Crítica: 1922 (2017) - Sessão do Medo

25 de outubro de 2017

Crítica: 1922 (2017)


A sexta adaptação de Stephen King neste ano foi 1922, baseada num conto de mesmo nome presente no livro "Escuridão Total, Sem Estrelas". Assim como Jogo Perigoso, 1922 foi lançado pela Netflix, mas ao contrário dele, não teve muita divulgação (nem chegou a ter um cartaz oficial previamente liberado), o que particularmente acho ser um absurdo pois o serviço geralmente faz isso com alguns filmes e eles acabam sendo passados para trás, ficando "empoeirados na prateleira". Talvez este seja o destino de 1922, o que é uma pena, visto que é um filme muito interessante.

Mesmo com It - A Coisa e Jogo Perigoso, King revelou que 1922 é sua adaptação favorita deste ano. Provavelmente, não é a melhor, visto que os dois filmes supracitados são excelentes mas ainda assim, é um filme que merece sua atenção. Também é um filme que provavelmente não vai agradar a todos, pois algumas de suas falhas podem incomodar, mas é um bem decente.


A trama se passa no ano-título, onde o fazendeiro Wilfred (Thomas Jane, que estrelou o filme O Nevoeiro) descobre que sua esposa, Arlette (Molly Parker), a herdeira das terras em que vive e planta, quer vendê-las para se mudar para a cidade. Wilfred convence o seu filho de 14 anos Henry (Dylan Schmid, surpreendente bem) a participar do plano de assassinato da mulher, impedindo assim as mudanças drásticas que a venda teria na vida dos dois.

Wilf, como é chamado, enterra o corpo da esposa no poço e consegue despistar as suspeitas, principalmente por conta da história se passar numa época onde os recursos tecnológicos que temos hoje para ajudar na investigação de um crime não existiam. No entanto, com o passar do tempo, Wilf começa a notar as consequências do que fez.

Como falei, 1922 é um filme bastante interessante. Na verdade, é um conto bastante interessante. Não o li ainda mas é notável aonde King queria chegar com ele. É uma história sobre culpa, impunidade, sobre o valor das coisas e sobre ações impremeditadas. No final das contas, é uma forma poética e macabra de se falar sobre os temas e particularmente é genial.


King sabe muito bem construir personagens e Wilf, interpretado pelo Thomas Jane na que seja talvez sua melhor atuação da carreira, não faz feio aqui no filme. O personagem é introduzido em algum ponto do futuro, onde ele escreve uma carta de confissão e narra os eventos de 1922, o ano em que ele assassinou sua esposa. É muito interessante acompanhar o crescimento dele em tela e sem dúvidas foi uma das coisas que eu mais gostei nesta produção.

O filme, no entanto, falha em adaptar o conto em um longa-metragem, onde em alguns momentos a história assume um ritmo lento onde deveria seguir o embalo dos eventos anteriores. A falta de ação é sentida pelo público, embora seja normal achar que aquilo que esteja vendo é necessário para a construção da história. A passagem de tempo é feita de maneira um pouco brusca, embora a narração de Wilf ajude a amenizar o efeito.


Se não fosse por isso, que basicamente ocorre no meio da projeção, 1922 poderia ser uma das melhores adaptações de Stephen King já feitas. Não que seja ruim, mas fica ofuscada por outras melhores, principais as já lançadas neste ano. A direção do australiano Zak Hilditch não poderia ser mais correta e com ela, o filme absorve todo o tom melancólico e sombrio que deve ter. Algumas escolhas dele são excelentes e só aprimoram a construção do suspense. Se um diretor menos preparado dirigisse, provavelmente a imagem dos ratos não seria tão assustadora. Auxiliando-o, ainda temos uma bela e soturna fotografia que ajuda no clima frio do filme, e uma trilha sonora sensacional assinada por Mike Patton do Faith No More. A trilha é pesada e arrepiante, um dos maiores acertos.

Eu mudaria uma coisa no final, um detalhe que eu achei desnecessariamente expositório e que poderia ter sido feito de forma mais discreta - eu excluiria a mostra de certos personagens e deixaria apenas o áudio. Não vou entrar em detalhes mas quem viu deve entender. De resto, achei 1922 um filme bastante atmosférico e que mesmo com algumas falhas, entrega uma boa história de fantasmas feita no modo clássico, sem jumpscares gratuitos; uma experiência bem inquietante.
Título Original: 1922
Ano: 2017
Duração: 102 minutos
Direção: Zak Hilditch
Roteiro: Zak Hilditch
Elenco: Thomas Jane, Molly Parker, Neal McDonough, Brian d’Arcy James, Dylan Schmid, Kaitlyn Bernard



Description: Rating: 3.5 out of 5

4 comentários:

  1. Postagem massa, cara. Fiquei muito curioso quando me deparei com mais uma adaptação de King aos cinemas este ano. Valha-me Deus! Esse homem deveria ser premiado! É livro demais! Filme demais. Kkkkkkkkk.

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    1. Valeu, R! Pois é, pra mim quanto mais Stephen King melhor!

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  2. Acabei de vê e achei um bom conto em se tratando do mestre King. Gostei muito da fotografia, da ambientação e dos figurinos. As atuações n achei nada demais tirando a do Thomas Jane que foi ótima. 1922 É um bom filme de drama misturado com terror psicológico. mas nada além disso. O final então achei fraco e poderia ter sido mais elaborado. O que mais gostei foram os efeitos e as cenas com os ratos que foram bem feitas. Minha nota é 7,0.

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  3. Assisti e concordo com você em quase tudo, porque curti muito os personagens estarem em cena, mas é porque amo o estilo de maquiagem que foi usado (tentei não dar spoiler) kkk bom filme, é legal pra assistir, é visualmente bonito, bem legal

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