Crítica: Quarentena (2005) - Sessão do Medo

24 de agosto de 2017

Crítica: Quarentena (2005)


A crítica do Quarentena que eu trago hoje não é do remake americano de [•REC] (2007), depois eu vou tentar escrever sobre ele. Na verdade, o filme aqui em questão é um que pouca gente conhece. Uma produção britânica de baixo orçamento e que saiu direto em DVD nas terras brazucas com esse título, enquanto o título original é Isolation (isolação). Não lembro como o conheci, mas acontece que acabei vendo ele (na verdade é bem fácil achar pelos torrents da vida) e uma forma que eu consegui defini-lo resumidamente foi a seguinte: Alien numa fazenda.

É até uma comparação inusitada mas muito clara quando se assiste o filme. Ambientado numa fazenda (dhã), o enredo acompanha Dan (John Lynch), um fazendeiro cuja propriedade isolada é utilizada por um cientista de uma empresa bovina, através de um acordo financeiro, para colocar seus "experimentos": vacas que sofrem testes genéticos para aumentar a fertilização. Frequentemente, Dan é visitado por sua ex, a veterinária Orla (Essie Davis) e o responsável pelo projeto, John (Marcel Iures), para conferir como andam as coisas. A trama ainda insere um casal de personagens que moram em um trailer e acabam se escondendo na propriedade de John, em fuga do irmão da moça.

O ponto de ignição do filme se dá quando se descobre que há algo de errado com uma das vacas que está grávida. No início, não fica muito claro qual é o erro mas vem ao conhecimento que o problema está no bezerro que iria nascer. Ao fazer uma análise mais completa, os personagens ficam em choque ao descobrir que o próprio bezerro estava "grávido" e os fetos tinham uma estranha formação, com seus esqueletos sendo formados na parte externa do corpo!


Embora tenha suas falhas e não seja excelente, Quarentena é um filme bem honesto. Dá pra notar que ele não é nada pretensioso e com ajuda da boa direção, consegue ser um filme memorável. O roteiro no entanto me incomodou em algumas cenas. Notem que a locação usada é muito, mas muito sinistra. A fotografia, trilha sonora e novamente, direção, contribuem bastante para essa sensação. Mas o roteiro acaba sendo bastante simplista e previsível, desperdiçando oportunidades de criar grandes cenas tensas que deixariam qualquer um agoniado, como uma cena em questão onde Dan precisa entrar em uma poça gigantesca (batendo quase no pescoço) com um tipo de criatura solta por aí. 

Como disse no início do post, é um filme de baixo orçamento, então é de se compreender alguns fatores. Por exemplo, não pode se esperar uma criatura ultra-elaborada como o Xenomorfo do filme de Ridley Scott em uma produção desse nível. Sabendo o que tem em mãos, o diretor Billy O'Brien (Eu Não Sou um Serial Killer) sabe aproveitar algumas cenas e sabe também driblar alguns contratempos e algumas dessas soluções até ajudam, como manter o mistério da aparência da criatura que só vem a dar suas caras por completo (e olhe lá) nos minutos finais. Alguns desses "macetes" incomodam, no entanto, como a tremedeira na câmera quando foca na criatura, para disfarçar os detalhes, além de que o próprio visual dela é apenas um monte de carne e ossos que não tem forma definida.

Apesar disso, é um filme que funciona muito bem e embora não tenha sido um marco no terror e passe despercebido, eu recomendo bastante para os fãs do gênero. Pode não ter alcançado todo o seu potencial mas sabe como criar uma atmosfera de medo num cenário inóspito e estranhamente assustador,  além de contar com boas perfomances, tendo a Essie Davis (The Babadook) e a indicada ao Oscar Ruth Negga (Loving).

por Neto Ribeiro

Título Original: Isolation
Ano: 2005
Duração: 95 minutos
Direção: Billy O'Brien
Roteiro: Billy O'Brien
Elenco: John Lynch, Essie Davis, Ruth Negga, Sean Harris, Marcel Iures

3 comentários:

  1. Onde eu consigo baixar esse filme? Os que eu achei estão com uma qualidade péssima e os torrents estão quebrados. Quarentena 2005 (Isolation) dublado.

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    1. Procura no site yts.ag com o nome em inglês. Só não tem dublado!

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  2. Valeu irmão, vou procurar.

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