Crítica: Lua de Mel (2015) - Sessão do Medo

26 de dezembro de 2017

Crítica: Lua de Mel (2015)


Como bom cinéfilo, sempre busco conhecer produções de diferentes estéticas e dos mais distintos países: a minha lista de assistidos do ano vai desde as adaptações de quadrinhos da Marvel e da DC até filmes independentes da Argentina, Coreia do Sul, Cuba, Espanha, Uruguai, entre outros. Às vezes, sou recompensado com a descoberta de uma grande obra que normalmente passaria despercebida. Mas também não faltam casos em que a minha curiosidade custa caro e me vejo diante de um longa que seria melhor ter evitado. Infelizmente, o torture porn (subgênero que compreende filmes que se concentram na violência gráfica, na tortura) mexicano Lua de Mel (2015) se encaixa nessa segunda categoria.

Disponível na Netflix, a obra acompanha Jorge (Hector Kotsifakis), um médico solitário que esconde uma obsessão por sua vizinha Isabel (Paulina Ahmed). Todos os dias, ele toma o cuidado para que a hora de sair de casa coincida com o momento em que a moça está passando pela rua. E com um ou outro gesto pequeno, Jorge vai se esforçando para conquistar pelo menos um segundo da atenção de Isabel - até o dia em que decide sequestrá-la e forçá-la a ser sua esposa, não poupando os mais cruéis métodos de tortura para mantê-la em seu poder.


Enredo pouco original (quem acompanha o noticiário policial certamente vai se lembrar de casos semelhantes ou ainda piores), direção nada inspirada, atuações amadoras, uso equivocado da trilha sonora. Pronto, estão aí os ingredientes para Lua de Mel, filme que tem um início interessante e depois se perde por completo. Para começar, os protagonistas Hector Kotsifakis e Paulina Ahmed estão terríveis em cena: atuando no piloto automático, os dois não conseguem transformar seus personagens em algo verossímil. Enquanto o primeiro é incapaz de estabelecer alguma identidade ou naturalidade ao médico psicopata, Ahmed (no que é seu único trabalho no cinema até hoje) não faz nada além de gritar e correr no papel da vítima indefesa.

O diretor Diego Cohen, que também assina a montagem e a produção, tampouco consegue compensar a fraqueza do seu elenco. A câmera treme em excesso, a escolha dos ângulos não ajuda e o filme é cansativo: seus 96 minutos parecem durar três horas. Com exceção de uma cena específica, o gore de Lua de Mel - que deveria ter certo impacto, já que estamos diante de um torture porn -  não impressiona e, assim como o longa, dificilmente ficará na memória de alguém. 

O roteiro de Marco Tarditi Ortega falha em não conseguir entregar nada além da relação sequestrador-refém. Se o passado de Jorge é desconhecido, tampouco sabemos algo sobre Isabel além do fato de que ela gosta de correr. Desperdiça-se aí a oportunidade de dar uma dimensão psicológica maior aos personagens: por que não trazer à tona seus traumas, medos, delírios, desejos, suas fantasias?


Para fechar, ainda há uma trilha sonora horrorosa - não no sentido de colaborar para a atmosfera de horror do filme, mas sim de ser um horror. Colocada no longa aparentemente sem critério, ela tira qualquer tipo de seriedade que as cenas poderiam ter, chamando mais atenção para o seu ruído insuportável do que para a ação em tela. Inclusive, a música chega a sobrepor a fala dos personagens em determinado momento, tornando-a inaudível (se não fossem as legendas, não seria possível  identificar o que estavam conversando). Assim, diminuir o volume da TV torna-se uma tentação irresistível.

Uma pesquisa rápida no IMDB revela que Diego Cohen tem mais dois filmes de terror a serem lançados. No entanto, considerando o resultado de Lua de Mel, o ideal seria que o diretor tirasse um ano sabático para reavaliar seu trabalho - como isso provavelmente não vai acontecer, vou manter distância de qualquer longa que traga o seu nome.
por Marcelo Silva

Título Original: Luna de Miel
Ano: 2015
Duração: 96 minutos
Direção: Diego Cohen
Roteiro: Marco Tarditi Ortega
Elenco: Hector Kotsifakis, Paulina Ahmed, Alberto Agnesi, Dunia Alexandra

2 comentários:

  1. Cara, suas críticas são hilárias...kkkkkkkk. Venho aqui não só pelas resenhas em si mas para rir muito com os textos. Parabéns pelo bom humor!

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  2. Bruna Souza6/04/2018

    Pena que não li a crítica antes... o filme é tudo isso aí e mais um pouco... o final ainda conseguiu ser pior que o filme todo kkkkk

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