Crítica: The Exorcist | 2ª Temporada (2017) - Sessão do Medo

16 de janeiro de 2018

Crítica: The Exorcist | 2ª Temporada (2017)


Ano passado, estreou na Fox o seriado The Exorcist, baseado no livro de William Peter Blatty que culminou no clássico atemporal, também conhecido como o maior filme de terror de todos os tempos, também conhecido como O Exorcista (1973). As expectativas eram nulas, ninguém queria esse show mas acabamos nos surpreendendo com a ousadia da equipe criativa ao transformar a série em uma sequência do filme, trazendo a personagem de Geena Davis como uma Regan McNeil adulta e com família formada. Embora tenha deixado espaço para continuações, a série não precisava de uma nova temporada. Mas não foi isso que a Fox pensou e resolveu renová-la. Um ano depois, estamos aqui, resenhando a segunda temporada da série, que se mostrou superior à anterior, mas que tropeça nos mesmos obstáculos.

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Na finale passada, Padre Tomas (Alfonso Herrera) e Marcus (Ben Daniels) resolveram sair pelo país caçando demônios, no melhor estilo Supernatural. E é isso que a dupla está fazendo neste novo ano. Reencontramos com os dois tentando salvar a alma de uma pobre moça, enquanto seu marido (um xerife) e "capangas" os caçam, pois não chegam a acreditar completamente que ela está possuída. Os acontecimentos fazem com que eles acabem conhecendo os personagens da nova trama principal: Andy (John Cho) e seus filhos adotivos.


Andy era um psicólogo infantil mas decidiu juntamente com sua esposa Nikki (Alicia Witt), uma assistente social, adotar crianças e fazer da casa deles um orfanato. Mas, há alguns anos, Nikki se suicidou, deixando Andy cuidando das crianças sozinho, o que para ele não é um fardo, já que as ama incondicionalmente. Eles vivem numa ilha privada e atualmente, estão sob supervisão da assistente social e amiga de Andy, Rose Cooper (Li Jun Li), quando começam a notar estranhos acontecimentos nos arredores.

Paralelamente, a trama da Igreja comprometida é explorada sob os olhos do Padre Bennett (Kurt Egyiawan), que está no Vaticano. Ele descobre que a instituição está eliminando os exorcistas que não se juntam à Ordem e junta forças com Mouse (Zuleikha Robinson), uma exorcista fugitiva com um passado conectado à Marcus.


Resumindo toda a crítica em uma frase, esta segunda temporada reservou interessantes surpresas. Eu estava sem nenhuma expectativa pois a primeira temporada funciona como uma minissérie facilmente e dar continuidade à ela seria desnecessário. No entanto, se teve um acerto neste novo capítulo, foi a série andar com as próprias pernas. No ano passado, era praticamente impossível não comparar o show com o filme justamente por ser uma sequência da história original, já aqui não é necessário.

Com esse desvencilhamento, a trama conseguiu aproveitar melhor os protagonistas e os novos antagonistas de uma forma que não parecesse tão batida - embora no fim das contas, tenha sido, o que é um erro que eu vou comentar mais a frente. A ambientação ajudou a criar um clima bacana para a história, uma ilha sem muitos habitantes e com grandes oportunidades de realizar cenas tensas.

Outro ponto positivo foi o novo elenco, encabeçado por John Cho (Star Trek), um ator bastante carismático e que rouba a cena, juntamente com a Brianna Hildebrand (Deadpool), que interpreta a orfã mais velha, Verity. O elenco infantil também cumpre seu papel e tornam seus personagens queridos para o público (o que ajuda no final da temporada)


O maior problema, no entanto, é o comodismo. Ao usar clichês numa trama de exorcismo, ou você se esforça para que eles te ajudem, como em Invocação do Mal (2013), ou eles se tornaram um obstáculo. A melhor maneira de se trabalhar com esse tema é usando e abusando do terror psicológico, um dos principais referenciais de O Exorcista como podem lembrar. Nesta temporada, houve sim momentos interessantes, como a cena em que Marcus testa Andy numa conversa tensa e inteiramente imersiva. Mas tudo é jogado pelos ares quando episódios depois, no desfecho da história, apostam em sustos fáceis, vozes demoníacas (e nada sincronizadas em alguns momentos) e tudo que há de pior e mais batido no gênero.

Algo que chamou bastante atenção e poderia ter sido mais explorado é o plot de Bennett e Mouse sendo perseguidos pela Igreja - plot esse que obviamente será utilizado e provavelmente será o principal da possível terceira temporada, caso seja renovada. Tanto que este plot trouxe um curioso gancho na season finale, que inclusive referencia O Exorcista III (1990)! Será que, se a terceira temporada acontecer, teremos um pouco de inspiração do Legião?

Para fechar o post, a série mostrou que pode ter fôlego, ao contrário do que muitos (eu incluso) pensavam. Numa temporada com uma história sólida, personagens carismáticos e um elenco no mesmo nível, The Exorcist só peca por não se arriscar. Sua trama ainda é bastante contida e conduzida no automático e sendo uma produção com um tema tão batido, é um erro que pesa muito.

por Neto Ribeiro

Criada por: Jeremy Slater
Canal: Fox
Episódios: 10
Elenco: Alfonso Herrera, Ben Daniels, John Cho, Li Jun Li, Kurt Egyiawan, Zuleikha Robinson, Brianna Hildebrand, Alicia Witt

3 comentários:

  1. Vale mesmo a pena assistir essa série?
    Parece meio ruim..
    Mas queria opinião de alguns..

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    Respostas
    1. De ruim não tem nada, 10 episódios apenas. É muito boa.

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    2. hmm. Assista não comparando ao filme, apenas como uma série sobre exorcismo, até que dá pra engolir...

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