Crítica: O Bebê de Rosemary (1968) - Sessão do Medo

24 de setembro de 2017

Crítica: O Bebê de Rosemary (1968)


Como um assíduo fã de filmes de terror, é triste confessar que poucos filmes chegam a me impressionar. Existem sim exemplos que chocam e causam aquela surpresa muito bem vinda e isto não é ruim, mas são poucos os filmes que de fato mexem com você, sacaram? Isso provavelmente é uma das coisas que eu mais sinto falta no gênero e acabo me voltando para os clássicos para procurar uma sensação semelhante à esta. Me preparando para o lançamento de mãe!, novo filme do Darren Aronofsky (Cisne Negro), resolvi rever um dos meus favoritos: O Bebê de Rosemary (1968). Um dos pilares do horror, o filme dirigido por Roman Polanski é baseada no livro de mesmo nome escrito por Ira Levin e traz com maestria uma verdadeira aula de construção de suspense que inspira muitos cineastas até os dias de hoje. Extremamente marcante, o filme chocou as audiências há quase 50 décadas e mesmo depois meio século, ainda consegue chocar e nem parece que o filme envelheceu. Pelo contrário, a experiência é tão impressionante quanto já foi um dia!

Creio que grande parte do favoritismo que tenho por este filme seja por ela abordar um assunto que eu considero, disparado, o mais assustador dentro do gênero e que se bem trabalhado, pode me botar medo mais do que qualquer filme original do James Wan: seitas satânicas. O tema é tão bem trabalhado em O Bebê de Rosemary, utilizando a elaborada mitologia dentro da narrativa ao seu favor, que é impossível não ser fisgado pelos mistérios que a história nos guarda.


O enredo começa com Rosemary Woodhouse (Mia Farrow) e seu marido Guy (John Cassavetes) visitando um apartamento no Edifício Bramford, um prédio antigo mas bem conservado e bem localizado em Nova York. Eles estão prontos para começar uma nova vida, Guy sendo um ator em busca de novas oportunidades e Rosemary esperando engravidar em breve. Apesar dos comentários do seu amigo Hutch (Maurice Evans) avisando sobre o passado conturbado e cheio de eventos macabros, o casal resolve se mudar para o local.

Lá, Rosemary conhece Terry (Angela Dorian), uma ex-viciada em drogas que agora mora com os Castevets, um casal de idosos que a acolheu em sua casa. As coisas tomam um rumo estranho quando, noites depois, Rosemary e Guy descobrem que Terry se jogou do apartamento. É aí que eles conhecem formalmente Minnie (Ruth Gordon) e Roman Castevet (Sidney Blackmer). Roman é um homem educado e inteligente, enquanto Minnie tem um jeito bastante intrometido. Os dois casais então se tornam amigos, principalmente Guy e Roman.


Aos poucos a vida profissional de Guy começa a deslanchar, conseguindo papéis do nada e Rosemary começa a notar detalhes estranhos mas não fala nada. Exemplos? O ator originalmente contratado fica cego do dia para a noite, fazendo com que Guy seja contratado; os Castevets dão à Rosemary um colar com raiz de tannis semelhante ao que Terry usava; às vezes, Rosemary escuta cantos vindo do apartamento deles. Mas as coisas chegam num nível bizarro na noite em que ela e Guy resolvem finalmente conceber o tão sonhado filho. Tomada por um cansaço imenso após provar um mousse deixado por Minnie (e jogado o resto) durante o jantar, Rosemary tem um sonho onde se vê estuprada por uma criatura demoníaca enquanto seu marido, seus vizinhos e mais um grupo de estranhos observam.

Quando desperta, descobre seu corpo com arranhões, justificados por Guy ao revelar que transou com ela mesmo apagada (!). Semanas depois, Rosemary descobre estar grávida. Começa então uma nova fase da vida. Ao invés de ir ao médico recomendado pela amiga, ela começa a se consultar com o médico amigo dos Castevets que é, aliás, um dos mais conhecidos de Nova York, o Dr. Abraham Sapirstein (Ralph Bellamy). Ela começa a ser acompanhada por Minnie, que a serve chás naturais das ervas que ela cultiva na própria horta. Tudo parece estar indo bem mas Rosemary começa a sentir dores horríveis que nunca param e a desconfiança. Com uma breve ajuda de Hutch, Rosemary percebe que está servido como um peão em um assustador jogo que ela não pode controlar.


"Isso não é um sonho! Isso está mesmo acontecendo!"

O fato de O Bebê de Rosemary sempre figurar invejáveis posições em listas de melhores filmes de terror de todos os tempos ou os filmes mais assustadores não é à toa. Roman Polanski realiza aqui sua obra-prima, adaptando a obra de Ira Levin de forma fiel e transformando em um espetáculo de suspense durante um pouco mais de duas horas de duração. É um filme longo e que exige paciência, mas que vale cada minuto.

Como falei no início do post, costumo ser bastante suscetível à ser impressionado por filmes que envolvam seitas. Eu acho interessantes, macabras e intensamente realistas, portanto é fácil me amedrontar se o enredo envolvê-las. O Bebê de Rosemary não chega a assustar, o termo certo não é este, pelo menos para mim. Mas é um filme extremamente eficiente em mexer com você. Assim como a inocente Rosemary se vê presa em um complô demoníaco, o público se vê perdido em meio à tanta paranoia. Os principais fatores a contribuir para isto é a direção de Polanksi e a protagonista Mia Farrow. Na época das gravações, Mia era uma atriz "pequena", conhecida por fazer parte de um show de tv e por ser, até então, esposa de Frank Sinastra, que pediu divórcio enquanto ela filmava o longa. Escrita como uma mulher jovial, dócil, inocente e vinda de família cristã, Rosemary caiu como uma luva em Mia Farrow (ou seria o contrário). Trazendo uma performance sensacional, Mia nos encanta trazendo toda a aflição que sua personagem passa.

Também é muito instigante a forma que a seita é apresentada no filme, de forma cuidadosa e sucinta, nada é revelado antes do momento certo. Isso é bacana também pois cabe ao espectador ir montando as peças pouco a pouco, o que é bem melhor do que tudo jogado na cara de uma vez.


O elenco é completado por John Cassevetes no papel de Guy, sem muitos detalhes a serem comentados; Sidney Blackmer no papel de Roman Castevet - assustador na cena final; e Ruth Gordon como sua esposa Minnie. Gordon, por sua vez, ganhou o Oscar de atriz coadjuvante em 69 pelo filme e não é à toa. Ela realmente se destaca como a vizinha abelhuda de Rosemary, que mesmo em seus momentos mais simpáticos desperta desconfiança do público.

A condução da trama é incrível até chegar nos minutos finais, que é como ver uma bomba explodindo bem em frente dos seus olhos. O desfecho, um dos mais emblemáticos do gênero, é impactante e mesmo você sabendo o que acontece, consegue te chocar de alguma forma. O melhor de tudo é a execução da cena, feita de forma simples e nada expositiva (vide a ausência da aparência do bebê), já que faz sua mente trabalhar para imaginar o que de tão chocante Rosemary viu no bebê.


O filme em si tem muita história por trás, principalmente depois do lançamento. A maior e pior coincidência do destino foi a tragédia que ocorreu com Sharon Tate, atriz e esposa do diretor Polanksi, assassinada por membros da Família Manson em 1969, quando estava grávida. Esta é apenas o mais famoso acontecimento da infame "maldição" do filme. William Castle, produtor, foi internado com falência renal e testemunhas dizem ter ouvido ele gritar "Rosemary, pelo amor de Deus, solte esta faca!" no hospital. Castle disse que realmente ficou com medo de estar sendo perseguido pelo Diabo! Já o Edifício Dakota, que serviu como locação para o Bramford no filme, serviu de palco para o assassinato de John Lennon, em 1980...

Em 2014, a NBC produziu uma minissérie de duas partes, readaptando o livro, com Zoe Saldana no papel de Rosemary. Como falamos na nossa crítica, a minissérie é um desastre, sem suspense e cheia de convencionalidades do gênero, além de fazer a cagada de mostrar o bebê (e ser a coisa mais ridícula do universo!). Para qualquer fã do original, é definitivamente um "passe-longe"!
por Neto Ribeiro

Título Original: Rosemary's Baby
Ano: 1968
Duração: 136 minutos
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski
Elenco: Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy

Um comentário:

  1. ******* Eu gostei mt do filme ☺, só não curti mt o final ? tanto q depois q assisti, mandei pra lixera do meu notebook nem quiz guardar na coleção, o final / eu achava que ela ia conseguir salvar o filho e tal e etc, mas não foi assim, o filho viro um bixo do mau q n entendi ? E ela fk lá na sala cuidando dele no berço juntocom aquelas pessoas doentis qui fizeram td aquilo e fim. 😩😩😩 / odiei o final 😠😠😠 apesar de eu amar e ser colecionador de filmes./ me descupem galera quem é fã desse filme.😢😢

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