Crítica: Willow Creek (2014) - Sessão do Medo

2 de setembro de 2017

Crítica: Willow Creek (2014)


Fala pessoal, estou aqui para falar de outro found footage, dessa vez, produzido em 2013, tendo sido nesse ano a sua primeira exibição no Festival de Cinema Independente de Boston, depois ele foi lançado em 2014 direto para s prateleiras das lojas no formato de DVD.

Dirigido por Bobcat Goldthwait, no elenco estão: Alexie Gilmore e Bryce Johnson como um casal que entra na floresta de Willow Creek, Califórnia, a procura de material para o seu documentário sobre a lenda do Pé-Grande. Bem, mas antes de falar do filme em si, eu quero comentar a respeito de algo que é abordado na película e serve de base para a história, as filmagens de 1967.

Em 1967, Roger Patterson e Robert Gimlin reportaram que no dia 20 de Outubro eles tinham filmado o Pé-Grande, a visualização foi feita em vídeo. Patterson conta que não esperava se deparar com aquele animal. Os dois estavam cavalgando em Bluff Creek, norte da Califórnia, quando os dois cavalos ficaram agitados. Patterson desceu e viu ao longe um animal grande caminhando lentamente, sem pensar duas vezes, pegou a câmera e correu em direção a criatura para registrar, a câmera já estava gravando enquanto ele corria, Patterson ainda diz que chegou a cair com ela ligada dando fim a gravação. Vários testes foram feitos no rolo original e os resultados apontam que não há nada de errado com as filmagens, cientistas também analisaram o vídeo e concluíram que o animal devia pesar em média 300 kg.    


Já, partindo para o filme, localizado no condado de Humboldt, Califórnia, Jim é um rapaz que acredita no lendário Pé-Grande, ele resolve se aventurar na Floresta Nacional Six Rivers no norte da Califórnia em busca do local onde as filmagem envolvendo a suposta aparição da criatura feita em 1967 aconteceu. O rapaz, junto com sua namorada, Kelly, vão para a cidade de Willow Creek, a capital do Pé-Grande, e fazem várias filmagens com os moradores do local relatando histórias envolvendo o Sasquatch na tentativa de fazer o seu próprio documentário... Em meio as entrevistas eles se deparam com todo tipo de pessoa desde as mais crentes quanto as descrentes com relação a existência desse ser. 

Quando eles vão para a floresta, pegam uma estrada de difícil acesso. É interessante notar a relação contraditória entre o casal, enquanto Jim está prestes a realizar um sonho, que é ir ao local das filmagens, Kelly se mostra cética e descrente que possam encontrar algo que comprove a existência da criatura. Isolados no meio da mata, o casal monta acampamento e vai aproveitar o resto do dia. Há um momento em que Jim fica completamente despido para tomar banho num lago... Até entendo o fato de ficar pelado no meio da floresta só com a namorada e tudo mais, o que não entendo é porque a Kelly filmou isso, tem coisas que não precisavam aparecer, enfim, isso é só um pequeno detalhe. Ao voltarem para o acampamento, percebem que as coisas deles foram reviradas por alguma coisa. Apesar da tensão, o casal resolve seguir em frente com o plano e continuam planejando dormir na região. 


Naquela noite somos testemunhas de um pedido de casamento frustrado uma vez que Kelly não aceitou, é uma cena um pouco demorada também, parece que está ali só para preencher um espaço vazio na trama, e esse é um grande problema do filme, esticar situações ao extremo fazendo com que a experiência que devia ser tensa e interessante, fique chata.

Durante a madrugada eles são despertados por sons misteriosos que ecoam através da floresta e vocações que sugerem ser o Pé-Grande, mas nada prova que realmente é a criatura. Os ruídos vão se tornando mais frequentes e parecem estar se aproximando da barraca. O casal fica assustado e decidem abandonar a ideia original de ir até o local das filmagens e resolvem voltar para a cidade ao amanhecer do dia seguinte. No caminho de volta, Jim descobre um fio de cabelo cinzento e ensanguentado que ele acredita ser uma prova da existência do Sasquatch, ele pega a evidência e guarda num saco plástico. 

Eles vagam em círculos através da floresta densa enquanto ouviam os mesmos ruídos que ouviram na noite anterior. A dupla ficou frustrada ao perceberem que estavam perdidos, e para o desespero deles, estava começando a anoitecer... Isso é uma coisa que me incomoda, muitos filmes fazem isso de enfiar um grupo numa floresta, mas pela falta de inteligência deles, não conseguem voltar pelo mesmo caminho em que foram para lá, fazendo eles se perderem e se tornarem um prato cheio para a coisa que quer matá-los, nesse tipo de história, está faltando bastante originalidade. Além disso, alguém me explica como um casal que vai para um lugar relativamente perigoso e hostil não leva nenhum tipo de arma para proteção pessoal?

Enfim, em uma margem do rio muito semelhante à margem das filmagens de Patterson-Gimlin, Jim encontras pegadas enormes no local, ele chama Kelly para mostrar a evidência, mas um ruído fúnebre e irritado ecoa detrás de alguns arbustos que estavam atrás de Kelly que assustada começa a correr, Jim vai atrás dela deixando a barraca e o 'kit sobrevivência' para trás.

À medida que anoitece, eles, confusos e perdidos no escuro, ficam num canto tentando se defender com galhos do quer que esteja na floresta. Ao vaguearem para fugir dos constantes gemidos, Jim e Kelly encontram uma mulher nua com excesso de peso, bem parecida com a mulher do cartaz de desaparecidos que estava pendurado no restaurante, e uma criatura os ataca, matando Jim e depois atacando Kelly, cujos gritos de ajuda são ouvidos à distância. Nós não vemos a morte do rapaz e nem a moça fugindo, na verdade tudo fica subtendido pelos barulhos de Jim que aparentava estar sufocando no próprio sangue e na ultima fala de Kelly: "Eu não acredito nisso".


Para ser mais claro, o destino de Kelly é, em última instância, desconhecido, mas pelo contexto da história, tudo indica que ela foi levada pela criatura para procriar, assim como aconteceu com a mulher que estava desaparecida, e por isso que Jim foi assassinado. O filme termina com três gemidos ecoando pela floresta, indicando que não era apenas uma criatura.

O longa tem cenas que podem causar um interesse do público, mas no geral podemos definir 'Willow Creek' como um filme chato. O começo dele é bem enjoadinho e não trás nada que faça o público se interessar na premissa. A situação melhora quando o casal chega na floresta, mas a cena da barraca, embora dando bons momentos, é ridiculamente longa, é bem uns 15 a 20 minutos vendo a reação do casal ao ouvir os barulhos e gemidos da coisa que está do lado de fora. E para completar, o final deixa mais perguntas do que respostas. É notório a influência do filme A Bruxa de Blair nesse longa metragem, a história é praticamente a mesma, só muda a bruxa pelo Pé-Grande, e justamente por tentar seguir a fórmula do filme de 1999, esse consegue ser um found footage sólido e menos entediante.

Com relação ao tema do Pé-Grande, existem filmes que embora não sejam grande coisa, retratam melhor essa mitologia, o primeiro que vem em minha cabeça é Exits de 2014... Pelo menos esse mostra bastante o que se quer ver.

Em tempos em que os 'arquivos encontrados' está desgastado por filmes como 'Atividade Paranormal', Willow Creek não chega a ser uma porcaria, tem alguns bons momentos e uma tensão legal, mas o diretor e roteirista Bobcat Goldthwait não soube fazer um filme homogênico, fazendo ele oscilar, e muito, entre o interessante e o chato. E no fim, ele peca por não mostrar absolutamente nada que pudesse surpreender, nota: 5,0.

FICHA TÉCNICA

Titulo original: Willow Creek.

Titulo brasileiro: Willow Creek.

Diretor: Bobcat Goldthwait.

Roteiro: Bobcat Goldthwait.

Elenco: Alexie Gilmore (Kelly), Bryce Johnson (Jim), Peter Jason (Forest Ranger).

Sinopse: Jim e sua namorada Kelly estão em Willow Creek, Califórnia, para retraçar os passos dos pesquisadores do Pé-Grande, Patterson e Gimlin, que em 1967, gravaram o mais famoso filme do lendário monstro. Kelly é cética, está apenas interessada em passar tempo com seu namorado entre trabalhos como atriz. Jim, um crente, esperar capturar suas próprias imagens, então sua câmera está sempre gravando.


Vídeo de Patterson completo.


Trailer do filme Willow Creek.
Por: Michael Kaleel.

4 comentários:

  1. Anônimo9/02/2017

    Por favor, faça uma crítica do ótimo found footage o Exército de frankenstein.

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  2. Parece bem ruim... aliás found footages tendem a seguir essa regra. Não entendi o comentário negativo sobre o cara aparecer pelado. Se fosse uma mulher, vc teria reclamado ou aclamado a nudez? Fica a reflexão.

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    1. Com certeza reclamaria, ao meu ver não faz sentido eles se filmarem pelado em um filme que supostamente seria um documentário onde centenas de pessoas veriam... Isso serve tanto para ele como também se fosse ela. Se ao menos tal cena tivesse uma contexto, tipo, ela filmando pelo celular dela... Teria mais sentido.

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    2. Eu até curto esse filme. Sobre o teu comentário sobre a cena de nudez, eu entendi o que você quis dizer. É que, hoje em dia, tudo vira motivo para polêmica, para guerra dos sexos, para preconceito...enfim, não está fácil se expressar atualmente.

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