Crítica: O Exorcismo de Emily Rose (2005) - Sessão do Medo

29 de agosto de 2017

Crítica: O Exorcismo de Emily Rose (2005)


As pessoas dizem que Deus está morto, mas como podem dizer isso se eu os mostrei o Diabo?

Desde que William Friedkin aterrorizou as audiências e marcou para sempre o cinema e o gênero do terror em 1973 com O Exorcista, houve inúmeras tentativas de reproduzir o sucesso do clássico, mas claro sem alcançar tanto êxito. Algumas delas são bem decentes e acima da média, mas foi só um pouco mais de três décadas depois que um filme conseguiu trazer uma abordagem tão interessante e diferente para o tema a ponto de minha pessoa considerá-lo o melhor filme de exorcismo desde O Exorcista.


O Exorcismo de Emily Rose é diretamente baseado no infame caso de Anneliese Michel, jovem alemã que morreu após sua doença ser confundida por possessão por seus pais e padres. Um exorcismo foi realizado mas a moça de 24 anos acabou perecendo por desnutrição e desidratação. Embora o material seja largamente adaptado, há diversas similaridades e é importante comentar aqui.


Nesta produção, Scott Derickson (A Entidade), que também co-assina o roteiro, traz um tratamento inovativo para um filme do gênero, substituindo as cenas genéricas de sustos e assombrações (apesar de ainda haver algumas) pela corte de um tribunal. O próprio terror dá lugar a um drama psicológico muito bem escrito onde o foco não está na personagem título e nos horrores que ela passa, mas sim as consequências de sua morte e na acusação de assassinato do padre que conduziu seu exorcismo.

A advogada de defesa Erin Bruner (Laura Linney) é contratada pela arquidiocese para que o julgamento não seja repercussivo, portanto o recomendado é que o Padre Moore (Tom Wilkinson) não deponha. À medida que monta a defesa do caso de seu cliente e enfrenta o promotor Ethan Thomas (Campbell Scott), Erin, uma cética agnóstica, teme que os relatos do Padre sejam mais do que verdade.

O grande porém de O Exorcismo de Emily Rose está nos detalhes. Como falei, não temos aqui um filme de horror convencional e a história apresentada não é a pura verdade dentro da narrativa. Assim como a personagem da Laura Linney fala em certa cena, não são os fatos. O roteiro escrito por Derickson e Paul Harris Boardman (dois homens com crenças diferentes) acerta ao impôr a ambiguidade e tratar o tema com uma base realista para que o público se sinta no dever de se posicionar do jeito que quer.


Enquanto alguns personagens relatam o que aconteceu à Emily (Jennifer Carpenter), vemos suas cenas como um tipo de flashbacks. Mas eles não são confiáveis pois servem de encenação para as narrações dos personagens e para despistar, também vemos algumas cenas sob o ponto de vista das testemunhas da acusação. Ou seja, a questão remanesce: Emily estava possuída ou não?

A tensão é crescente e bem construída e embora muitos que não viram o filme possa achar que toda essa trama se passando durante o julgamento possa ser chata ou algo do tipo, é totalmente o contrário. Ela é muito imersiva e devo comentar que as cenas que achei mais fracas são justamente as de Emily, embora a Jennifer Carpenter arrebente na interpretação da jovem histérica. Creio que por serem muito expositivas, que vai de contrário ao filme. As cenas que apostam no terror pipoca não funcionam tão bem por terem sido reproduzidas inúmeras vezes no cinema e a esse ponto não impressionam mais.

Em contraponto, as melhores cenas que se inclinam para esse lado são as que acontecem com a protagonista Erin, que como já disse é uma mulher cética, mas que começa a duvidar de suas crenças quando certos eventos parecem afetá-la além do tribunal. Ela é acordada repetidamente de madrugada. Nada físico realmente se manisfesta mas só a incerteza e a falta de algo concreto já é suficiente para sua imaginação rolar solta. "Um, dois, três, quatro, cinco, seis!"


Ainda acho que muita gente subestima este filme. A própria crítica profissional não se impressionou com o filme, mas como um fã de terror digo que é desse tipo de filme que precisamos. Um que seja diferente, ousado e que fuja das comodidades do gênero. Se você já assistiu e não gostou, tire um tempinho e reveja.

Para quem se interessou pela história de Emily (vulgo Anneliese Michel), existe um drama chamado Requiem (2006) que coincidentemente foi lançado na mesma época que este aqui, mas que traz uma abordagem em que a história da moça é contada sob uma base realista, onde vemos que ela sofreu negligência do jeito que o caso foi julgado. 
por Neto Ribeiro

Título Original: The Exorcism of Emily Rose
Ano: 2005
Duração: 119 minutos
Direção: Scott Derickson
Roteiro: Scott Derickson, Paul Harris Boardman
Elenco: Laura Linney, Tom Wilkinson, Cambpell Scott, Jennifer Carpenter, Colm Feore, Joshua Close, Mary Beth Hurt, Henry Czerny, Shohreh Aghdashloo

Um comentário:

  1. Eu AMO esse filme, no tema exorcismo pra mim é o melhor!!!
    As cenas do tribunal são incríveis. Você realmente se sente no júri tendo que avaliar a acusação e a defesa. Filme espetacular!!!!

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