Crítica: O Culto de Chucky (2017) - Sessão do Medo

24 de setembro de 2017

Crítica: O Culto de Chucky (2017)

"As vezes é bom ficar em casa na sexta a noite com o seu melhor amigo" - Andy Barclay.

Aqui estamos nós mais uma vez para falar sobre mais um filme do brinquedo assassino, o sétimo capítulo da saga iniciada em 1988. Quatro anos após o lançamento de 'A Maldição de Chucky', 'O Culto de Chucky', chega nas lojas prometendo ser tudo que os fãs querem que seja... É certo dizer que essa franquia é um trabalho de família onde a diversão em fazê-los está acima de qualquer outra coisa. E Chucky, sendo um ícone que é, continua chamando a atenção em cada novo produto seu que é lançado.

O primeiro filme é um marco, ele nos apresenta o boneco bonzinho (Ou 'Cara Legal' como é conhecido no original), um brinquedo que ao mesmo tempo em que parece inofensivo e dócil, é uma maquina de matar cuja a alma do assassino Charles Lee Ray, o Chucky (Brad Dourif), está preso dentro. O segundo e o terceiro filme, mantém o ritmo trazendo Chucky em busca de vingança contra o pequeno Andy (Alex Vincent), o dono original do boneco, e durante essa vingança, muitas mortes vão acontecendo... Assassinatos que passam pelos lugares mais inusitados possíveis, fábrica de bonecos da linha 'Good Guy' (São os bonecos do Chucky), um quartel do exército americano, e até num parque de diversões. Andy também vai ganhando aliados em meio a essa luta, na parte dois ele conta com Kyle, uma jovem problemática que se torna a única chance do garoto em se livrar do boneco. Na parte 3, Andy conta com a ajuda de De Silva, seu par romântico, para salvar o jovem Tyler.

Depois do terceiro capítulo, a franquia tentou se reinventar. Trouxeram para Chucky uma noiva tão louca quanto ele, Tiffany Valentine (Jennifer Tilly). Com a chegada dessa personalidade, o boneco assassino nunca mais fora o mesmo, os seus filmes passaram mais para o lado da comédia e do humor negro, assim, dando boas risadas das situações dos bonecos, especialmente das cenas mais quentes e de quando eles brigam. No entanto, esse capítulo renovou a história do Chucky que em três filmes com praticamente o mesmo conceito, se desgastou.

'O Filho de Chucky' ridiculariza o nosso querido vilão, o torna um palhaço que em nada lembra aquele boneco do primeiro longa, não obstante, o filme caminha em torno de ideias contraditória com a saga e sem qualquer senso de inspiração. O erro foi tão feio que a continuação 'A Maldição de Chucky', trouxe outra história com o boneco assassino, mudando a direção que a franquia estava indo, mas não ignorando os eventos acontecidos.


'A Maldição de Chucky' foi um filme divertido, embora muita gente torça a cara para ele, devemos admitir que ele foi melhor que o filho. E deu uma esperança aos fãs menos exigentes de que a franquia do Chucky pode sair do ridículo que foi deixada com o quinto filme. E como sequência direta da Maldição, chega enfim, 'O Culto de Chucky'.

Don Mancini, é um cara meio louco  perturbado das ideias, ele tem uma mente criativa, disso não há dúvidas, mas como diretor, ele é péssimo. Não presta atenção nos detalhes e muitas vezes ignora acontecimentos dos filmes anteriores, como aconteceu na franquia 'Resident Evil'  de Paul Anderson.

No primeiro filme, quanto mais tempo o Chucky ficava no brinquedo, mais ele corria o risco de ficar preso no boneco para sempre, além disso, o boneco ia se tornando uma pessoa de verdade, percebemos isso com a mudança do Chucky do começo até o final do longa... Esse ponto legal foi ignorado pelos capítulos que se seguiram. Na noiva de Chucky, é descoberto que eles precisavam do amuleto de Damballa que foi enterrado com o Chucky quando fora assassinado na primeira película, nesse sentido... Os rituais que o boneco assassino tentara fazer nos três primeiros filmes, nunca iriam funcionar, uma vez que ele não tinha posse de tal amuleto. No filho de Chucky, o boneco que passou por 4 filmes tentando sair do corpo de boneco, não quer mais ser humano. 

Na maldição, Chucky só quer se vingar, eles mudam um pouco do contexto da morte de Charles, além disso, o boneco que não queria mais deixar de ser boneco, resolve ser uma pessoa outra vez no fim do capítulo. Foi confirmado que a maldição é uma continuação do Filho, apesar disso, não dá para encaixá-lo na franquia seja por motivos de coerência com a história, pelo design do boneco ou pela tecnologia que é mostrada durante a projeção, enfim, como eu disse, Mancini é péssimo nos detalhes.    

É aí que entramos no 'Culto de Chucky', filme esse que trás os personagens dos filmes anteriores numa nova batalha contra o boneco diabólico. O cenário da vez é uma clinica para criminosos insanos, local onde Nica se encontra quatro anos após ter sido acusada de matar a sua família. Depois de todos esses anos, ela sofre vários tratamentos, incluindo o de choque, para se convencer de que Chucky não fez aquele massacre, mas sim ela.

O problema começa quando o Dr. Foley (Michael Therriault) resolve usar um boneco 'Good Guy' para a terapia em grupo. Não demora muito para que mortes aconteçam no local, e Nica passa a acreditar que Chucky está por trás dessas fatalidades.

Nessa película, Chucky está de volta de um jeito nunca visto antes, continua sádico, cruel e sarcástico, mais do que isso, ele faz coisas que em 6 filmes, nunca vimos acontecer. Isso pode dividir os fãs, e muito. Mas, no geral... A produção merece um certo parabéns por inovar e mostrar algo completamente diferente do que foi visto antes. Não espere ver um filme onde um boneco vai para um lugar, sai matando todo mundo e morre no final, é bem mais complexo que isso.

Em todos os momentos em que Andy Barclay (Alex Vincent) aparece, não tenho o que reclamar... Além de nostálgico ver o primeiro sobrevivente ao ataque do Chucky de volta a ativa, a sua evolução é notável. Ele não tem medo e encara de frente o inimigo... Existe duas cenas que preciso comentar, uma envolve ele logo no começo onde é mostrado o lugar que ele vive, as suas coleções de armas e, um artefato muito especial que fica trancado dentro de um cofre. A outra cena envolve ele numa batalha entre a vida e a morte com o inimigo, foi divertido ver aquilo... Acredito que a reação dele é a mesma que muita gente diz quando vê um filme do Chucky, coisas como: "É só um boneco, dá um chute nele e pronto".

Apesar disso, existem algumas incoerências como o fato de um objeto que Andy esconde, chegar até ele sem que ele soubesse o que estava de fato acontecendo no local. É como se ele fizesse algo que por coincidência do destino, funcionou. Mas, ok, é uma coisa que não atrapalha no desfecho da trama.

E por falar em desfecho, que loucura... Posso dizer facilmente que você vai passar metade do filme sem entender nada, mas há um conceito por trás dessas circunstâncias. Particularmente, ainda não sei dizer se gostei ou não, no começo achei ruim, mas vi uns comentários coerentes, revi o filme, e comecei a mudar de opinião. Esse filme é o que mais envolve o psicológico e o surreal, não é algo inédito na franquia, mas aqui está mais explícito.


O culto faz referências a todos os filmes da franquia, consolida a maldição como um filme cujos eventos são depois de 'O Filho de Chucky' e dá um passo para frente na história do Chucky.

As atuações estão ótimas... Preciso ressaltar Fiona Dourif que fez muito mais do que no filme anterior. Jennifer Tilly também está legal, foi uma participação controlada e na medida certa. Eu sou uma pessoa  que vive reclamando para os amigos que depois que Tiffy Valentine entrou na vida de Chucky, a história desandou... Entretanto, a participação dela é até divertida. Brad Dourif continua dando força e fôlego ao Chucky, e também teve que fazer muito mais do que dublar, teve que procurar rotas alternativas de entonação para acompanhar a mudança dessa película, e isso não é nada fácil.

Os personagens novos são até interessantes, entre eles estão: Madeline (Elisabeth Rosen) que matou o seu filho sufocado e fica com o Chucky como se fosse seu bebê. Malcolm (Adam Hurtig), além de ser o par romântico de Nica, ele possui várias personalidades. E o Dr. Foley (Michael Therriault), um médico sem escrúpulos que se aproveita das condições de Nica para assediá-la.  

E quando a produção afirmou que o capítulo seria o mais violento de todos, não estavam brincando. O Culto de Chucky tem umas cenas de morte bem cruéis e cheia de gore. Uma morte em especial faz referência até a um dos assassinatos mais lembrados de 'A Noiva de Chucky'. Mesmo com tudo isso, você não vai se assustar com o Chucky, esse tempo já se foi, aliás, existem cenas bem cômicas, não tem como não rir dos comentários sobre o novo corte de cabelo do Chucky, por exemplo. 

Eu também não posso deixar de falar dos problemas do filme. O mais prejudicial são os bonecos animatrônicos e alguns efeitos de computação gráfica, essa ultima com enfoque numa cena envolvendo vidros caindo do teto. O Chucky não está tão bem fisicamente falando, coisas melhores já foram feitas em filmes anteriores. Em algumas partes parece que o boneco não é o mesmo, num momento ele está gordo, em outro momento ele está sem pescoço, em outro momento ele está com os olhos muito arregalados, enfim... São muitos bonecos diferentes interpretando o mesmo boneco. Outra questão é a segurança da clínica, achei bem fácil a forma de como o boneco transita pelas alas sem qualquer problema, e não há muitos guardas ali. Não existem câmeras no local?... Ok que não tenha no quarto, mas e nos corredores? Também senti falta de algumas cenas que estão no trailer, mas não apareceram no produto final.  

Acredito que o sétimo capítulo de 'O Brinquedo Assassino' irá dividir a opinião dos fãs, e um dos principais fatores para isso é a ousadia. Pessoalmente, achei ele melhor que o filho, e do mesmo nível de 'A Noiva de Chucky', talvez pela inovação na época por trazer uma boneca assassina ao lado do infame 'Good Guy' assassino totalmente deformado, entretanto não achei ele melhor que a maldição. E essa inovação pode ser o tiro no pé desse longa... Para que inovar dessa forma numa história que tinha gás para uma continuação menos mirabolante? Por esses motivos considero esse o segundo pior filme da franquia, atribuo ao filme nota: 6,0.

A sim, não se esqueça da cena pós crédito... Vale a pena ficar até o final para assisti-la, ela dura menos de um minuto, mas é o suficiente para transmitir uma certa ansiedade por um próximo filme. 

Curiosidades:


- Andy tem 35 anos no filme enquanto Nica tem 29.

- É a segunda vez que trazem um ator de volta a franquia que já havia participado de outro filme com um personagem diferente. O primeiro foi Jennifer Tilly que interpretou ela mesma em 'O Filho de Chucky' e também fez Tiffy Valentine de 'A Noiva de Chucky'. O segundo foi Adam Hurtig que fez o oficial Staton em 'A Maldição de Chucky' e o multipolar Malcolm em 'O Culto de Chucky'.

- Par marcar o lançamento do terror, foi vendido nos Estados Unidos um box com os sete longas da franquia, formada por Brinquedo Assassino (1988), Brinquedo Assassino 2 (1990), Brinquedo Assassino 3 (1991), A Noiva de Chucky (1998), O Filho de Chucky, A Maldição de Chucky (2013) e Cult of Chucky (2017).

- Jennifer Tilly filmou suas cenas em apenas seis dias.

- É o primeiro filme do Chucky a mostrar uma cena explícita de sexo.

- As filmagens foram realizadas no Canadá.


FICHA TÉCNICA

Titulo original: Cult of Chucky.

Titulo brasileiro: O Culto de Chucky.

Diretor: Don Mancini.

Produção: David Kirschner, Ogden Gavanski.

Elenco: Brad Dourif (voz de Chucky), Fiona Dourif (Nica Pierce), Alex Vincent (Andy Barclay), Grace Lynn Kung (Claire), Adam Hurtig (Stanton),Summer H. Howell (Alice Pierce), Jennifer Tilly (Tiffany Valentine), Michael Therriault (Dr. Foley).


Sinopse: Presa há quatro anos em um asilo para criminosos insanos, Nica Pierce está erroneamente convencida de que ela, e não Chucky, assassinou toda a sua família. Mas quando seu psiquiatra introduz uma nova “ferramenta” terapêutica para facilitar as sessões em grupo de seus pacientes – um boneco muito familiar com um rosto sorridente inocente – uma série de mortes horríveis começa a atormentar o asilo, e Nica começa a se perguntar se talvez ela não é louca. Andy Barclay, o inimigo agora crescido de Chucky do filme original, parte para ajudar Nica. Mas para salvá-la, ele terá que superar Tiffany (a indicada ao Oscar, a noiva de Chucky, que fará qualquer coisa, não importa quão mortal ou depravada, para ajudar seu amado boneco demoníaco.

Por: Michael Kaleel.