Crítica: Mindhunter | 1° Temporada (2017) - Sessão do Medo

5 de novembro de 2017

Crítica: Mindhunter | 1° Temporada (2017)


"Essas pessoas são muito machucadas e sabem como machucar." 

Assassinos em séries, eles causam medo, repulsa e ao mesmo tempo admiração em muitos. Inclusive servem de inspiração para muitos longas. Alguns dos meus filmes de terror favoritos, por exemplo, carregam algumas dessas pessoas como protagonistas de suas histórias: O Massacre da Serra Elétrica (1974), Monster - Desejo Assassino (2003), A Casa de Cera (2005), Halloween (1978)... Nem todos os citados foram baseados em casos reais, mas ambos possuem assassinos impiedosos e cruéis em cena. Será que suas atitudes foram resultantes de traumas ou eles já nasceram maus? É justamente essa questão que "Mindhunter" promete responder.

Criada por Joe Penhall, a série foi lançada pela Netflix em 13 de outubro tendo como alguns de seus produtores executivos a oscarizada Charlize Theron e o diretor David Fincher (responsável por Seven - Os Sete Crimes Capitais, Garota Exemplar, Clube da Luta). Ela baseia-se no livro "Mindhunter: O Primeiro Caçador De Serial Killers" escrito por John E. Douglas e Mark Olshaker, lançado esse ano e chegando ao Brasil pela editora Intrínseca. A história gira em torno dos detetives Holden Ford e Bill Tench, que atuaram no FBI entrevistando e estudando assassinos em séries, tentando assim resolver crimes em andamentos lá pelos anos 70. A série poderia ser mais uma em meio a tantas como "Criminal Minds", por exemplo, se não fosse a sua abordagem diferente sobre a temática serial killer. Aqui nós somos apresentados ao início da psicologia criminal, criada com o intuito de investigar o que há por trás de crimes bárbaros, mais precisamente da mente de seus executores.


A dupla de detetives Holden Ford e Bill Tench, é interpretada pelos atores Jonathan Groff e Holt McCallany, ambos estão ESPETACULARES em seus papéis. O Holden é um cara de início muito tímido e até bobão, mas a sua gana em entrar na mente dessas pessoas totalmente perturbadas é tão grande que ele acaba tendo uma certa mudança de personalidade e se metendo em situações perigosas e até ilegais e nome da psicologia. Ele é bem racional e consegue separar o trabalho da vida pessoal. Já Bill é mais contido, e tem até medo de se envolver com essas mentes doentias. Temos também a Wendy Carr (Anna Torv), personagem feminina de bastante força aqui na série. Ela é determinada e muito inteligente. Juntos eles fazem um trabalho excepcional na polícia. Aliás, todo o elenco está de parabéns. Desde os atores secundários até os protagonistas. 

Uma das inúmeras coisas legais dessa série é o fato dela ser um compilado de 25 anos de trabalho do FBI e com isso há muito material pra gente ver. Aqui nós somos apresentados desde as dificuldades enfrentadas pelo trio Holden, Bill e Wendy, como por exemplo um escritório meio que clandestino utilizado para o estudo dos casos e resoluções dos crimes já que esse trabalho não era bem aceito na época, até a criação do título SERIAL KILLER (assassino em série) que até meados dos anos 70 não existia. Até então usava-se o termo Stranger Killer (assassino desconhecido). Antes de nós termos esses diagnósticos de psicopatia, dupla personalidade e afins, que muitas vezes são usados em relação a alguns criminosos que vemos atuando hoje em dia, o FBI não queria saber muito disso. Se você matou alguém, a solução é a pena de morte ou perpétua e pronto. Ninguém tinha o interesse de investigar sobre algum tipo de motivação ou seja lá o que levou àquela pessoa a cometer o crime. É aí que a genialidade dessa história verídica entra. Você se sente parte de uma grande descoberta.


Apesar do Fincher não ter dirigido todos os episódios, a temporada consegue manter o nível do início ao fim e ao meu ver não perdeu o ritmo. Ela é totalmente regada a mistério e tensão psicológica. A trilha sonora aqui é muito eficiente e quase que uma personagem. Ela se faz presente. Inclusive a mesma se parece muito com a do filme Zodíaco (2007), dirigido também pelo David Fincher, assim como a fotografia. Seu roteiro então é de fácil entendimento para quem é leigo no assunto. Mas se deve ter total atenção em relação aos diálogos, pois os mesmos são cheios de termos que a maioria desconhece. Não é nada de outro mundo, porém fiquem atentos enquanto assistem. Tem muita conversa e é fácil se perder entre milhões de palavras. Aqui se fala muito sobre como o meio pode corromper o homem. Questão que o filósofo Rosseau defendia firmemente. Vemos que em muitos casos não são essas pessoas que sujam a sociedade, mas sim uma sociedade suja que os fazem ser assim. Obviamente a série não usa isso como justificativa para tais ações. A intenção é de analisar o que se passa nessas mentes e tentar até evitar que crimes sejam cometidos, traçando os perfis do assassinos.

Vários criminosos são citados nos estudos feito pela polícia. Temos um pouco da vida do Charles Manson, e até o Ed Gein aparece discretamente em uma das aulas ministradas pelo Holden. Por esse motivo falarei um pouco de alguns assassinos que ganharam destaque na série. Pelas imagens abaixo vocês percebem como a caracterização foi primorosa e um dos pontos altos desa produção.

- Cameron Britt na pele de Ed Kemper (O Assassino de Colegiais), psicopata que cometeu seu primeiro crime aos 15 anos quando matou seus avós. O cara foi internado em uma clínica e por enganar os médicos (beijos Norman Bates) foi solto com 21 anos, matando cinco universitárias, sua mãe e sua melhor amiga. Ele tinha o estranho hábito de fazer sexo com a cabeça de suas vítimas e algumas coisinhas mais. Kemper se entregou a polícia alegando que não aguentaria essa vida por muito mais tempo. Até hoje rejeita qualquer possibilidade de liberdade. Ele tem um QI de 145, sendo considerado um gênio. Ironia, não?


- Happy Anderson na pele de Jery Brudos (o assassino fetichista), acusado de sequestrar e matar quatro mulheres. O assassino tinha o fetiche por pés e sapatos femininos e ainda se vestia como uma mulher. O mesmo faleceu de câncer em 2006 na prisão.


- Jack Erdie na pele de Richard Speck, espancou e matou oito estudantes de enfermagem em 1966. Na prisão o mesmo utilizava cocaína e hormônio feminino, tendo até seios desenvolvidos em seu corpo. Chegou a dizer que se as pessoas soubessem o quanto ele se divertia na prisão, o soltariam. Faleceu em 1988 recorrente de um ataque cardíaco.

(Fonte oaprendizverde.com.br)


(SPOILER ABAIXO)

- Vocês lembram do gatinho que a personagem Wendy Carr alimentava? Pois bem, vocês repararam que o bichano sumiu do mapa, né? A atriz, Anna Torv comentou sobre o tal mistério. 

Em declaração ela disse: Eu achei muito interessante quando li o roteiro. Pensei que esse gatinho representava todas as vítimas 'sem rostos', pois só notamos aquelas que tem famílias procurando por elas. Então, tem esse bicho abandonado que ninguém liga.", mas parece que não se trata apenas de uma metáfora, já que ela completou dizendo: A ideia era sugerir para o público que tinha uma criança nesse prédio que estava matando gatos. Então, seria o nascimento de um novo sociopata. Pois é assim que começa - machucando animais. 

Logo me veio à cabeça o filhinho adotivo de Bill, o menino é totalmente introvertido e me lembrou bastante o Kevin, do filme "Precisamos Falar Sobre Kevin". É quase certo que uma criança psicopata será um dos pontos abordados na série. Eu fico na torcida!

(FIM DOS SPOILERS)


Pra mim "Mindhunter" é uma das melhores obras já criadas e merece destaque em 2017. É um prato cheio pra quem gosta de psicologia e thriller policial.Vemos que por trás de um crime chocante pode haver muita dor, tristeza e descaso. Como diria Ilana Casoy: loucos ou cruéis? Fica aí o questionamento.

Sua 1° temporada conta com 10 episódios. Lembrando que antes mesmo de estrear, a Netflix já havia renovado a série pra mais uma temporada pelo menos. Ao que tudo em dica teremos mais "Mindhunter" em 2018!

Por Lu Souza

Título Original: Mindhunter

Ano: 2017
Duração: 496 minutos
Direção: Andrew Douglas, Asif Kapadia, David Fincher e Tobias Lindholm.
Roteiro: Carly Wray, Dominic Orlando, Erin Levy, Jennifer Haley, Joe Penhall, John Douglas, Mark Olshaker, Ruby Rae Spiegel e Tobias Lindholm.
Elenco: Jonathan Groff, Holt McCallany, Anna Torv, Hannah Gross, Adam Zastrow, Cameron Britton,Happy Anderson, Jack Erdie


8 comentários:

  1. não li tudo por conta dos spoilers mas ta la na lista pra assistir, depois q eu terminar as outras trezentas q comecei ate hj to enrolando pra concluir rs.

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    1. Olá :)

      Ahhhh dê prioridade a ela. A série é impecável!!!

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  2. Gostei da sinopse mas o que me chamou atenção mesmo foi ter o livro kkkkk
    Ótima analise a propósito.

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    1. Obg! :)

      Estou loucaaaa pra ler o livro! Espero comprar em breve haha

      A série é espetacular!

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  3. Faz as críticas dos filmes Sharknado a sequência toda, tem na Netflix menos o 5 the walking dead a 3 4 5 TB na Netflix e aniversário sangrento de 1981

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    1. Por enquanto só temos as críticas dos dois primeiros Sharknados!
      > http://sessaodomedo.blogspot.com.br/2015/05/critica-sharknado-2013.html
      > http://sessaodomedo.blogspot.com.br/2015/05/sharknado-2-segunda-onda-2014.html

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  4. Gostei demais, acabei de assistir e essa do gato eu nem lembrava, mas se acontecer vai ser uma ótima sacada. Só uma correção: são 10 episódios e não 8. Abraços

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  5. Obg pelo toque Renan. Vou editar! N sei pq fiquei com 8 na cabeça. Quem sabe um estudo sobre a minha mente explique isso haha.

    Abraço e volte sempre! <3

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