim no cinema. E apesar do filme ser bem inferior ao original, até que diverte.  

A história é basicamente a mesma do longa de 85, apenas mexendo um pouco aqui e ali. Charley Brewster (interpretado pelo falecido, Anton Yelchin) é um adolescente que vive em um subúrbio de Las Vegas, Nevada, ele descobre que um novo vizinho se mudou na porta ao lado, até aqui está tudo fluindo sem problemas nenhum, mas o melhor amigo de Charley, Edward "Evil Ed" Lee (Christopher Mintz-Plasse), o informa que muitos estudantes  de sua sala, desapareceram, incluindo seu outro amigo de infância, Adam Johnson.

Quando Charley vai para casa depois da escola, sua mãe, Jane (Toni Collette), o apresenta a Jerry Dandrige (Colin Farrell), seu novo vizinho. Mais tarde, irritado com Ed depois que ele alega que Jerry é um vampiro, Charley diz que ele é louco e que ele não quer mais ser amigo. No entanto, o motivo para o afastamento de Charley com Ed se deve ao fato de que Ed, ele e Adam, eram vistos como três nerds esquisitos, mas depois que o jovem se separou dos amigos, ele começou a frequentar grupos mais populares como o grupo de Mark (Dave Franco) e a sua namorada, Amy.  

Em seu caminho para casa, Ed é confrontado por Jerry, que afirma que ele tem vigiado Ed e tem consciência de que o jovem nerd estava o vigiando também. Jerry logo o persegue até uma piscina próxima e o convence a acreditar que sua vida seria muito melhor se ele fosse um vampiro. Ed sucumbe e de bom grado permite Jerry mordê-lo. A cena é bem elaborada e divertida, de cara já vemos como Jerry é ameaçador ao mesmo tempo em que parece ser um cara legal e inofensivo.  O único problema que percebi ao ver a cena é que Ed não fez muita coisa para se livrar de Jerry, se ele gritasse, provavelmente os vizinhos o escutariam, mas o rapaz se limita a fugir em silêncio para não incomodar ninguém.

No dia seguinte, Charley percebe que Ed está desaparecido e decide investigar, a partir daí o jovem começa a acreditar nas afirmações do ex-amigo através de evidencias que ele havia conseguido sobre as condições de Jerry. 

Quando o vampiro começa a atacar mais pessoas em todo o bairro, Charley entra escondido na casa do vizinho e descobre que ele mantém suas vítimas em salas secretas como reféns para poder sugar o sangue a vontade, aqui temos outra cena muito boa onde o jovem e uma vítima de Jerry tentam fugir sem fazer barulho. Desesperado por ajuda, Charley recorre ao lendário mago, Peter Vincent (David Tennant), um suposto especialista em vampiros. Peter, no entanto, não leva Charley a sério e o expulsa de sua casa. Um ponto cômico e interessante desse encontro é a forma em que Peter vai tirando a sua maquiagem gradualmente, fazendo uma alusão a farsa que ele é como caçador de vampiros.

Jerry chega à casa de Charley e ateia fogo na ela para tentar entrar uma vez que ele não conseguiu fazer o jovem e sua mãe convidá-lo para entrar na residência. 

"Não preciso de convite se não existe casa".

Charley, Jane, e sua namorada, Amy Peterson (Imogen Poots), fogem pelo deserto de Nevada em sua minivan, mas Jerry os alcança... Essa cena é excelente, envolve a tecnologia de câmera em 360 graus onde ela apenas gira em torno do eixo, ou seja, não tem edição, é uma coreografia muito bem feita. Enfim, ele tenta matar Charley, mas é ferido por Jane com uma estaca improvisada.  Uma cena muito interessante aqui, é quando um veículo bate na traseiro do carro dos Brewsters, a pessoa que dirigia é ninguém menos que Chris Saradon, o Jerry Dandrige do filme original, aqui ele é o Jay Dee (referência às iniciais de Jerry Dandrige). A mãe do garoto desmaia e é internada em um hospital.


Mais tarde Charley é chamado por Peter, que após ver as imagens que o jovem havia levado para ele, decidi ajudar. Tal foto reflete no passado de Peter que falarei isso mais para frente.

Ao chegar na cobertura de Peter, Ed aparece. Agora, o nerd Maldoso foi totalmente transformado em um vampiro e ele auxilia Jerry para atacar Charley, Amy e Peter. Enquanto lutam, Ed deixa toda sua raiva para fora em seu oponente e Charley relutantemente mata o ex-amigo. Enquanto isso, Amy machuca Jerry com água benta. Eles então correm para um clube onde se separam na multidão. Amy é beijada, mordida e possuída por Jerry, ele a sequestra. 

Peter se recusa a ajudar Charley e revela que ambos os seus pais foram mortos por um vampiro (mais tarde revelou ser Jerry o assassino)... Isso é problemático, essa ideia de fazer uma ligação com o passado do Peter é forçado e contraditório, Peter chamava Charley de louco porque ele dizia que tinha um vampiro na casa ao lado, mas os pais do Peter foram mortos por vampiros, não se encaixa, seria muito melhor se o 'grande matador de vampiros' se envolvesse na trama como fora envolvido no original, por dinheiro, onde Amy pagou para ele fazer testes em Jerry para provar que ele era um vampiro.

Peter dá Charley uma estaca abençoada por São Miguel que vai matar Jerry e transformar todas as suas vítimas de volta em seres humanos, se acertar no coração da criatura. Charley vai para a casa de Jerry, onde Peter Vincent, numa decisão difícil, decide se juntar a ele no salvamento.

Na batalha final, a dupla e levada para o porão de Jerry, onde são atacados por muitas das vítimas do vampiro, incluindo Amy e Mark. Charley confronta a namorada. Assim que ela está prestes a morder Charley, ele a apunhala, abaixo do coração e depois escapa. O fato de ter vampiros demais nessa batalha, prejudica um pouco. Além de Mark, Amy, e Jerry... Existem outras meia dúzia de vampiros que só apareceram aqui para dizer que existem muitos vampiros na trama. A facilidade que a pessoa tem em se transformar em vampiro é sem noção. Todas as pessoas que Jerry chupa o sangue, vira vampiro, então já pensou quantos vampiros Jerry criou ao longo dos seus mil anos de vida? 

Charley retorna ao porão só para ver Peter sendo lentamente comido pelos vampiros. Ele decide atirar no teto para criar buracos no telhado, a partir do qual a luz do sol brilha. O remendo da luz solar protege Charley e Peter dos vampiros que não foram destruídos. Jerry aparece, explicando que a busca de Charley está de fato terminada. 

O jovem Brewster, tendo-se equipado em um terno retardador de chama, pede para que Peter coloque fogo nele, após fazer isso, o rapaz  em chamas abraça Jerry. Uma luta entre os dois segue enquanto os outros vampiros assistem sem poder fazer nada, a luz solar que passavam pelos buracos começam a queimar Jerry e para completar, Charley enfia a estaca no coração da criatura a matando e salvando todos as vitimas do monstro com um 'show' de efeitos especiais e cenas para o 3D, e assim é o fim do ataque do vampiro. 

Esse remake não é ruim, como disse no começo, é bem legal, mas deixa muito a desejar se for comparado com o longa original. Todas as cenas icônicas do filme de 1985 tinha, foram reduzidas aqui. A cena do nightclub do original é muito mais explorada. Além disso, uma das cenas que até se tornou capa do filme (é o Ed como vampiro com a marca da cruz em sua testa)... Não temos isso nesse remake. Como eles puderam ignorar algo tão marcante assim? Bem, além disso, a cena com Amy com aquela boca enorme e a relação de Jerry com Amy também foram minimizadas. No original, Amy lembrava um antigo amor de Jerry, isso não existe aqui, mas tudo bem, na verdade isso foi mais um acerto que um tropeço, pena que eles mudaram essa relação de passado com o Peter que teve os seus pais assassinados por Jerry. 

Outro problema foi a questão da trilha sonora, tanto a original quanto a sequência possuíam uma ótima faixa musical. Os vampiros seduzindo ao som de 'Come to me' é algo hipnotizante que dá um charme a mais à projeção, coisa que foi totalmente descartada aqui. A trilha sonora desse filme não tem relevância alguma. 

O elenco foi muito bem escolhido, particularmente, o único personagem que eu trocaria é o "Evil Ed" de Christopher Mintz-Plasse, que não combina e no fim desaponta bastante, tanto pela sua participação quanto o seu fim. No entanto, Colin Farrell faz um excelente trabalho como o vampiro, achei muito legal eles manterem o tom calmo de Jerry que mesmo em situações perigosas, continua tranquilo e falando com calma e transpirando autenticidade, um contraste muito legal com o monstro que ele é. A Amy de Imogen Poots, não é ruim, mas precisava ser mais trabalhada, ela precisava conseguir um pouca mais de personalidade para ganhar a empatia do público, aqui ela está muito genérica como a 'mulher do mocinho que precisa ser salva', apesar disso, ela também possui boas cenas.  

A impressão que se tem é que o diretor tentou modernizar demais a trama inserindo muitas cenas de objetos sendo jogados pela tela (devido ao 3D) e muito efeitos especiais para cenas que ficaram perfeitas apenas com maquiagem no original. Isso fez a produção soar um pouco artificial. Por esses problemas técnicos atribuo todos os defeitos do longa ao diretor Craig Gillespie que não soube tratar o produto que tinha em mãos da forma que devia, mas ele tentou nos dar um bom produto. Nota: 6,5.


É isso gente, depois desse filme, um reboot foi feito, trás todos os personagens do original (sendo interpretados por outros atores) lutando para sobreviver de Gerri Dandridge, uma vampira muito louca. Mas, isso é assunto para outra crítica, até a próxima. 
PRINCIPAIS DIFERENÇAS COM O FILME ORIGINAL. 

- A mãe de Charley Brewster, June, tem uma participação maior na história enquanto que na primeira versão (interpretada por Dorothy Fielding) tinha uma presença apenas discreta.

- No original, Jerry tem um mordomo chamado Billy Cole (Jonathan Stark) que faz as coisas de dia enquanto o sol está forte no céu. No remake, Jerry vive sozinho.

- No primeiro filme, Peter Vincent (interpretado por Roddy McDowall) é um veterano ator de filmes de terror que faz um programa de TV chamado 'A Hora do Espanto' (o nome faz uma alusão a dois ícones do gênero: os britânicos Peter Cushing e Vincent Price), além disso ele é bem educado, enquanto na nova versão é um mágico ilusionista de Las Vegas bem sínico e cara de pau.

- Na nova versão, Peter Vincent tem uma namorada (interpretada por Sandra Vergara) cuja relação é bem conturbada por troca de xingamentos, enquanto que na versão original é um homem solitário.

- No primeiro filme, o personagem "Evil" Ed Thompson (interpretado por Stephen Geoffreys) é um rapaz esquisito. Na nova versão, o seu nome foi mudado para Ed Lee e, ao invés de um esquisito, é um nerd. A semelhança é que ambos sofrem com o bullying na escola, no entanto no remake isso é visto com mais clareza.


FICHA TÉCNICA

Titulo original: Fright Night.

Titulo brasileiro: A Hora do Espanto.

Diretor:  Craig Gillespie. 

Roteiro: Marti Noxon.

Elenco: Anton Yelchin (Charley Brewster), Colin Farrell (Jerry Dandrige), Tone Collette (Jane Brewster), Imogen Pootes (Amy), David Tennant (Petyer Vincent), Christopher Mintz-Plasse (Ed Lee), Dave Franco (Mark).

Sinopse: Charley Brewster (Anton Yelchin) tem uma boa vida. Ele convive com os garotos populares e namora a garota mais bonita da escola (Imogen Poots). Mas o inferno em sua vida começa quando o charmoso Jerry Dandrige (Collin Farrell) se muda para a casa ao lado da sua. Charley acha que há algo de errado com o novo vizinho, apesar de ninguém - incluindo sua mãe (Tonni Collette) - perceber. Após vários de seus colegas desaparecerem sob circunstâncias bizarras, Charley chega a uma conclusão: Jerry é o vampiro atacando a sua vizinhança. Prepare-se para essa excitante e moderna re-vampirização do clássico do terror. Com um elenco recheado de estrelas, A HORA DO ESPANTO é cativante desde a primeira mordida.


Por: Michael Kaleel. 

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