Crítica: Louca Obsessão (1990) - Sessão do Medo

26 de novembro de 2017

Crítica: Louca Obsessão (1990)


É possível que a última vez que Stephen King esteve tão relevante foi nos anos 80. Neste ano, o autor ganhou nada menos que seis adaptações, cinematográficas e televisivas, sendo a maioria delas boas (menos A Torre Negra, você não). Deste que explodiu naquela década, o "mestre do terror" acumulou dezenas de adaptações, mas nem todas elas são de fato boas. Acontece que há sim uma seleta lista de boas adaptações, como Carrie (1976), Cujo (1983), O Nevoeiro (2007), e sim, O Iluminado (1980), que embora seja péssimo como adaptação do livro, é um filme fenomenal.

Outra adaptação incrível é a do livro Misery. Com um tom metalinguístico, relacionando vários elementos da história com sua vida, o romance narra o infortúnio de Paul Sheldon, autor de uma série de livros de romance que sofre um acidente após terminar seu último livro. Ele é encontrado por Annie Wilkes, sua fã número 1 e que também é enfermeira. Ela o leva para sua casa e cuida dos seus ferimentos, principalmente localizados nas pernas. Os dois começam uma amizade mas quando Annie descobre que em seu novo livro ele mata a personagem principal, a moça enlouquece e mostra a psicopata que é.


O filme lançado em 1990 foi dirigido por Rob Reiner, que já tinha "trabalhado" com King em 86 com Conta Comigo. Nos papéis de Paul e Annie, tivemos James Caan (O Poderoso Chefão) e Kathy Bates (Titanic), na época uma atriz não muito conhecida e que acabou levando, merecidamente, o Oscar de Melhor Atriz em 91 por sua performance no filme. Com o roteiro de William Goldman, que escreveu filmes aclamados como As Esposas de Stepford (1975), Todos os Homens do Presidente (1976), Magia Negra (1978), entre outros, transporta todo o suspense, tensão e horror presente na história de King, inspiradamente intitulada "Miséria". Embora haja algumas diferenças entre as duas versões, o espírito da obra é mantido e não é à toa que Louca Obsessão é uma das melhores adaptações do autor.

Muitos fatores contribuem para o êxito de Misery. Um dos principais é a parceria da direção de Rob Reiner e do roteiro de Goldsman, que juntos tornam o filme objetivo, sem enrolações ou apresentações de tramas que nada acrescentam à história. Tudo é bem direto e cada cena complementa à outra, até atingir seu desfecho. Por outro lado, algumas escolhas da direção de Reiner soam envelhecidas sob um ponto de vista atual, mas isso não chega a estragar nada.

Uma escolha muito sábia de Reiner e posteriormente apoiada por Goldsman foi a mudança da infame cena do pé. Para quem não sabe, no livro, ao descobrir que Paul saiu do quarto e tentou escapar, Annie decepa seu pé com um machado e queima a ferida para cauterizar. No filme, ela quebra os pés do cara com uma marreta. Embora a cena do livro seja extremamente mais gráfica, a versão do filme é tão perturbadora quanto pois a simples imagem do pé de Paul se dobrando no impacto da marreta é capaz de causar choque no espectador.


Outro fator importantíssimo é a presença de James Caan e Kathy Bates em seus respectivos papéis. Caan sabe exatamente como dosar a passividade e a malícia de Paul Sheldon ao tentar agradar sua raptora, enquanto Bates impressiona numa atuação assustadora e se tornando quase que instantaneamente um novo ícone do gênero. É incrível como ela consegue transitar tão bem entre a versão simpática da moça e a versão psicopata em um piscar de olhos.

Acima de tudo, é impossível elogiar o filme Misery sem elogiar o material que serviu de base: o livro. Como falei no início, a história assume um cunho auto-bibliográfico. Sendo King, a ideia pra escrever o livro veio de quando ele lançou o livro épico Os Olhos do Dragão em 84. Distanciando-se do gênero terror pelo qual ficou conhecido, King notou que a má recepção do livro poderia ser um sinal de que ele estaria preso, fadado ao gênero - assim como Paul Sheldon se sentiu com os livros de Misery. É um projeto bastante pessoal e King acertou em cheio; sem dúvidas uma de suas obras mais marcantes.

Pontuando por ser um filme simples e objetivo, e não menos competente por isso, Misery é um clássico que mesmo após 25 anos mantém sua destreza em assustar e amedrontar o público. Com uma vilã icônica, uma direção que valoriza o suspense e um roteiro que adapta a obra original sem perder sua essência, é impossível não se deixar levar pela loucura da melhor fã número 1 que já passou pela Terra.

por Neto Ribeiro

Título Original: Misery
Ano: 1990
Duração: 107 minutos
Direção: Rob Reiner
Roteiro: William Goldman
Elenco: James Caan, Kathy Bates, Frances Sternhagen, Richard Farnsworth, Lauren Bacall

3 comentários:

  1. Sim ! É incrível mesmo.
    Assisti tempão atrás, vou ver de novo.

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  2. esse filme é fenomenal!!!!

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  3. Muito bom e conta com a excelente interpretação que rendeu o Oscar pra atriz que interpreta a enfermeira maluca.
    Pessoal dá uma conferida no meu canal ARTE TERROR FILMES no YouTube. Lá eu dou dicas de filmes clássicos de horror com cenas de bastidores. Valeu bjs

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