Crítica: O Grito 2 (2006) - Sessão do Medo

8 de agosto de 2017

Crítica: O Grito 2 (2006)


A sequência de O Grito (2004) foi anunciada no mesmo final de semana de estreia dele, onde conseguiu arrematar nada menos que 40 milhões em apenas três dias. É claro que não iam deixar passar a oportunidade, nascia ali uma nova franquia. Takashi Shimizu retornava ao posto de diretor para continuar sua nova versão da história que ele mesmo criou. Como o primeiro filme se manteve muito fiel ao material-base, O Grito 2 surpreende a também seguir o mesmo caminho ao invés de criar sua própria mitologia.

Grande parte do enredo da sequela se baseia ainda no Ju-On (2002). Como comentei na crítica do primeiro, é um filme muito extenso, sem protagonistas definidos cujo foco está na maldição e não inteiramente em suas vítimas, portanto a cada 10 minutos vemos personagens novos e em seguidas eles morrem. O Grito pegou apenas algumas histórias dele, sobrando várias, que foram reaproveitadas aqui em O Grito 2.

Ainda ambientada no Japão, a nova trama é liderada por Aubrey Davis (Amber Tamblyn, O Chamado), a irmã mais nova de Karen (Sarah Michelle Gellar) que vai ao seu amparo ao saber da situação pela mãe. Ao chegar lá, ela encontra uma versão perturbada de sua irmã, paranoica e sem falar nada que tenha sentido. Tudo piora quando Karen aparentemente se suicida. Em choque, Aubrey decide descobrir o que aconteceu à ela pra que fizesse tal coisa, o que a leva a descobrir a maldição de Kayako.


Assim como o anterior, a história não segue de uma forma linear e possui vários subtramas, passados em diferentes tempos. Além do plot da Aubrey e um jornalista Eason (Edison Chen) que a auxilia, também seguimos um grupo de estudantes (adivinhem só, americanas) em Tóquio. Um belo dia, as garotas resolvem desafiar a novata a entrar na casa que dizem ser assombrada (a da Kayako mesmo). Do outro lado do oceano, uma família se muda para um novo apartamento em Chicago e o filho mais novo, Jake (Matthew Knight) logo percebe que há algo de errado.

Eu confesso que gostei de O Grito 2 mais do que de O Grito. Considero um filme um pouco injustiçado tanto pela crítica quanto pelo público, pois quase não consigo ver elogios quando dou uma simples procurada no Google. Revi ambos após assistir pela primeira vez Ju-On e isso me ajudou a ter uma nova visão bem diferente sobre os dois filmes.

O Grito 2 é um filme mais inspirado e talvez mais corajoso que seu antecessor. Enquanto o roteiro do primeiro escrito por Stephen Susco, que retorna também, se atinha aos clichês e comodidades do gênero, até mesmo pelo seu desfecho fru-fru, que vai de desencontro ao corajoso do original. Aqui, há certos chavões que ainda são seguidos, até mesmo cenas copiadas de outros filmes (tanto da franquia quanto fora) como a cena da câmera escura muito parecida com a de Espíritos (2004). Mas a trama como um todo é muito interessante de acompanhar e até mesmo diferente.


A continuação lembra bastante o clima do primeiro, uma vez que a própria Aubrey não soa como uma protagonista, isso dá espaço para os outros plots também terem seu lugar sob a luz e por serem poucos, não soam bagunçados e são explorados na medida certa. O modo como a maldição se espalha também é muito intrigante e tem um valor mais ainda na história, uma vez que passamos o filme inteiro se perguntando como uma família dos Estados Unidos pode estar presenciando tais acontecimentos. O terceiro filme, O Grito 3 (2009), lançado direto em DVD, se passa inteiramente no Ocidente, mas é ruim de doer e é completamente descartável.

O final é impactante sim e é na verdade uma adaptação direta do final de Ju-On que deveria ter acontecido com Karen no remake mas afrouxaram na hora. O fato de o terem incluído aqui faz com que aquele clima de desesperança e de sem saída seja ainda mais eficiente, do jeito que deveria, pois é como a maldição funciona.

Muitos vão discordar do que eu disse, pois tenho consciência que quase ninguém gosta, mas acho ele o melhor da trilogia (que já não é símbolo de qualidade, mas enfim). É uma sequência digna e com uma proposta diferente do primeiro, ainda que apele pra muitos jumpscares e cenas de efeito envolvendo a Kayako.
por Neto Ribeiro

Título Original: The Grudge 2
Ano: 2006
Duração: 102 minutos
Direção: Takashi Shimizu
Roteiro: Stephen Susco
Elenco: Amber Tamblyn, Arielle Kebbel, Jennifer Beals, Edison Chen, Matthew Knight, Sarah Roemer, Sarah Michelle Gellar

3 comentários:

  1. Anônimo8/09/2017

    Realmente essa sequencia é muito boa.
    Uma pena destruirem uma franquia tao legal com dois filmes (uma parte 3 e 4) tao lixo que chega dar vergonha assistir.

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  2. Faz a crítica ilha do mal a sipnose è Boa mas quero ver se vale a pena

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  3. Ju-on e o grito são as minhas franquias favoritas de terror! O Grito 2 é bem melhor que Ju-on 2! Apesar que o final de Ju-on 2 traz uma reviravolta na franquia.

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