Crítica: The Monster Project (2017) - Sessão do Medo

19 de agosto de 2017

Crítica: The Monster Project (2017)


Desde que ganhou "notoriedade" no longínquo ano de 1999, o Found Footage foi usado, abusado e abusado de novo no gênero de terror. Alguns filmes souberam aproveitar o estilo de filmagem a favor do terror, usando-o para criar tensão, realismo e cenas assustadoras, mas também aconteceu algo que já era esperado, o comodismo tão presente no gênero se instalou nessas produções. Produtores viram uma oportunidade de fazer filmes com pouca grana, sem cuidado da produção usando elementos já conhecidos nesse tipo de filme, o quê consequentemente trouxe um grande desgaste ao subgênero que um dia foi visto como inovador... Uma pequena produtora chamada Epic Pictures Group vendo que esse gênero, mesmo desgastado, ainda rendia público, investiu em produções nessa linha, tendo no currículo o fraco Jeruzalem (2015) e The Dark Tapes (2016); a nova empreitada da produtora é o filme em questão, The Monster Project, que foi lançado em VOD ontem nos Estados Unidos e já está disponível na rede. 

A produção tem direção de Victor Mathieu (CarnieVille, Dead List, Tombstone Brides) com roteiro de Corbin Billings (Limikkin Ranch) e um conceito interessante para um filme nessa linha: Um grupo de jovens cineastas vão até uma casa abandonada entrevistar três pessoas que se dizem "monstros da vida real"; uma vampira, um skinwalker/lobisomem e uma garota que diz estar possuída por um demônio. O que eles não sabiam é que os mesmos são de fato o quê dizem ser...


A produção estava sendo desenvolvida desde 2013, e nesse meio tempo, o diretor Victor Mathieu desenvolveu uma pequena Web Série de 11 episódios que antecedem os eventos do longa metragem. A série é focada na personagem Shiori (a tal garota que se diz possuída) no formato de vídeos do Youtube, onde ela conta os terríveis eventos que ela vivenciou antes dos eventos presentes no filme. Ainda não tive a oportunidade de ver a tal Web Série, sugiro porém que procurarem antes de ver o filme, pois acrescenta um backstory a personagem que não é tão explorada no filme...

O quê vemos é uma mistura muito bem acertada de 4 subgêneros do terror: um filme de lobisomem, um filme de vampiro, um filme sobre possessão e satanismo, tudo sobre a ótica de um Found Footage. Poderia ser uma bagunça? Sem dúvida! Porém, o diretor e o roteirista acertam a mão e conseguem criar uma harmonia entre os gêneros e de quebra usam o estilo de filmagem documental a favor do terror. 


Há alguns momentos em que a produção recorre ao CGI - principalmente na transformação do Skinwalker e no rosto da garota possuída -, porém o uso é sutil e bem utilizado, algo raríssimo em produções de baixo orçamento como essa. Mas nem tudo são rosas em The Monster Project, o filme dá uns tropeços em algumas cenas forçados e com a própria edição com cortes rápidos de um demônio sobreposto a filmagem, algo totalmente desnecessário e gratuito e que acaba gerando um anti-clima durante o decorrer do filme. Há também uma outra cena que não faz sentido dentro das limitações narrativas de um Found Footage, que eu não posso comentar devido ao spoiler, mas quem viu, assim como eu irá se incomodar.

The Monster Project é um filme competente em sua proposta. Mesmo com certas limitações, o filme consegue acertar nos subgêneros abordados e ainda tem um desfecho inesperado que foge um pouco do padrão estabelecido em found footage.

por Marcelo Alves

Título Original: The Monster Project
Ano: 2017
Duração: 95 minutos
Direção: Victor Mathieu
Roteiro: Victor Mathieu, Corbin Billings, Shariya Lynn
Elenco: Justin Bruening, Jim Storm, Murielle Zuker, Shiori Ideta, Toby Hemingway, Yvonne Zima

2 comentários:

  1. A história não é exatamente original ou inovadora, mas tem o seu mérito!
    Posso dizer que (de certa forma) nos ensina a tomar cuidado com certas coisas. (se a pessoa tiver intenções iguais ao Devon do projeto... stay alert!)

    Ainda existe aquele clichê de personagens se aproximarem devagar das criaturas/monstros colocando a mão nelas e depois a criatura virar e assusta-los.
    Alguns sustos gratuitos... mas o filme é 'ok'. Não podemos exigir muito desses filmes.

    Agora eu quero saber sabiamente: Qual é a cena que não faz sentido dentro das limitações narrativas de um Found Footage? não to lembrando... A resposta do spoiler é livre!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Limitações narrativas de um Found Footage se dá ao fato de desse estilo só poder mostrar a realidade que está diante dos personagens, sem espaço pra algo que fuja disso. A cena em questão é um pesadelo/alucinação que um dos personagens tem, mostrando algo totalmente fora da realidade e isso foge bastante da proposta estabelecida e do estilo de uma filmagem documental que procura passar um certo realismo as cenas. Bom, é isso! Abraço!

      Excluir