Crítica: Mar Aberto (2003) - Sessão do Medo

17 de agosto de 2017

Crítica: Mar Aberto (2003)


Se vocês acham que filmes sendo extremamente hypados é de hoje, estão muito enganados. Há anos e anos que vemos produções independentes marcando presença em festivais de cinema e causando burburinho, como A Bruxa de Blair (1999), que inclusive é bem merecido ou esse filme que mesmo o qual a crítica é dedicada. Mar Aberto (Open Water) é mais um daquelas películas feitas com baixíssimo orçamento e que através do boca-a-boca consegue encontrar seu público. O caso deste é até curioso. O filme é diretamente baseado em um caso interessantíssimo (não no bom sentido) ocorrido em 1998, onde um casal americano de férias foi esquecido em alto mar pelo barco que os levava junto com um grupo maior de mergulhadores. Passaram-se dois dias para que notassem o sumiço dos dois e até os dias de hoje seus corpos não foram encontrados, embora alguns restos dos materiais que usavam tenham sido descobertos. O que realmente aconteceu com eles é um mistério, mas há teorias (que levam de desidratação, à afogamento, à suicídio).

A situação serve de ponta-pé para a produção de Mar Aberto, que é singela e bastante simplista, com um formato de filmagem que assemelha-se aos found-footages, embora não seja necessariamente um. É importante ressaltar que ao mencionar isso, espera-se que o formato dê um aspecto mais realista à película - o que acontece em algumas cenas, embora em outras falhem. Mas apesar disso, é um filme que ainda consegue muito com pouco. Não é excelente mas é bem na média, tem suas falhas (que eu irei explicar) mas eu entendo perfeitamente se você que está lendo chegar aqui e deixar um comentário dizendo que é um dos melhores filmes do tema que já viu.

Utilizando principalmente dois atores (Blanchard Ryan e Daniel Travis) em quase toda a projeção, o filme é curtinho, não chega a ter 80 minutos, mas é a duração correta pra proposta que o diretor Chris Kent (A Casa Silenciosa) propõe. Quando os mesmos são deixados pra trás, acompanhamos os dois surtando aos poucos. Confesso que achei estranho eles demorarem a ficarem desesperados, pois se fosse eu no lugar já estava berrando assim que percebesse o que tinha acontecido. Talvez fosse pra passar força e confiança um pro outro? Ou erro de direção/roteiro?


À deriva, Susan e Daniel primeiro enfrentam águas vivas e o enjoo de passar horas subindo e descendo junto com a água. O sono e o cansaço também figuram na história. Mas o verdadeiro perigo, pelo menos o que é vendido nos cartazes e capas, são os tubarões que não demoram muito para rondar o casal. Eles não aparecem muito, pois a intenção do diretor é passar algo mais amplo e não apenas tornar Mar Aberto em mais um filme de tubarão. É interessante mencionar que os tubarões usados são reais e os atores realmente contracenaram com eles.

Há toda uma sequência extremamente desesperadora e que fez meu coração pulsar forte, onde a noite chega e o céu está cheio de trovões e relâmpagos. A cena é sem dúvidas a melhor do filme, sendo quase toda passada no escuro e o único pico de iluminação vem dos raios. O desfecho pode ter uma filosofia mais triste para a história mas o filme seria bem melhor se terminasse nessa sequência pois é o ápice do filme.

Infelizmente, essa cena é rápida e logo voltamos para o claro e para o monótono balançar do mar com os personagens totalmente desgastados. Mar Aberto é um filme com muitas cenas "agora vai" mas que nunca vão. Talvez seja devido ao orçamento e o diretor quis manter as coisas simples, ou talvez ele realmente queria passar uma visão realista da situação. Independente do motivo, o filme carece de momentos tensos e a situação em si é mais desesperadora do que a forma que ela é trabalhada aqui.
por Neto Ribeiro

Título Original: Open Water
Ano: 2003
Duração: 79 minutos
Direção: Chris Kent
Roteiro: Chris Kent
Elenco: Blanchard Ryan, Daniel Travis

Um comentário:

  1. Depois de ter visto 47 meters down (comentei lá na critica dele tbm) e ter ficado tensa apreensiva do início ao fim.. espero q esse me faca reagir do mesmo jeito.

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