Crítica: Slaughter High (1986) - Sessão do Medo

23 de novembro de 2017

Crítica: Slaughter High (1986)


Recentemente, escrevi um artigo onde falei sobre meu subgênero favorito do terror: os slashers. Popularizado principalmente na década de 80 após o sucesso de Halloween (1978) e Sexta-Feira 13 (1980), os slashers se tornaram o tipo de filme de terror mais frequente no cinema e houveram muitas tentativas de emplacarem o mesmo sucesso dos supracitados. Então, todo ano saíam vários filmes neste estilo, com grande parte tendo sido esquecido com o passar do tempo e alguns deles só são conhecidos pelos verdadeiros fãs do gênero.

Slaughter High é um desses exemplos. Produção britânica, o filme tem um elenco todo daquelas bandas que tiveram que fingir o sotaque americano em seus papéis, já que, embora o filme não especifique o local, é pra fazer pensar que se passa nos EUA. Previamente intitulado April Fool's Day (Dia da Mentira), o título foi alterado por que no mesmo ano, a Paramount lançaria A Noite das Brincadeiras Mortais, que originalmente tem este título.

A trama não traz nada de novo. Durante uma pegadinha de 1º de Abril, um estudante nerd fica gravemente machucado devido à um incêndio acidental. Anos depois, os culpados pela brincadeira são convidados para a reunião da escola mas ao se reencontrarem, percebem que podem ter sido enganados para ir até o antigo prédio do colégio, que está abandonado há cinco anos. Então, eles tentam se virar dentro do edifício já que uma chuva os impede de deixar o local. Lá, eles começam a ser mortos um a um por uma figura fantasiada.


Condenado ao ostracismo, Slaughter High não fez muito sucesso na época e não faria novamente se fosse lançado hoje em dia. Para ser sincero, é um filme que tem muitos erros e tem uma estética bastante trash, desde as mortes (que são bem-executadas, aliás), ao roteiro e seus diálogos ridículos, até às atuações classe Z que transformam tudo numa grande tosqueira. Mas é um filme que traz nostalgia para aqueles que procuram um pouco do velho e bom slasher. 

O resultado final é na verdade uma experiência bem divertida de assistir. Slaughter High não entrega sustos ou arranca expressões de nojo, mas arranca muitas risadas. Com sua fórmula Agatha Christi-ana onde os personagens são executados um a um num lugar isolado, o filme não constrói muito suspense e nos momentos que aparentemente tenta, não funciona devido às performances exageradas e muito engraçadas do elenco, principalmente da protagonista na perseguição final.


O roteiro, assinado por três nomes (que também dirigem), é cheio de clichês e pior ainda, arruma as piores desculpas para isolar os personagens e os deixarem à mercê do assassino. Um exemplo, após a primeira vítima morrer na frente de todos, o grupo foge mas uma fica para trás. Toda cheia de sangue, a moça entra num banheiro e olha lá, começa a se banhar nua! Claro que acaba morrendo numa morte tão tosca quanto criativa. Já outros dois resolvem transar no meio da situação e isso resulta em outra morte muito engraçada - mas bem feita, tecnicamente. 

O visual do assassino se destaca pelo uso de sua figura em cena, como sua sombra e a forma que ele "espiona" as vítimas, como na imagem acima; além do barulho dos "chocalhos" da sua fantasia. Uma coisa interessante de se notar no filme é que a fotografia tem algumas ideias bem interessantes, visualmente, como enquadramentos ou jogos de câmera, mas no final das contas como o filme não tem muito suspense, elas não ajudam a causar a tensão necessária.

Acontece que Slaughter High não é um filme para se levar a sério. Se você não faz parte da cota de amantes de slashers, este é um filme que vai te irritar bastante. Mas vale a conferida se você faz parte desta cota, pois é um grande throwback aos anos 80, desde às roupas até à uma música-tema (na verdade duas) que repetem durante o filme inteiro e que é bem marcada por aquela época.

Ps: muita gente pode não entender o porque dos personagens acharem que o assassino parará a matança ao meio-dia. No Reino Unido, o 1º de Abril tecnicamente só dura até essa hora. Nos EUA, não.

por Neto Ribeiro

Título Original: Slaughter High
Ano: 1986
Duração: 91 minutos
Direção: Mark Ezra, Peter Litten, George Dugdale
Roteiro: Mark Ezra, Peter Litten, George Dugdale
Elenco: Simon Scudamore, Caroline Munro, Carmine Iannaconne, Gary Martin, Billy Hartman, Michael Saffran, Donna Yeager, Josephine Scandi, John Segal, Kelly Baker, Sally Cross

5 comentários:

  1. Mais um pra lista.
    Queria crítica a de Prelúdio para matar do Argento.

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  2. Poxa, n encontro em lugar nenhum pra assistir.

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  3. Nossa, assim que fui procurar no youtube o achei legendado, mas há alguns meses n tinha. Graças, agora vou desfrutar dessa relíquia! rsrs

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  4. Tbm vi no youtube, e realmente é ridiculamente patético. Personagens estúpidos e totalmente sem carisma. Ninguém do elenco se esforça pra entregar no mínimo uma atuação regular, é um show de canastrice mesmo. As mortes são realmente patéticas.
    Enfim... É um filme totalmente esquecível mesmo.

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    1. "Slaughter High" é uma produção britânica mas que se passa como se estivesse nos EUA. Previamente intitulado de April Fool's Day(Dia da Mentira), o título foi alterado pq no mesmo ano , a Paramount lançaria A Noite das Brincadeiras Mortais, que originalmente tem esse título. "Slaughter High" vive no ostracismo e só o conheci através do youtube, que o assisti ontem. Roteiro aqui tem as situações mais absurdas que um slasher possa ter, e as atuações da mesma forma, toscas. Apesar de toscas as cenas de mortes são até bem executadas. Uma coisa que n entendi foi seu final que deixou dúvidas. Bom, na minha opinião já vi piores e esse n é tão ruim assim como pareceu ser.

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