Crítica: Stranger Things | 2ª Temporada (2017) - Sessão do Medo

30 de outubro de 2017

Crítica: Stranger Things | 2ª Temporada (2017)


Uma das estreias mais aguardadas do ano não foi no cinema mas sim nas telinhas. A Netflix daria continuidade à um dos maiores sucessos de 2016, a série Stranger Things, fenômeno mundial instantâneo que demoraria mais de um ano para ter sua segunda temporada, lançada na última sexta (27) nas plataformas do serviço de streaming. Pelos comentários, vi que o saldo entre o público foi positivo, muita gente adorou mas percebi também que muita gente achou inferior à primeira. E isso é verdade, mas não quer dizer que o segundo ano da série seja ruim.

A história se passa um ano após os eventos da primeira, em 1984. Will (Noah Schnapp) está em casa com sua família e amigos mas ainda tem flashes do Mundo Invertido após sua "pequena excursão". Suas visões são realistas e protagonizadas por um gigantesco monstro de sombras. Joyce (Winona Ryder), preocupada como nunca, recebe apoio do seu novo namorado, Bob (Sean Astin) e do Instituto Hawkins, que está sob nova direção e com a ajuda do Dr. Owens (Paul Reiser), que acredita que o trauma de Will esteja causando essas lembranças.


Mike (Finn Wolfhard) ainda está lidando com a ausência de Eleven (Millie Bobby Brown) mas não imagina que esse tempo todo ela esteve vivendo escondida sob a proteção do Xerife Hopper (David Harbour), longe da civilização. Nancy, sua irmã, juntamente com o namorado Steve (Joe Kerry) lidam com a culpa de saberem que Barb (Shannon Purser) está morta enquanto os pais da garota ainda mantém as esperanças de encontrá-la viva.

Enquanto isso, ainda temos Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) que se apaixonam pela novata na cidade, Max (Saddie Sink). Eles convidam a garota para se juntar ao grupo mas ela é mal-recebida por Mike, que não vai com a cara dela e no fundo acha que ela vai tomar o lugar de Eleven. Com Lucas tentando fazer Max entra na panelinha, Dustin se ocupa ao encontrar um estranho girino em sua casa que pode ter vindo do Mundo Invertido.

As expectativas estavam altíssimas para esta temporada e é natural que algumas pessoas se decepcionaram. No meu caso, eu não usaria essa palavra mas foi uma temporada que tinha potencial para superar a primeira mas por (poucos) erros bobos, é passada para trás. Mas primeiro vamos aos pontos positivos: a direção cinematográfica e visual da série continua no ponto. Sabendo bem trabalhar a tensão e os alívios cômicos, é muito fácil se imergir na história.


A criatividade também rola solta trazendo novos problemas para os cidadães de Hawkins. Will vê em suas visões um monstro gigante e com vários braços que remete às criaturas lovecraftianas. Xerife Hopper investiga as plantações de abóbora da cidade que aparecem estragadas do dia pra noite, escondendo um segredo debaixo da superfície. Também há aparição dos "Demodogs", uma versão quadrúpede do Demogorgon!

Alguns personagens que não brilharam muito na primeira temporada tem sua chance no holofote aqui. Will, que passou basicamente o ano anterior do show desaparecido, é o "principal" dessa temporada e esse foi de longe o maior acerto pois Noah Schnapp chocou a todos trazendo uma atuação poderosa. As cenas com Winona Ryder então? Show de talento! Segundo o produtor/diretor Shawn Levy: "finalmente deixamos essa Ferrari sair da garagem". Quem também foi bem trabalhado foi o Steve (Joe Kerry), o namorado de Nancy que muita gente tomou ranço na primeira temporada devido às suas atitudes. Aqui ele cresce bastante como personagem e é fácil de se tornar um dos personagens mais queridos.


Outro ponto positivo, embora mal aproveitado, foi a relação de Hopper com Eleven. Embora tenha perdido sua filha para o câncer, o xerife cuida da mini Carrie White como sua própria filha e resulta num dos melhores momentos da temporada, uma cena de discussão entre os dois que pode facilmente ser um Emmy tape tanto para o David Harbour quanto pra Millie Bobby Brown. Os dois se relacionam muito bem e é impossível não gostar da interação da dupla. Particularmente, o arco da Eleven nesta temporada deveria ter sido inteiramente este. A figura paterna de Hopper, a figura filial de Eleven... seria incrível se focassem mais neles dois.

Mas não é isto que acontece, pois há uma outra trama que é dada para a personagem. Infelizmente, a trama é completamente deslocada com o restante da temporada, chegando a ter um episódio inteiro (o 7) dedicado a isto que quebra totalmente a construção de suspense e clima que a temporada vinha tentando montar anteriormente. Não posso entrar em detalhes pois são spoilers mas de todas as tramas individuais, a de Eleven é a mais desinteressante e poderia ter sido jogada para a terceira temporada, sem atrapalhar a narrativa desta. Alguns julgaram o plot necessário para o desempenho de Eleven no desfecho mas poderiam ter usado qualquer outro elemento para desencadear tal atitude de forma mais sucinta e harmônica com a narrativa principal. Aliás, a primeira cena no 2x01 poderia muito bem ser a cena final da temporada, não acham?


Finalizando de forma confiante e com um suspiro de alívio misturado com antecipação, Stranger Things 2 (como é estilizado pela Netflix, como se fosse a sequência de um filme) trabalha sua história com algumas comodidades para servir de fanservice mas que no geral funciona bastante. Em relação ao ano de estreia, esta temporada adquire dobrinhas e não consegue se superar, mas faz um bom trabalho ao manter os elementos que fizeram os fãs adorar a série para início de conversa.
por Neto Ribeiro

Criada por: The Duffer Brothers
Canal: Netflix
Episódios: 9
Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Millie Bobby Brown, Noah Schnapp, Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Sadie Sink, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Sean Astin, Paul Reiser, Dacre Montgomery