Crítica: Jogos Mortais - Jigsaw (2017) - Sessão do Medo

3 de novembro de 2017

Crítica: Jogos Mortais - Jigsaw (2017)


Após apenas sete anos de curto descanso, os Jogos Mortais foram reiniciados. Embora a parte 7 se chame O Final, a Lionsgate não largou o osso tão cedo e trouxe de volta aos cinemas as elaboradas armadilhas e reviravoltas farofentas da franquia para mais uma rodada em Jigsaw. Muita gente reclamou e não é à toa, mas também ainda existem muitos fãs que irão gostar de ter uma nova chance no playground assassino do John Kramer, embora o resultado não seja de fato acima da média.

Jigsaw estabelece um reinício na série. Todas as tramas e conspirações mostradas nos filmes anteriores foram finalizadas na sétima parte e aqui temos a apresentação de uma nova história que pode ou não dar início a mais uma leva de filmes. Porém, particularmente, considero Jigsaw um standalone e que não precisa de sequências. No entanto, por realmente parecer um filme independente que não deixa pontas soltas ou ganchos, Jigsaw parece acima de tudo desnecessário pois não acrescenta muita coisa ao material inicial.

Na verdade, ele parece apenas uma dose de alívio para os fãs da franquia que estavam com saudades, pois o resultado final, embora interessante, é repetitivo e nada muito memorável. "Ah, mas Jogos Mortais são filmes para divertir mesmo". Mas fica complicado quando o filme já vem com data de validade não acham?


Não me levem a mal. Jigsaw é melhor de alguns outros filmes da franquia, como o quarto, o quinto e o sétimo. Ele tem uma história sólida e escrita de forma interessante que consegue prender durante os 90 minutos de projeção. Dois detetives, Halloran (Callum Keith Rennie) e Keith (Clé Bennett) se pegam investigando uma série de corpos que aparecem pela cidade, todos mortos de forma grotesca. Com a ajuda do Dr. Logan (Matt Passmore) e sua assistente Eleanor (Hannah Emily Anderson), eles descobrem que todas as pistas apontam para John Kramer (Tobin Bell), o Jigsaw, morto há uma década. Paralelamente, acompanhamos um novo jogo que se passa em um celeiro, onde quatro pessoas lutam por suas vidas nas armadilhas de Jigsaw.

Essa mistura de policial com as cenas de tortura já é bem familiar na série, mas ao invés de termos o Hoffman fazendo carão e escondendo suas artimanhas do colega, temos um novo conjunto de personagens e um novo mistério para acompanhar: John Kramer está de fato vivo? O problema é que, quem for ver Jigsaw esperando as armadilhas bem desenvolvidas e mortes sangrentas, não vai encontrar muita coisa. Tem sim algumas cenas gráficas, mas as mortes são sem impacto e os personagens sem carisma. Eles estão ali só para morrer, é fato, mas temos que torcer para alguém, certo?


O que chama mais a atenção é a investigação dos detetives e o desenrolar do mistério, que culmina numa interessante reviravolta em teoria. Na prática, o final é muito parecido com o de outro capítulo que não vou especificar e passa a sensação de "já vi isso antes". Mas o bom é que ele é fechadinho e não deixa brechas, mas se a Lionsgate quiser continuar a franquia, é claro que vão brotar brechas, embora, repito, não seja necessário!!!

Quem também for procurando algumas referências aos outros filmes, não vai encontrar muita coisa além da aparição de armadilhas usadas nos jogos antigos. Como falei, Jigsaw tenta criar sua nova história sem se apoiar tanto nos sete anteriores. Mas falta ousadia pois, ao invés de tentar reapresentar uma franquia saturada para o público, liga o modo genérico e no final das contas traz mais do mesmo. É um divertimento extremamente passageiro e vai agradar os fãs da franquias, mas não passa disso e talvez um dia depois de assistir, você já deverá ter esquecido.

por Neto Ribeiro

Título Original: Jigsaw
Ano: 2017
Duração: 90 minutos
Direção: The Spierig Brothers
Roteiro: Josh Stolberg, Peter Goldfinger
Elenco: Matt Passmore, Callum Keith Rennie, Clé Bennett, Hannah Emily Anderson, Laura Vandervoort, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles, Brittany Allen, Tobin Bell

4 comentários:

  1. Parabéns Neto, você sempre antenado Com as novidades do gênero. Sempre que quero saber algo sobre as novidades do gênero venho aqui no sessão do medo!

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  2. Anônimo11/03/2017

    Tô sempre por aqui lendo as críticas, mas sinceramente, a maioria dos filmes são detonados por ti, tem uns que eu leio e fico: NÃO ACREDITO QUE EU LI ISSO DESSE FILME MARAVILHOSO, mas como dizem, questão de gosto não se discute.

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    1. KKKKKKKK acontece né? Mas eu elogio bastante muitos filmes!

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  3. As cenas são mais realistas e pesadas do que a grande maioria dos filmes do gênero, até mesmo entre os filmes da franquia, mergulhando de cabeça no gore mas sem os exageros que poderiam transformar o filme em uma produção trash. Os filmes de terror evolucionaram com melhores efeitos visuais e tratam de se superar a eles mesmos. Eu gosto da atmosfera de suspense que geram, e em O Conto acho que conseguem muito bem. O filme foi uma surpresa pra mim, já que apesar dos seus dilemas é uma historia de horror que segue a nova escola, utilizando elementos clássicos. Com protagonistas sólidos e um roteiro diferente.

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