Crítica: A Morte Te Dá Parabéns (2017) - Sessão do Medo

14 de outubro de 2017

Crítica: A Morte Te Dá Parabéns (2017)


"Hoje é o 1° dia do resto da sua vida"

Quando se fala em slasher logo nos vem à cabeça o nomezinho Wes Craven, responsável por dar um frescor ao subgênero usando a metalinguagem em sua narrativa. Mas nós sabemos que muito antes disso o público já se assustava com "O Massacre da Serra-Elétrica" (1974), "Halloween" (1978), "Sexta-Feira 13" (1980), "Dia dos Namorados Macabro" (1981) e uma infinidade de filmes e seus assassinos mascarados.

Com a entrada dos anos 2000 percebemos que houve uma leva grande de sátiras do terror, desde a franquia "Todo Mundo em Pânico" aos mais recentes "Terror nos Bastidores", "Freaks of Nature" e "Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi", ambos lançados em 2015.

Eis que chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 12 de outubro, "A Morte te Dá Parabéns", um dos filmes mais aguardados por mim. Vamos combinar que estávamos precisando de algo assim em meio a tantos títulos sobre possessão e spin-off's infinitos da franquia "Invocação do Mal". O longa é dirigido e roteirizado por Christopher B. Landon, que atua no cinema como produtor, diretor e escritor, sendo responsável pelo divertido "Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi", e tendo roteirizado alguns capítulos da franquia "Atividade Paranormal".


A trama segue Tree (Jessica Rothe), uma jovem que acaba sendo assassinada no dia de seu aniversário e por algum motivo fica presa no tempo, tendo que reviver o mesmo dia, o que a leva a tentar descobrir quem foi seu assassino, e assim quem sabe, ter a chance de sobreviver.

Como um bom slasher nós temos um assassino mascarado, cenas de suspense e perseguição. E apesar das poucas mortes (a maioria em off-screan) acho que se encaixa nesse subgênero. Em contrapartida não nos é apresentado uma final girl exemplar, doce ou algo do tipo. A protagonista interpretada por Jessica Rothe é uma verdadeira bitch, com o perdão da palavra. A mesma é membro de uma das irmandade mais populares da faculdade, e daí você tira. A moça é extremamente fútil, não vale um tostão furado e nos deixa com raiva durante boa parte do tempo. Não só ela, mas há outra personagem INSUPORTÁVEL, a Danielle (Rachel Matthews) responsável por alguns momentos engraçados da história.

Devo dizer que a direção e roteiro casaram muito bem, pois juntos não deixam que em nenhum momento o "déjà vu" infinito de Tree canse o espectador. À cada volta no tempo nos vemos envolvidos com a personagem, a ponto de ficarmos confusos como ela, nos sentindo presos naquele pesadelo sem fim. Há momentos em que a protagonista investiga o seu assassinato em busca de saber a identidade do criminoso, momentos esses que nos rendem algumas gargalhadas e que poderiam ter durado mais. Como o próprio título e trailer sugerem, o fator humor está presente a todo o momento, sendo primordial para a história fluir tão bem. Os clichês que conhecemos estão presentes aqui sim. Você fica: "ah, eu já vi isso antes!", mas e daí? A intenção é justamente essa. Inclusive Landon brinca com os estereótipos de uma maneira legal. É tudo uma grande brincadeira.


Outro ponto que me fez gostar muito da história é que ao mesmo tempo em que se trata de pura diversão, tem umas pitadas de drama e uma certa "explicação" do porquê a Tree ser tão bitch, digamos assim. 

Devo frisar que ao mesmo tempo em que o roteiro me agrada, ele me deixa com a pulga atrás da orelha, pois há um plot-twist na trama que provavelmente não vai agradar à todos por soar fraco/bobo, e ter sido revelado de uma maneira meio corriqueira. Não sei se essa foi a melhor opção a ser seguida, mas ainda sim acredito que ele foi pensado justamente em cima dos clichês de filmes nesse estilo.
  
O elenco por sua vez não faz feio. O quarteto de atores Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine e Rachel Matthews é bem carismático, e entrega atuações convincentes e harmoniosas. A ambientação, mais precisamente o Campus remete muito à clássicos como "Lenda Urbana" (1998), e "Pânico" (1996). Acho que deveria ter sido melhor utilizada. A trilha sonora é muito boa. Oscila entre músicas pop, como "Confident" da cantora Demi Lovato, nas partes divertidas, mas para gerar tensão e suspense conta com uns instrumentais ótimos.


Landon como bom consumidor dessa cultura faz uma referência legal ao John Carpenter. No quarto da personagem Carter há um pôster de "Eles Vivem" (1988), filme de grande sucesso do diretor. De quebra temos cenas de perseguição num hospital que lembram "Halloween 2 - O Pesadelo Continua" (1981), apesar desse segundo capítulo não ter sido dirigido por Carpenter.

Eu poderia dizer que o longa é uma versão terrir de "Antes Que Eu Vá" (2017), mas daí lembro que "Feitiço no Tempo" (1993) veio muito antes. Inclusive o filme é mencionado em um dos diálogos, o que deixa claro a intenção do diretor.

"A Morte Te Dá Parabéns" foi um grande acerto da Blumhouse em parceria com a Universal Pictures, e espero que invistam em mais produtos assim. Inclusive a sessão que eu fui estava quase lotada! O que nos leva a crer que ainda há público para o bom e velho slasher. Eu não vou dizer que seja indispensável assisti-lo no cinema, mas se você for fã desse estilo e ir com a mente aberta sabendo que tudo não passa de uma grande brincadeira, vai sair satisfeito. É divertido pra caramba e deixa um gostinho de quero mais.

Título Original: Happy Death Day
Ano: 2017
Duração: 96 minutos
Direção: Christopher B. Landon
Roteiro: Christopher B. Landon
Elenco: Jessica Rothe, Billy Slaughter, Charles Aitken, Israel Broussard, James Miller, Jason Bayle, Rachel Matthews, Ruby Modine

13 comentários:

  1. Mas essa carinha dele é engraçada.

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    1. É sim, Mel. Mas ao mesmo tempo esse olhar fixo me deixa incomodada! haha

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  2. tô tão feliz vendo todas as criticas positivas saindo sobre esse filme.
    ainda não pude ir vê-lo no cine, mas quero muito conferir essa obra.
    tbm era/é um dos filmes mais esperados por mim do ano.
    vc escreve tão beeem Lu, neto tbm. adoro vcs! <3

    um beijo de blogueira de entretenimento (eu) para blogueira de entretenimento <3

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    1. Olá, Niedja!

      Fico muito feliz de que goste do que eu escrevo. É uma honra haha
      Ah eu espero muito que vc goste do filme tanto quanto eu!

      O seu blog é sobre que conteúdo? Quero conhecer!

      Beijão <3

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  3. Oie Lu Maravilhosa.
    O blog onde atualmente estou colunando é o Fala Berenice (http://www.falaberenice.com/), onde assino as colunas "Cinema e TV" e "Interessante" junto com os demais da equipe.
    meus ultimos posts estão no topo da coluna "Cinema e TV", onde dissertei sobre as series "When We Rise" e "Skam" (ja assistiu? recomendo!). dá uma conferida.

    Beijão, lindona <3

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    1. Opa, vou começar a frequentar o seu site. Obg pelo link e desculpe a demora haha

      Beijão, querida! :* <3

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  4. Anônimo10/28/2017

    Assisti esse filme, Ameeeeeeeei, filme digno de uma continuação.

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    1. Uhulll, ainda bem que amou!

      Ah seria legal uma nova vítima presa no tempo tentando evitar o seu assassinato, mas teria que ser algo muito bem feitinho, né?

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  5. Respostas
    1. Wagner, n tinha reparado, mas pior que parece mesmo kkkkk :P

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    2. siiim, é mesmo. killer fofinho ele rs

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  6. Uma homenagem aos slashers dos anos 80 e também da franquia Pânico. A violência aqui ficou moderada por conta da censura e isso estragou muito. A aparição do assassino é telegrafada demais. Aqui nota-se a falta de experiência do diretor com o gênero. A Jessica Rothe, que faz a Tree, mandou bem com suas expressões faciais, demonstrou mais talento que o filme precisa .O confronto final n gostei, é bem abaixo do esperado e ele n faz jus a toda antecipação que foi criada. "Happy Death Day" tinha tudo pra ser um clássico genérico se tivesse tido mais violência e uma direção mais cascuda e conhecedora do gênero. O filme n é ruim, é divertido e dá pra passar o tempo sem problema.

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