Crítica: O Nevoeiro | 1° Temporada (2017) - Sessão do Medo

29 de setembro de 2017

Crítica: O Nevoeiro | 1° Temporada (2017)


Stephen King é um mestre. Ele sabe como fazer histórias mirabolantes com propostas que fazem pensar e refletir, devemos a ele muita coisa boa que ajudou o cinema de horror com obras inquestionáveis. O primeiro 'Carrie - A Estranha', 'Colheita Maldita', 'O Iluminado', 'It - A Coisa', 'Misery', 'A Hora do Lobisomem', e muitas outras obras.

Entre elas, tem uma em particular que obteve destaque recentemente por ganhar uma série, trata-se de 'O Nevoeiro'. Essa história é baseada num conto do King de 1985 que está presente no livro 'Tripulação de Esqueletos'.

Esse conto já possui um filme de 2007, tal película foi muito bem feita e que faz justo ao conto. Ele contou com a direção de Frank Darabont e com um ótimo elenco composto por: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, entre outros. O longa em si trás uma boa reflexão de como as coisas podem ficar feias rápido quando as regras que compõe a sociedade como a conhecemos, somem. De como pessoas usam a religião de forma destorcida e como as pessoas podem ser tão cruéis quanto as criaturas que estão a espreita na névoa.

Mas, não estamos aqui para falar do filme, não é... Pois bem, a ideia de fazer uma série veio logo após o lançamento do longa metragem, onde os produtores executivos Harvey e Bob Weinstein anunciaram planos para tal projeto. Em 2013, Bob anunciou que começaria a produção dividia em 10 partes com o apoio da Dimension Television. Já em 2015, Christian Torpe foi chamado para roteirizar e em 2016, o canal Spike encomendou o episódio piloto, nesse mesmo ano foi feito um acordo com o canal Spike para exibir toda a série. Houve a escolha do elenco e as filmagens começaram na cidade de Halifax, Nova Escócia onde todos os dez episódios foram produzidos com um orçamento de aproximadamente 23 milhões de dólares. Em julho de 2016 o governo da Nova Escócia anunciou que contribuiria com 5,9 milhões de dólares para a série. O projeto marcou a maior produção de entretenimento já filmada na província canadense. Enfim, depois de todo esse tempo, no dia 22 de junho de 2017, a série é lançada.

A história começa com a vida cotidiana dos moradores de Bridgton, no Maine. O foco principal está em torno da família Copeland onde o patriarca Kevin (Morgan Spector) tenta cuidar dos problemas com a sua mulher, Eve (Alyssa Sutherland) que tem ciúmes da relação entre ele e a filha Alex (Gus Birney), além do fato dela ser demitida da escola por falar sobre sexo com os alunos, e para completar possui uma péssima reputação na cidade devido a forma de como ela curtiu a vida no passado. Alex, é uma garota que adora o pai e não gosta que a mãe seja tão controladora, a única coisa que ela não sabe, é que Kevin não é o verdadeiro pai dela. 


Durante uma festa, o melhor amigo de Alex, o homossexual Adrian Garff, garoto que sofre um forte preconceito com o pai, afirma ter visto Jay Heisel a estuprando enquanto ela dormia. Esse fato gera tensão entre eles, onde Connor Heisel, o pai de Jay e xerife da cidade, defende o filho com unhas e dentes, mesmo achando que ele é culpado, em contra partida, Eve, Adrian e Kevin defendem Alex, não só da família Heisel, mas também dos comentários da população sobre o caso. 

Enquanto isso, um nevoeiro misterioso que corre contra o vento, vai consumindo toda cidade. A história foca, a priori, em três lugares: A prisão, onde Kevin está com Connor, Adrian e mais dois prisioneiros, o misterioso Bryan Hunt que tentara alertar a todos sobre a névoa, e a viciada e assassina Mia Lambert. A igreja onde estão Nathalie Raven, o Padre Romanov, e mais um grupo de pessoas. E um shopping onde estão Eve, Alex, Jay, e outro grupo.

Depois que o nevoeiro chega, a série basicamente se resume na tentativa de Kevin, que está na prisão, chegar até o shopping para ficar com Eve e Alex. E durante esse percurso, ele vai passar pelas mais aterradoras experiências, na medida em que as pessoas vão enlouquecendo. 

Sendo sincero com vocês, eu gostei da série, para mim foi aquele caso de 'É fraco, mas gostei'. Ela é um pouco parada no começo mostrando mais dramalhão digno de novela mexicana do que as coisas que realmente importam. Mas, do meio para o final, ela vai ficando mais dinâmica em sua proposta, apesar dos problemas, e olha que não são poucos. Apesar disso, acho que a série se sai bem como algo despretensioso, coisa que ela não queria ser, o que resultou em seu cancelamento, vou falar sobre isso mais para frente. 

Embora no nevoeiro do filme de 2007 soe muito mais ameaçador e assustador, gostei de como eles representaram o nevoeiro na série, não só com monstros, mas também com o psicológico, é como se a névoa pegasse algo relacionado com você e personificasse isso para matá-lo. O único problema que encontrei sobre isso, é que a névoa, além de não parecer tão ameaçadora assim, não causa impacto com as criaturas (salvo uma cena envolvendo um ataque de uma mariposa), ela não causa impressionismo e nem assusta, coisa que o longa de 2007 soube fazer muito bem. 

Eu entendo que existem infinitos problemas na trama, uma das mais problemáticas gira no hospital onde Kevin e o seu irmão, Mike começam a resolver problemas pessoais envolvendo uma paixonite de Mike por Eve. Uma relação entre Adrian e o valentão do Tyler Denton que depois de um espancamento, de repente vira uma relação sexual (apenas mencionada) entre os dois... Eu sei que 'coisas' acontecem em alguns banheiros públicos, mas frente a situação de emergência em que se encontravam e ter uma relação depois de um espancamento, é doentio demais... Se bem que isso da parte de Adrian é justificado já que o rapaz é um pouco instável (quem viu a série, sabe do que estou falando), mas Tyler aceitar beijar o rapaz todo ensanguentado e naquelas circunstâncias, é forçação de barra.  E a briga entre Bryan com o outro Bryan é estranha, os dois homens estavam ruins, o Bryan que acompanhava Mia, Adrian e Kevin, de péssimo com o tiro que levara na perna, virou um lutador feroz, e de repente o ferimento a bala não faz efeito algum nele. No fim, a sensação que se tem é que o episódio que se concentra dentro do posto de saúde, é só uma enrolação para fazer os dez episódios da série.

Outro problema irritante gira em torno de Alex que fica se questionando o porquê do nevoeiro não tê-la matado... A justificativa é simples, por que se ela morresse, 50% dos problemas dentro do shopping, acabariam. Mesmo assim, Eve fica consolando a filha que fica triste por ter sobrevivido ao ataque das criaturas do nevoeiro enquanto uma garotinha não teve a mesma sorte. E em torno disso, mais conflitos entre o grupo, agora dividido em duas vertentes, uma liderado pelo gerente Gus Bradley que tenta acalmar os ânimos que estão se exaltando, e o outro liderado por Eve que tenta afastar Jay de Alex a todo custo uma vez que os dois começam a se aproximar. 


Os conflitos religiosos fica por conta de Nathalie e do Padre Romanov, onde cada um tem a sua ideologia e tenta passar para os outros do grupo tal crença, fazendo das diferentes ideias uma disputa. E conforme as pessoas vão escolhendo quem seguir, as decisões a serem tomadas vão se tornando absurdas e mortais, no meio disso está o xerife Connor Heisel que além de babaca, se mostra totalmente influenciado por ideias malucas. Embora seja um conceito também interessante, ele é mostrado de forma superficial e nem de perto algum desses religiosos se aproximam da terrível Sra. Carmody do filme de 2007.

A maioria dos atores escalados para o projeto são desconhecidos, e acredito que isso mais tenha ajudado do que atrapalhado, tornou os personagens mais humanos e menos 'hollywoodianos', apesar de eu ter sentido falta de força em algumas atuações como Gus Birney com a sua Alex que não demonstra qualquer tipo de empatia e Morgan Spector que não dá carisma o suficiente com o seu Kevin Copeland, apesar disso melhorar no final.

Os efeitos especiais estão bons e a história tem seus momentos alucinantes, mas há uma falha na exploração de temas que poderiam ser muito interessantes como: O estupro (representados por Alex e Jay), o uso de drogas (representado por Mia), e o preconceito (representado pelo pai de Adrian). São histórias avulsas que não tiveram a atenção devida. 

Para aqueles que querem ver a obra de Stephen King retratada fielmente no programa, vai se decepcionar, a história se desvirtua um pouco da obra original, no geral é um entretenimento morno que dá um ar de 'poderia ter sido melhor', mas ainda sim, não é ruim. Embora inferior ao filme de 2007, ela foi interessante na minha concepção, e também tem as mesmas ideias reflexivas do longa, só que num contexto diferente e mal exploradas, não é uma obra prima, não será um 'Game of Thrones' ou um 'The Walking Dead' da vida, mas vale uma conferida. Nota: 6,0.

Abaixo listei alguns pontos positivos e negativos.

PONTOS POSITIVOS

Como disse acima, a história começa parada e com um ritmo bem lento, mas depois que nos acostumamos com os personagens, o ritmo vai melhorando.

Existe um pouco de imprevisibilidade aqui, pessoas que achamos que vão viver para a próxima temporada, morrem, e pessoas que você acha que vão ser boas, se tornam verdadeiros cretinos (as).  

Diferente do final do filme de 2007 que me deixou com muita raiva (Quem viu, sabe porque), o final dessa versão me deixou satisfeito onde o Kevin fez uma coisa que um ser humano com sede de justiça e com raiva faria sem dúvidas, não é melhor e nem pior, só uma versão diferente. 

PONTOS NEGATIVOS

Foi muito rápido que as pessoas ficaram loucas, o nevoeiro apareceu hoje pela manhã, de tarde já está todo mundo querendo se matar. Acredito que isso poderia ter sido trabalhado melhor.

Não há cuidado nas histórias entre os personagens, algumas coisas foram colocadas na trama só para prolongá-la, nos dando algo que ora é acelerado e ora é arrastado e com alguns diálogos mal escritos. 

Há um enfoque exagerado em Alex... Ela se faz de vítima a série inteira e parece que o nevoeiro, ou o que está nele, tenta matar todo mundo, menos ela. Houveram pelo menos dois momentos em que ela deveria ter morrido, mas sobreviveu simplesmente porque sim.


Foi uma pena a série ter sido cancelada, poderiam fazer uma segunda season com menos episódios e dando ao menos uma conclusão a história, e olha que ainda tinham assuntos que podiam ser exploradas como o projeto 'Ponta de Flecha' que aparentemente é o motivo de tal nevoeiro, situação essa que foi pouco explorada no filme e que podia dar a série uma direção nova, mas isso não vai acontecer. Se tem uma coisa que a pessoa que vos escreve, odeia, é assistir uma série que por algum motivo é cancelada e fica sem uma conclusão. Deveria existir uma regra onde por mais ruim que seja, série precisa concluir a saga iniciada por ela. Teria poupado muita gente de perder tempo com séries como: "O Exterminador do Futuro: Cronicas de Sarah Connor", "V - Visitantes", e claro "O Nevoeiro".

Mas, é assim mesmo, no fim tudo se resumo a lucro, com a pouquíssima audiência e com muitas criticas negativas, a série fechou as portas. Então em meio a tudo isso fica a duvida na cabeça: "Essa série foi necessária?"... A resposta é: Não. Seria mais interessante fazer uma continuação ou um Spinoff do filme de 2007, com todo o dinheiro que usaram para produzir os 10 episódios, podiam ter feito um longa metragem de qualidade. Mas nós não sabemos quais são as intenções dessas empresas em querer fazer uma série com tão pouco assunto para ser abordado.

Bem pessoal, isso é tudo, até a próxima. 

FICHA TÉCNICA 

Titulo original: The Mist.

Titulo brasileiro: O Nevoeiro.

Criador: Christian Torpe.

Produção: Guy J. Louthan, Amanda Segel.

Elenco: Morgan Spector (Kevin Copeland), Alyssa Sutherland (Eve Copeland), Gus Birney (Alex Coepland), Danica Curcic (Mia Lambert), Okezie Morro (Bryan Hunt), Luke Cosgrove (Jay Heisel), Darren Pettie (Connor Heisel), Russell Posner (Adrian Garff), Frances Conroy (Nathalie Raven).

Sinopse: Uma névoa misteriosa envolve lentamente a cidade de Bridgton, no Maine, criando uma barreira de visibilidade quase impenetrável. Os moradores da cidade logo percebem que situação é ainda mais precária quando descobrem que, escondido dentro da névoa, existem numerosos monstros de vários tamanhos que atacam e matam qualquer coisa que se mova.

Por: Michael Kaleel.

3 comentários:

  1. Essa série não é boa, mas consegue entreter - e isso é o que importa.

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  2. Anônimo10/05/2017

    Interpretações da profundidade de um pires. Pior série dos últimos tempos.

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  3. Anônimo10/18/2017

    Você é muito bonzinho em suas críticas. Não só com essa, mas com várias outras vc pega muito leve...
    a Série é muito ruim (tanto que foi cancelada rapidinho), as tramas são sofríveis e alguns (quase todos) personagens são extremamente irritantes.
    Fica como meu Feedback pra vc Michael uma "mão mais firme" na hora de fazer as críticas, sem medo de ser "malvado".

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