Crítica: Super Dark Times (2017) - Sessão do Medo

5 de dezembro de 2017

Crítica: Super Dark Times (2017)


Antes de realmente dar início à esta crítica, gostaria de destacar o quão recorrente virou ter produções que abordam a infância/adolescência desde o boom cultural causado por Stranger Things. É óbvio que sempre houve, mas desde o lançamento da série da Netflix, tramas de mistério protagonizadas por crianças ou jovens na puberdade vem crescendo ultimamente. Super Dark Times é uma destas produções.

O thriller independente foi lançado em alguns festivais de cinema como o IFFR e o Tribeca e teve seu lançamento comercial em Setembro nos EUA. É um filme de baixo orçamento e sem muito marketing, então é fácil encontrar gente que nunca nem ouviu falar nele. E é para isso que estamos aqui!


Sobre o que é Super Dark Times? Basicamente sobre dois melhores amigos, Zack (Owen Campbell) e Josh (Charlie Tahan), que compartilham o crush pela mesma garota, a Allison (Elizabeth Cappuccino). Frequentemente, eles se encontram com o irritante Daryl (Max Talisman) e o amigo mais novo dele Charlie (Sawyer Barth), mas que não necessariamente é amigo deles. Durante um desses encontros para passar o tempo, há uma discussão e uma briga que resulta na morte acidental de Daryl.

Zack, Josh e Charlie escolhem esconder o corpo e a arma do crime - uma espada que pertence ao irmão mais velho de Josh - e fingir que nada aconteceu. Charlie, por não ser amigo dos dois, se afasta deles. Mas Zack e Josh, amigos de longa data, sentem o peso do assassinato, principalmente pelo fato de Josh ter sido, tecnicamente, o "assassino". A culpa e a paranoia de esconder o assassinato toma proporções assustadoras nas vidas desses dois garotos.

É interessante comentar também que Super Dark Times se passa no meio dos anos 90, mas ao contrário de recentes produções semelhantes, não se apoia na nostalgia para construir a história - e isso não é indireta, só um comentário. Apenas alguns detalhes discretos como o uso de um walkman ou a trilha sonora. 


O filme em si se comporta como um thriller que mistura os já descritos pela crítica Donnie Darko (2001) e Quase Um Segredo (2004) com outro que particularmente me lembrou um pouco, Sobre Meninos e Lobos (2004). O grande acerto do filme é a direção do novato Kevin Phillips, que mesmo este sendo sua estréia na direção de um longa, mostra bastante potencial ao coordenar uma trama instigante e que consegue envolver facilmente o público ao ponto de você realmente se preocupar com o destino do protagonista, o extremamente carismático Owen Campbell.

Phillips, que aposta numa direção gradual e que aos poucos desenvolve a tensão, a culpa e o medo iminente que Zack sente, executa de forma revigorante uma premissa já um pouco batida e é por isso que Super Dark Times merece ser conferido. É como uma mistura de suspense com drama coming of age. Infelizmente nada é perfeito e o final soa gratuito - embora seja chocante - e me pareceu uma saída fácil para o desfecho.

Alguns poderão gostar dele, mas para mim, o filme funciona melhor com o clima de antecipação, é amedrontador, intimidante, quando você não sabe o que esperar e a dúvida te consume. Sou um fã de coisas mais discretas. Mesmo assim, Super Dark Times vale a conferida por aqueles que gostam de filmes que, de fato, mexam com você, mesmo que seja apenas momentaneamente.

por Neto Ribeiro

Título Original: Super Dark Times
Ano: 2017
Duração: 100 minutos
Direção: Kevin Phillips
Roteiro: William Goldman
Elenco: Owen Campbell, Charlie Tahan, Elizabeth Cappuccino, Amy Hargreaves, Max Talisman, Sawyer Barth

9 comentários:

  1. Neto, você poderia fazer a Crítica da série "Dark" da Netflix? Gostaria de saber o que você achou da série! Rsrs

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  2. Achei sendacional a atuação dos jovens atores e o filme sensacional. Agora uma dúvida me veio a cabeça: Alisson parecia saber sobre o psicopata e ainda da a entender que ela cúmplice dele. Percebi isso no olhar dela pra ele na cena do quarto e na marca no pescoço dela na última cena. O foco dado a ela na última cena di filme me causou essa sensação

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    1. Olá, Victor!

      Olha, não sei a cena do quarto mas quanto ao foco dado nela na cena final, creio que a intenção era mostrar que tudo mudou, já que antes ela gostava de se mostrar para o Zack, e agora ela fica acanhada com a cicatriz.

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    2. Neto eu assisti mas não entendi o final pode me explicar?

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  3. Yuri, na minha concepção, o final é apenas uma forma de mostrar como os acontecimentos afetaram aqueles ao redor, principalmente a garota.

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  4. Mas Alisson e zack ficam juntos ? Sinceramente não gostei MT do final , fiquei com várias dúvidas

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    1. Acho que o centro do filme é a Alison. Ela é uma psicopata, e podemos ver isso na primeira, pelo olhar dela ao ver o bicho morto na sala de aula. Acho que ela já ficava com o Josh muito antes de dar em cima do Zack. Dá pra deduzir isso pela cara de ciúmes que o Josh faz no começo do filme, quando o Zack revela que tem uma queda por ela. Acho que o irmão do Josh não existe. Ou morreu, ou é invenção da cabeça dele. Acho que a Alison manipulou todo mundo, fez o Josh pegar a espada e matar a menina. E, por fim, acho que a Alison não termina com o Zack. Ou ele se mudou ou ela matou ele. Mas isso é só uma teoria.

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    2. meio doida essa teoria, mas faz sentido... interessante este ponto de vista. não dei tanta atenção a ela ao longo do filme, vai ver por isso não consegui ver deste jeito.

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