Crítica: Os Tomates Assassinos Atacam na França (1992) - Sessão do Medo

6 de agosto de 2017

Crítica: Os Tomates Assassinos Atacam na França (1992)

"A Parte 4 da trilogia dos Tomates". 

Hey pessoal, chegamos ao quarto e último capítulo da saga das frutas mais mortais do mundo, os tomates assassinos. Mais uma vez, o diretor é John De Bello, assim como os roteiristas são ele mais Costa Dillon e J. Stephen Peace. No elenco temos Marc Price e Angela Visser, além do retorno de John Astin e Steve Lundquist como Professor Mortimer Gangreen e Igor, respectivamente. Temos também a pequena participação especial de Rick Rockwell (protagonista de 'Corra que os Tomates Assassinos Vem Aí' e o Jim Richardson de 'O Retorno dos Tomates Assassinos'), aqui como outro personagem. 

Mas, afinal o filme é bom?... Eu não posso responder esse pergunta porque isso vai de cada pessoa, mas se analisado com o resto da franquia, esse é o ponto mais fraco, mas não quer dizer que seja desperdício de tempo. Aliás, a franquia é assumida como algo horrível e debochada, mas mesmo assim tem gente que gosta pelo valor nostálgico ou bizarro que agrega o seu conteúdo.  

O  quarto capítulo começa na França onde algumas execuções estão sendo feitas na guilhotina pelo exército francês... Um tomate foi destruído (tomate normal, não é assassino e muito menos possui rosto). Depois da execução, o general manda buscarem um prisioneiro... Trata-se do Dr. Mortimer Gangreen (John Astin) que ainda está vivo, só Deus sabe como, uma vez que os tomates haviam comido ele no filme anterior.

Eles levam o homem até uma cela onde outro homem bem desajeitado, dito como diretor do presídio, o esperava, nós não vemos o rosto do suposto diretor, apenas a sua silhueta bem estranha.   

Para a surpresa do soldado, o diretor exige que o Gangreen seja libertado imediatamente. Todavia, num pequeno descuido, nós descobrimos que o diretor na verdade são três tomates piratas (Zoltan, Ketchuck e Viper... Tomates do desenho animado) bem feios, positivamente falando, querendo libertar o seu mestre. Os tomates não voam e não possuem mãos de folhas como no filme anterior, aqui eles saem pulando, o que faz bem mais sentido... Eles conseguem fugir da prisão com a ajuda de Igor (Stephen Lundquist) que controlava um balão gigante. E para completar a marmota, Gangreen tem um livro com o segredo que pode dar força aos tomates para que assim ele possa tentar dominar o mundo 'de novo outra vez', livro esse que ele roubara da biblioteca da prisão. 

Aqui nós podemos reparar uma coisa, os tomates falam fluentemente o nosso idioma, além disso, outro fato importante é que as frutas não são considerados perigosas na França, ou seja, não há discriminação com os vermelhinhos, eles podem transitar pela cidade tranquilamente. Temos até uma cena em que um tomate aparece andando de bicicleta.

Em outro local, um turista americano, Michael (Marc Price), está fazendo uma caminhada pela França. Aqui temos mais uma daquelas quebras de quarta parede onde o jovem fala que está fazendo o 'tomates assassinos 4' e que está na França, por isso a sua vida é perfeita. Bem, ele acaba sendo nocauteado por uma bombas de areia jogada por Igor. Uma linda camponesa francesa (Angela Visser), o encontra. 

Gangreen e Igor vão para um museu em forma de castelo que serve de abrigo para a dupla iniciar os seus planos macabros. Segundo o livro roubado, existe uma profecia que se cumprida, pode fazer com que os tomates dominem o mundo junto com Igor e o cientista fugitivo.


"Quando as ruas de Paris se cobrirem de vermelho, então se deterá o fluxo das águas da vida e haverá frio e mortes. O céu de anil se tornará negro como a noite turbulenta. Quando uma chorosa virgem olhar atentamente o submundo... Quando estas quatro coisas estranhas ocorrerem de uma vez. O verdadeiro rei da França voltará como o sol restaurando restaurando da França em sua antiga gloria, E isso, caros senhores, é o fim da nossa história".

Quando os fenômenos descritos na profecia acontecerem, os tomates dominarão o mundo, Igor será o rei da França (Uma vez que as ilustrações do rei do país sejam idênticas a ele) e Gangreen, comandando os tomates, terá o poder completo. E para o cientista conseguir criar o tomate assassino perfeito ele precisa do gene mutante que ele usou apenas uma vez cujo resultado foi a criação de Fuzzy, o tomate bonzinho e peludo que agora é um astro pop. A partir daí, os vilões começam uma busca por Fuzzy para que ele crie essa mais nova arma mortal e fazer a profecia se cumprir.


O acréscimo de uma profecia ao filme, torna o capítulo o mais místico da franquia que embora, na saga como um todo tenha tomates vivos, tomates virando pessoas, e muita baboseira acumulada, sempre teve uma "explicação cientifica" por trás, a questão profética é um conceito inédito e interessante. A trilha sonora também é boa, inclusive tiveram a ótima ideia de trazer a musica original para esse longa a usando num momento muito propício, mas é apenas para dar um valor nostálgico. Como no filme anterior, a musica não causa impacto algum nos tomates.  

O longa também possui uma pequena subtrama envolvendo Marie, a francesa que se encontrou com Michael. A jovem é linda e reclama porque ela não consegue ser como uma francesa típica, gordinha, baixinha, e feia como a sua irmã, Marie (Sim, o mesmo nome). Nesse quesito, o filme abusa da ignorância em descrever a França como um país atrasado que nem conhece a gasolina, mulheres oferecidas e franceses burros que  desconhecem até o seu território, em certos momentos parece até um filme de época. 

Voltando ao filme, durante um passeio por Paris, o casal descobre que existe uma lenda onde a mulher que der cinco passos usando o sapato real, é a rainha da França. A dupla também descobre que o tomate Fuzzy está no território para um concerto, e ele também evoluiu, o tomate peludo fala o nosso idioma, inclusive faz um show cantando e tudo. E é durante o intervalo do show que Fuzzy é sequestrado pelos vilões sem escrúpulos: Gangreen e Igor e seus três tomates assassinos. 

Por causa dos ataques, as pessoas estão voltando a ter medo dos tomates, ao mesmo tempo, as criaturas estão voltando a ter raiva dos humanos, podendo assim, causar uma revolução na França.  

Os vilões extraem o DNA de Fuzzy e o aprisionam numa cela.

Marie e Michael acabam descobrindo o esconderijo de Gangreen e vão até lá junto com um grupo de turistas para passarem despercebidos. Dentro do castelo eles encontram o laboratório de Gangreen e leem a profecia do livro, depois a dupla se separa para procurar por Fuzzy, mas Gangreen tenta matar Michael o jogando no 'porão da morte', e captura Marie aprisionando-a na torre com a escadaria de 900 degraus, essa escadaria vai render cenas bem divertidas envolvendo a tentativa de resgate de Michael para com Fuzzy, que também está preso lá e com a sua donzela francesa... Prestes a morrer, Michael tem uma solução, taca fogo na pagina do roteiro que contém a sua morte, bobo, mas dentro de um filme dos tomates assassinos, faz sentido.

Achando que Marie o traiu, Michael se alista no exército e vai para as trincheiras defender o território francês do avanço dos tomates assassinos, ele pretende se matar durante o ataque, mas antes ele resolve escrever uma carta para Marie e coloca numa galinha. A ave chega até a donzela que junto com Fuzzy planejam sair da sua prisão na masmorra do castelo para impedir a morte do amado. De toda essa história, o ponto negativo mais gritante é o tom de sépia que usam durante toda estádia de Michael no exército. Esse fato se deve porque eles usaram imagens reais da guerra para o confronto dos soldados contra os tomates, e como as filmagens são antigas, para fazer mais sentido, complementaram com cenas na mesma tonalidade.  

O que essa dupla diabólica de vilões não sabem, é que o verdadeiro rei da França (Também interpretado por Steve Lundquist), fora encontrado por Michael nas trincheiras, agora o Louis XVII se une ao protagonista para deter os planos da dupla do mal e os seus capangas, os tomates Ketchuck, Viper e Zoltan, e assim, poder salvar Fuzzy das garras dos vilões. Vendo essa premissa como um todo, dá para notar que a história é muito, muito esquisita, chega a ter a mesma sensação de esquisitice que o primeiro filme. Michael acaba descobrindo que um eclipse vai acontecer fazendo com que a profecia se concretize naquele dia. 

Para piorar a situação, Gangreen prossegue com o seu plano e cria o primeiro tomate atômico, um mostro do tamanho de uma pessoa que cospe fogo e come gente. Essa foi uma ideia bem legal que poderia ser explorada de várias formas divertidas e cômicas, no entanto, da mesma forma que a ideia aparece, ela some quando Michael, numa mistura de coragem com sorte, acaba destruindo o tomatão.     

E aí uma luta entre o bem e o mal começa, temos até uma batalha de espadas entre tomates, enquanto isso, os fenômenos da profecia vão se concretizando. As cenas são legais e bem engraçadinhas. No fim, Louis é declarado rei da França, e por um acaso do destino, Marie veste o calçado da rainha e dá mais de cinco passos com ele, assim, sendo nomeada a rainha do estado francês, vale ressaltar que tinha uma pedrinha dentro do calçado, por isso nenhuma mulher conseguia andar com ele. 

Michael fica triste por achar que ela, por ser rainha, teria que ficar com o rei, ou seja, Louis... Mas a camponesa acaba por escolhe o jovem americano, e os dois se beijam... Amor consolidado pelos aplausos dos franceses que agora estavam completos com o seu rei e rainha assumindo o trono.  E pela primeira vez na franquia, Gangreen não se dá tão mal no final, ele e seus tomates conseguem fugir em um balão, mas, numa daquelas clássicas quebras de quarta parede da franquia, o cientista fala que ainda não havia acabado e que ele ia voltar para tentar dominar o mundo de novo mais uma vez outra vez. Fim.  

"Os Tomates Assassinos Atacam na França" tem vários acertos e erros, como nos filmes anteriores, só que pela primeira vez, o filme não parece ser algo tão descompromissado, mas ao mesmo tempo soa preguiçoso. A película não é tão engraçado como os outros, algumas ideias interessantes possuem um desfecho desinteressante como o caso do grande tomate atômico, em muitos momentos a produção acelera as cenas achando que isso, de alguma forma, é engraçado, mas é bem mais irritante, faz parecer que estavam correndo para a projeção acabar.   O filme também confunde os estereótipos franceses, incluindo referências a comer escargot e questões históricas como a revolução francesa.

Uma coisa que pode incomodar muitos fãs da franquia é a ausência total da equipe do governo dos dois primeiros filmes. Até o terceiro, o paraquedista e Sam Smith apareciam, mas isso não acontece aqui. Um banho de água fria. 

Como pontos positivos, os tomates ganharam mais personalidades e um design bem interessante, diferenciar um tomate do outro deu mais riqueza ao conteúdo, só acho que precisava de bem mais tomates, apenas uns 10 tomates apareceram no filme inteiro alternando entre bons, malvados e figurantes, poderia ter aparecido mais, talvez o filme ficasse menos cansativo e mais divertido. A ideia do tomate atômico foi muito boa, talvez a melhor desde o segundo filme, mas que também poderia ser melhor explorada. Eles foram bem ousados de mudar para a França, dando, só um pouquinho, do ponto de vista dos franceses sobre os tomates... O longa realmente foi filmado na França, com algumas cenas partes em San Diego na Califórnia.  


Pelo conceito inicial, esse capítulo poderia facilmente ser o melhor da franquia, mas caiu em desgraça apelando por soluções fáceis e desinteressantes, porém, deve ganhar os olhos do público devido ao seu valor nostálgico. No final, esse quarto capítulo é o menos divertido dos quatro, contudo completa a franquia que como um todo não é lá uma grande coisa, mas que conseguiu o seu espaço na cultura popular. Nota: 4,5.
Os personagens de Zoltan, Kethuck e Viper são do desenho 'O Ataque dos Tomates Assassino', mas possuem aparências completamente diferentes. Zoltan foi redesenhado com um tapa olho e várias costuras sobre seu corpo, Ketchuck foi refinado como um personagem obeso como sua contraparte do desenho animado, e Viper foi baseado em um personagem semelhante, Fang, outro tomate à base de cobra.

Uma curiosidade sobre esse filme é que ele quebra o padrão das décadas. O primeiro filme foi lançado nos anos 70, o segundo nos anos 80, o terceiro nos anos 90... Esse, foi lançado nos anos 90 também. 

FICHAR TÉCNICA

Titulo original: Killer Tomatoes Eat France.

Titulo brasileiro: Os Tomates Assassinos Atacam na França.

Diretor: John De Bello.

Produção: John De Bello, J. Stephen Peace,

Roetiro: John De Bello, Consta Dillon, J. Stephen Peace.

Elenco: John Astin (Dr. Mortimer Gangreen), Steve Lundquist (Igor/Louis XVII), Marc Price (Michael), Angela Visser (Marie), Rick Rockwell (Capitão Ze).

Sinopse: A trilogia de John DeBello trás como protagonista o ator John Astin. Um malvado professor e seu assistente criam uma nova espécie de tomates, que começam a devorar o país, a França. O filme vem temperado com uma deliciosa e exagerada dose de humor trash.

Por: Michael Kaleel.

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