Crítica: A Babá (2017) - Sessão do Medo

14 de outubro de 2017

Crítica: A Babá (2017)


Chegou nas plataformas mundiais da Netflix nesta sexta-feira 13, o filme A Babá (The Babysitter), dirigido por McG (As Panteras). Lembro-me de quando o projeto foi anunciado há dois anos, quando ainda seria produzido pela New Line Cinema e distribuído nos cinemas - mas foi vendido para o serviço de streaming. Antes de começar de fato a falar sobre o filme, gostaria de comentar sobre algo que venho percebendo há um bom tempo e que irei decorrer mais detalhadamente no artigo sobre slashers que postarei em algumas semanas. Parece que estamos testemunhando um retorno silencioso do gênero mas de uma forma diferente. As últimas tentativas de ressuscitar os slashers vem sido feitas com um tom de humor. Exemplos? Você É O Próximo (2011), Girlhouse (2015), Terror nos Bastidores (2016), Scare Campaign (2016), A Morte Te Dá Parabéns (2017), entre outros. Será esta uma forma acessível de reintroduzir os slashers para o novo público depois da extrema saturação na década passada?

A Babá se encaixa nesses quesitos que apresentei. Embora tenha elementos de slasher, temos um forte humor presente na narrativa que sem dúvidas lhe arrancará risadas. Mas isso não quer dizer que o filme não se leve a sério. Na verdade, ele entrega uma diversão descompromissada e muito válida. Sem muitos esforços, o roteiro de Brian Duffield (Insurgente), que apareceu na Blacklist de 2014 - uma lista anual de novos roteiros à venda - flui naturalmente entregando personagens carismáticos e apesar de uma estética "super cool" com letreiros e trilha sonora "cult" já batida, consegue ser um terrir dos decentes e mais um acerto da Netflix, que convenhamos, vem entregando alguns trabalhos bem medianos ultimamente.


A trama remete às filmes oitentistas embora se passe nos dias atuais e traz Cole (o talentoso Judah Lewis), um garoto de 12 anos que não tem muitos amigos além de sua vizinha Melanie (Emily Alyn Lind) e sua maravilhosa babá Bee (Samara Weaving). Com seus pais viajando pelo fim de semana, ele fica sob os cuidados de Bee. Certa noite, ele resolve espiar o que ela anda fazendo após ele ir "dormir". Do canto da escada, ele vê que ela está jogando o jogo da garrafa com cinco amigos: Allison (Bella Thorne), Max (Robbie Amell), Sonya (Hana Mae Lee), John (Andrew Bachelor) e Samuel (Doug Haley).

As coisas ficam violentas quando Bee assassina Samuel e em seguida serve o sangue, revelando fazer parte, junto com seus amigos, de um culto satânico que precisa de sacrifício para realizar o que eles querem. Cole tenta enrolar mas é descoberto e vira o alvo principal do grupo, que tenta matar o garoto para manter o segredo a salvo e completar o sacrifício!


Sem enrolações ou nada do tipo, o filme vai direto ao ponto, mas não esquece de introduzir de forma correta seus personagens, os elementos que serão usada ao longo da narrativa e claro, utilizando um humor muito bem vindo e bem colocado. A Babá não é um filme pra assustar, é um filme pra divertir e ele faz isso muito bem. Com doses generosas de gore e cenas criativas (cuja algumas infelizmente deram as caras no trailer), o filme é ágil como um desse gênero deve ser e por isso pode ter certeza que não se sentirá entediado em nenhum momento.

Sei que muita gente se preocupa com comédias de terror, há aqueles que provavelmente prefeririam que o filme fosse apenas terror, mas o humor é bem usado no filme já que todo seu espírito trash oitentista sustenta bom contraste entre a violência e as piadas. Não vou mentir, gargalhei em vários momentos. E por incrível que pareça, algumas das melhores cenas são protagonizadas pela Bella Thorne. Sim! Ela mesma! Sua personagem tem as falas mais engraçadas do filme.

O elenco de apoio também não está mal, até por que creio que seus desempenhos correspondem ao tempo de tela que cada um tem, juntamente com a escrita de seus personagens. Os destaques são Robbie Amell, que traz sua própria personificação do Patrick Bateman de Psicopata Americano (2000) e Emily Alyn Lind, que fazia a jovem Amanda Clarke em Revenge.


Quais são os contras? Como podem ver a nota abaixo, eu adorei o filme então meus contras serão bem menores dos que o acharam mediano ou algo do tipo, mas ainda contam. Como falei no início, essa estética retrô é bacana pro filme mas outra estética presente é uma semelhante à trazida em Scott Pilgrim e outros filmes que o seguiram, com textos de reação na tela soa ultrapassada o bastante para incomodar. Os amigos de Bee mereciam ser mais explorados, alguns encontram seu fim cedo demais - e alguns desses fins são expostos descaradamente no trailer (poderiam ter montado algo mais discreto, não?). Embora em filmes desse tipo, é normal ter alguns furos, como que nenhum vizinho da rua ouviu o que tava acontecendo? Gritaria, tiros e viaturas a noite inteira!

Apesar dessas coisas, A Babá é uma grata surpresa, entretenimento puro e que ainda traz a performance impressionante de Judah Lewis e o cativante carisma de Samara Weaving (que também estrela o inédito Mayhem com Steven Yeun). Vão assistir pensando nisso pois é exatamente o que vocês receberão!
por Neto Ribeiro

Título Original: The Babysitter
Ano: 2017
Duração: 85 minutos
Direção: McG
Roteiro: Brian Duffield
Elenco: Samara Weaving, Judah Lewis, Bella Thorne, Robbie Amell, Hana Mae Lee, Andrew Bachelor, Emily Alyn Lind, Leslie Bibb, Ken Marino

7 comentários:

  1. Faz a crítica a morte te dá parabéns

    ResponderExcluir
  2. gostei do filme só achei a dublagem muito ruim recomendo assistirem legendado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    2. Olá!

      Já temos a crítica de "A Morte te Dá Parabéns" :)

      Eu acabei assistindo "A Babá" dublado e realmente n me agradou. A dublagem nesse caso tirou a graça das piadas! :/

      Excluir
    3. Também não curti a dublagem. Ficou muito sem graça. Vou assistir de novo legendado haha

      Excluir
  3. Um verdadeiro slasher, com ótimas doses de humor e muito gore. Clichê como a maioria dos filmes desses gênero,trazendo o garoto que sofre bullying e resolve dar um fim na humilhação,a bonitona que esconde uma ameaça em seu rosto angelical, o grupo de jovens inconsequentes a procura de diversão,o ambiente isolado do mundo que se cria. No mais, remete a busca incessante do adolescente querer provar que não é mais criança e sabe lidar com tudo sozinho. Tem uma trama boa, apesar de que a motivação dos personagens não é lá aquelas coisas,afinal essa história de pacto não convenceu muito, pois foi pouco explorado (me pareceu que o diretor estava com medo de mexer com o sobrenatural e optou por algo mais genérico e com detalhes limitados). Por fim, diverte mais do que assista, com aquelas cenas com armadilhas que fariam Macaulay Culkin repensar seu personagem em Esqueceram de mim.

    ResponderExcluir
  4. Eu gostei, achei ótimo; o roteiro não é nada digno de oscar mas diverte bastante e de fato, é um bom entretenimento e que não entedia

    ResponderExcluir