Crítica: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999) - Sessão do Medo

3 de setembro de 2017

Crítica: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999)


Eu sempre gostei de filmes de terror de época. Além de ter um charme bastante diferencial e interessante, esse tipo de filmes me passam a sensação de um horror primitivo e se for pra ser sincero, se um dia eu fizer um filme de terror, vou preferir que seja nesse estilo e espero conseguir passar a sensação que eu sinto ao ver um. Nesta semana, a Netflix adicionou de volta A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999), um filme que sempre vi quando era menor mas que não me recordava de muita coisa então pensei que seria bom dar uma revisada para poder escrever algo aqui no blog. Este filme é provavelmente o primeiro dirigido pelo Tim Burton a ser realmente um filme de terror. O diretor, conhecido por suas características góticas, assume uma postura mais violenta ao trazer o lendário cavaleiro decapitado arrancando cabeças pela cidade de Sleepy Hollow.

Quem vê o resultado final do filme nem imagina que a intenção inicial era que ele fosse um filme slasher! Antes mesmo de Burton entrar à bordo, outro diretor pretendia dirigi-lo a partir de um roteiro situado nos dias atuais, mas a Paramount realmente queria um filme "clássico", o que acabou sendo a escolha certa, já que Burton evocou o melhor dos filmes clássicos, citando várias referências para sua visão como os filmes da Hammer.


A história de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça se passa no fim do século 18, na cidade que dá o título ao filme, Sleepy Hollow. Três pessoas são decapitadas em menos de duas semanas, o que causa uma alvoroço na comunidade. Para investigar os assassinatos, Ichabod Crane (Johnny Depp) é enviado de Nova York até a cidadela, onde fica hospedado na casa dos Van Tassels, a família mais rica da cidade - formando uma amizade com a filha deles, Katrina (Christina Ricci).

Sendo um homem da ciência, Ichabod e seus métodos de investigação não acredita quando os habitantes dizem que o culpado pelos assassinatos é o Cavaleiro Sem Cabeça. No entanto, tudo muda quando ele presencia uma das mortes e ele precisa descobrir uma maneira de parar o Cavaleiro. Mas como matar um homem que, segundo as lendas, já está tecnicamente morto?

Partindo dessa premissa, Burton desenvolve um filme de terror que não chega a ser extremamente pesado - as próprias cenas de decapitação envolvem pouco sangue, o que é explicado dentro da narrativa, exceto por algumas - e que traz um pouco daquele clima divertido e estranhamente cômico que ele tem em outras obras. Essas características se destacam em algumas cenas em particular onde olhos saltam das órbitas, remetendo diretamente à Os Fantasmas se Divertem (1988) e Marte Ataca (1996).


O que realmente se destaca é o valor da produção, principalmente a excelente direção de arte, fotografia macabra e também o figurino assinado pela vencedora de múltiplos Oscar, Colleen Atwood, que trabalhou em filmes como Chicago (2002), Sweeney Todd (2008), Alice no País das Maravilhas (2010) e recentemente Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016).

A junção do roteiro competente - embora introduza mais personagens do que realmente consegue trabalhar dentro de sua duração - e a direção excêntrica de Burton resulta num filme todo trabalhado no visual gótico, trazendo boas cenas de suspense como numa em particular onde uma família é atacada pelo Cavaleiro ou o confronto entre os personagens de Depp e Casper Van Dien e o antagonista.

Johnny Depp pré-Jack Sparrow ainda demonstrava um pouco de autenticidade na sua atuação e não entrega uma performance preguiçosa como as que vemos atualmente. Christina Ricci também está ótima. O resto do elenco não se destaca muito, visto que seus personagens estão lá pra morrer mesmo, exceto por Christopher Walken, que aqui interpreta o Cavaleiro com cabeça.

Em sumo, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é uma investida old school lançada numa época onde filmes formulaicos que seguiam o sucesso de Pânico tentavam se destacar entre o público. Foi uma decisão corajosa do estúdio em fazer um filme que homenageasse os precursores do gênero ao invés de optar pelo caminho mais fácil, resultando num filme único e igualmente divertido.
por Neto Ribeiro

Título Original: Sleepy Hollow
Ano: 1999
Duração: 105 minutos
Direção: Tim Burton
Roteiro: Andrew Kevin Walker
Elenco: Johnny Depp, Christina Ricci, Miranda Richardson, Michael Gambon, Casper Van Dien, Jeffrey Jones, Christopher Walken

Um comentário:

  1. Sem dúvidas um dos melhores filmes do Tim Burton,já não sei quantas vezes eu revi esse filme de tão bom que é.

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