Crítica: Stranger Things | 1ª Temporada (2016) - Sessão do Medo

29 de outubro de 2017

Crítica: Stranger Things | 1ª Temporada (2016)


Eu sei. Estou um ano e meio atrasado com esta crítica. Não me lembro o motivo mas deixei passar quando Stranger Things estreou e o texto acabou ficando engavetado. Mas recentemente revi a primeira temporada, preparando-me para a estreia da segunda que será nesta sexta (27) e pensei "agora vai!". Talvez um problema que acabei me deparando ao tentar escrever esta crítica foi "O que dizer de Stranger Things que já não foi dito?". É difícil, não é? Muita coisa aqui vai chover no molhado mas o que dizer quando Stranger Things ser um dos maiores acertos televisivos dos últimos anos é basicamente um consenso?

Lembro-me exatamente como se fosse ontem. Um dia antes da estreia, ninguém conhecia muito bem ela, embora o trailer tenha sido bastante divulgado. No final de semana que se seguiria (no mês, pra ser mais exato), todos falavam de Stranger Things. Foi realmente uma febre, o que logo generalizou um hype gigantesco. Felizmente, eu conferi a série logo na semana de estreia e adorei bastante. Prestes a rever, me perguntei se gostaria do mesmo jeito da primeira vez. Afinal, seria produto do hype ou o show não passaria no teste da 2ª vez? Mas é claro que passaria! Fiquei muito feliz ao ver que Stranger Things não é uma série com data de validade.


Criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, Stranger Things é um inspirado throwback aos anos 80 lotado de referências, que embora sejam importantíssimas para estabelecer um clima de nostalgia que é sentido até por aqueles que não vivenciaram aquela década, não são usadas de estepes para a construção de uma narrativa sinistra, divertida, intrigante e original.

Situada na cidade fictícia de Hawkins, Indiana, no ano de 1983, a trama se inicia com o desaparecimento de Will Byers (Noah Schnapp). Ao acordar no dia seguinte e notar a ausência do garoto, sua mãe Joyce (Winona Ryder) e seu irmão Jonathan (Charlie Heaton) vão até o xerife da cidade, Hopper (David Harbour) para que ele tome as providências. As buscas inacabáveis são frustrantes pois não há sinal do garoto. Seus melhores amigos, Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) resolvem iniciar sua própria busca de Will mas acabam achando algo bem diferente: uma garota de cabeça raspada e que sabe falar pouquíssimas palavras.

Sem nome, a menina se refere a si mesma pelo número Onze/Eleven (Millie Bobby Brown), pois isso é o que tem tatuado no seu pulso. A garota fugiu do Laboratório Hawkins, uma grande instituição localizada na cidade onde conduzem alguns experimentos - e ela era um deles. Eleven tem certos dons telecinéticos e está se escondendo dos "homens maus". Mike resolve ajudá-la abrigando no porão de sua casa mas logo descobre que ela pode ajudá-los a encontrar Will. Mas isso é só a ponta do iceberg. Devido a um acidente no laboratório, algo foi liberado. Uma criatura que está caçando em Hawkins e que está ligada ao desaparecimento de Will.


O que fez Stranger Things um sucesso é uma soma de vários fatores, vários acertos. Primeiramente: elenco. Não é a toa que os responsáveis pelo casting ganharam um Emmy pelo seu trabalho. Dá pra imaginar essa série com outro elenco? O quarteto de crianças formado por Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo e Caleb McLaughlin tem um carisma indescritível e são bastante confortáveis com seus papéis, tornando suas participações extremamente naturais. Bobby Brown e Wolfhard, os destaques mirins da temporada, entregam ótimas atuações para suas idades e foram as grandes revelações do ano. Wolfhard viria a estrelar It - A Coisa (2017) no papel de Richie, o boca suja do grupo.

Fora da parte infantil, ainda temos a maravilhosa Winona Ryder voltando com tudo e outra revelação, o David Harbour, que embora tenha trabalhado por mais de uma década em Hollywood, nunca chegou a ser tão reconhecido quanto neste papel. Os dois também estão incríveis, principalmente Winona e é muito gratificante ver uma atriz tão talentosa de volta, visto que sua carreira andou numa baixa nos últimos anos. Muitos criticam sua atuação na série, considerando-a exagerada mas ela faz apenas o que sua personagem pede, uma mãe desesperada para encontrar seu filho e que percebe que ele está nas mãos de algo sobrenatural!


Segundo: o visual oitentista e a influência da cultura pop. Como falei anteriormente, o valor da produção é tão alto que mesmo aqueles que não viveram os anos 80 sentem um pouco de nostalgia ao ver a reprodução detalhada daquela época. As vestimentas dos personagens, o cabelo, os produtos/brinquedos, a trilha sonora, tudo num pacote só. Eu pessoalmente odeio quando filmes ou séries se passam em outra década mas a caracterização é tão pobre que não passa uma confiança do tipo e felizmente não é o caso de Stranger Things. Some isso com as diversas referências, dentro da narrativa e também na própria história, à filmes clássicos como Alien (1979), Poltergeist (1982), E.T. (1982), Os Goonies (1985), A Hora do Pesadelo (1984), entre outros muitos outros.

Terceiro: a fórmula viciante. Stranger Things é um produto de entretenimento da melhor qualidade e tem todos os elementos para ser tal coisa. Por ter uma trama ágil e bastante intrigante, é muito fácil maratonar a série em apenas um dia. Muita coisa contribui para isso, o desenrolar da trama, o destino de Will, os segredos do laboratório Hawkins e claro, a parceria da criançada.


Assim como Stranger Things usa e abusa da cultura pop, o próprio show virou um novo ícone da tal. E na verdade não tinha como não ser. Bebendo de várias fontes de sucesso, o único caminho que restava era o sucesso. Uma mistura bem intencionada de ficção científica, terror e coming of age, a série é impossível de não cativar e aqueles que não gostaram, creio eu, foi por causa das expectativas criadas pelo hype.

Em breve a crítica da segunda temporada. Abraços!

por Neto Ribeiro

Criada por: The Duffer Brothers
Canal: Netflix
Episódios: 8
Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Noah Schnapp, Cara Buono, Matthew Modine

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