Crítica: Dia dos Mortos (2018) - Sessão do Medo

11 de janeiro de 2018

Crítica: Dia dos Mortos (2018)


Remakes são desnecessários em grande parte dos casos. Há filmes que envelhecem mal e podem precisar de uma repaginada que, se bem feita, chega a valorizar mais o original. No entanto, a maioria dos remakes são de produções que mesmo após décadas funcionam perfeitamente e a sensação de idiotez fica inevitável, pois geralmente, estes remakes não acrescentam em nada. Em sua Trilogia dos Mortos, lançada nas décadas de 60, 70 e 80, George A. Romero introduziu na cultura pop os zumbis em A Noite dos Mortos-Vivos (1968), Despertar dos Mortos (1978) e Dia dos Mortos (1985). Carregada de críticas sociais e políticas, a trilogia fez história e obviamente gerou refilmagens de todos os três capítulos, em 1990, em 2004 e em 2008, respectivamente.

Acontece que o filme que trago na primeira crítica de 2018, Day of the Dead - Bloodline, é o segundo remake de Dia dos Mortos. Isso mesmo! O primeiro, dirigido por Steve Miner (Sexta-Feira 13: Parte 2) foi um desastre e desconstruiu tudo que o original se propõe a fazer. Mas Bloodline consegue a façanha de ser pior ainda em quase todos os aspectos. É uma verdadeira batalha de ruindade.

Ao contrário da primeira refilmagem, Bloodline não se preocupa em mostrar muito o início da epidemia - embora a cena de abertura se passe durante o outbreak para apresentar o background da protagonista. Depois ele salta cinco anos, onde a então estudante de medicina Zoe (Sophie Skelton) lidera uma pesquisa para descobrir a cura da epidemia em um abrigo subterrâneo liderado por militares. Durante uma expedição por medicamentos, Zoe precisa voltar à sua antiga universidade onde acaba reencontrando uma apavorante figura de seu passado que pode ser a chave para a cura que ela tanto procura.


Day of the Dead: Bloodline possui tantos erros que é difícil escolher um para começar. Mas vamos primeiramente compará-lo com o original. Ao contrário da película de Romero, esta nova versão é vazia. Não tem o compromisso crítico do original e nem diverte, então é completamente sem função. Chamar um remake de desnecessário é chover no molhado, mas neste caso, o filme leva isso a sério e se mostra um completo desserviço. Os personagens são tão rasos quanto uma bacia (talvez ainda mais) e o elenco formado por atores picaretas não ajuda a situação. Qualquer tentativa de passar uma segurança em seus papéis é ineficaz. Tudo soa caricato e forçado, é um desastre. 

O que nos leva à um dos maiores problemas deste filme: o Max (Johnathon Schaech, Jackals). O personagem é a nova versão do icônico Bub, o zumbi inteligente do original. Por alguma razão, os roteiristas acharam que seria legal ligar o personagem à protagonista, transformando-o em um cara obcecado que mesmo depois de morto a persegue. É um verdadeiro show de horror ver o "zumbi" fazendo parkour pelo abrigo enquanto se esconde dos militares. O irônico é que as produtoras deram uma entrevista falando sobre o projeto e disseram que "estes zumbis não subirão paredes ou farão picaretas como os de Guerra Mundial Z". É rir para não chorar.


O roteiro não se preocupa em criar situações que realmente aproveitem os zumbis, que se tornam apenas um objeto de cena, o que é preocupante sendo uma adaptação de uma obra de Romero, que sempre trabalhava bem o núcleo humano sem se esquecer dos antagonistas. A sequência final do longa original de 85 é simplesmente espetacular. Tensa e chocante na medida certa. Aqui não há nenhuma cena que te faça segurar o fôlego.

O único ponto positivo que me faz dar essa mísera caveira como nota é que eles não utilizaram o CGI na violência e muitas cenas gráficas são feitas com efeitos práticos. Por outro lado, não há nenhuma cena tão marcante quanto no original e o espectador acaba se contentando com a única coisa que funciona no filme inteiro, que é o gore. Aliás, tem uma cena em que uma pessoa é morta do lado da protagonista e sangue é espirrado em seu rosto. MAS O SANGUE É EM CGI E FICA PERCEPTÍVEL O RECORTE NO ROSTO DELA. Alegria de pobre dura pouco, né?

Sei que muitos de vocês acham que sou muito crítico com os filmes que eu resenho no blog, mas esse daqui não tem desculpas. É uma bomba colossal. Perdemos George A. Romero mas pelo menos ele não viveu para ver uma atrocidades dessas.
por Neto Ribeiro

Título Original: Day of the Dead - Bloodline
Ano: 2018
Duração: 90 minutos
Direção: Hèctor Hernández Vicens
Roteiro: Mark Tonderai, Lars Jacobson
Elenco: Sophie Skelton, Johnathon Schaech, Jeff Gum, Marcus Vanco, Mark Rhino Smith, Cristina Serafini, Lillian Blankenship