Crítica: Mayhem (2017) - Sessão do Medo

18 de janeiro de 2018

Crítica: Mayhem (2017)


O lançamento de filmes em VOD, sigla para video-on-demand ou aluguel online, vem sendo uma crescente no mercado cinematográfico nos últimos anos. É óbvio que existem filmes que não foram feitos, ou não são atrativos o suficiente, para terem grandes estreias nos cinemas. As distribuidoras então encontram no VOD uma alternativa para aumentarem seu catálogo. Muitos desses filmes são feitos por produtoras independentes e exibidos em festivais. Durante o evento, olheiros das distribuidoras fazem propostas para a distribuição e compram os direitos. Meses depois, o filme está disponível em VOD e em home video.

O curioso é que o gênero que mais atua dentro deste mercado é o de horror! Nosso tipo favorito de cinema não anda tão mal das pernas como um tempo atrás e é um fato que o terror está reconquistando seu espaço nas grandes massas, mas ainda há várias produções que não ganham tanto destaque assim e através do VOD que elas encontram seu público.


Lançado no finalzinho de Dezembro, Mayhem é o novo filme de Joe Lynch, responsável por Floresta do Mal (2007), a sequência oficial de Pânico na Floresta (2003). Aqui, o diretor entrega um filme que é impossível não relacionar com outra obra, também lançada no mesmo ano: The Belko Experiment. Ambos os filmes compartilham do mesmo cenário, mudando apenas as problemáticas. Enquanto em Belko, os funcionários de uma empresa se viam forçados a matar uns aos outros em um doentio experimento, os de Mayhem contraem um vírus que inibe suas moralidades e se tornam presas de seus maiores impulsos, sejam eles carnais ou mortais. Leve em conta o título do filme (Caos) e você encontrará.

Steven Yeun, recém saído de The Walking Dead, estrela o longa metragem como Derek, um personagem carismático que começou na grande empresa como um advogado ambicioso e cheio de planos para o futuro, mas que hoje em dia se contenta com as burocracias do trabalho. No dia em que o vírus faz com que o edifício seja trancado em quarentena, ele descobre que vai ser demitido após uma armação de seus chefes. Depois que o vírus o ataca, ele não vê motivos para não se vingar e para isso, se junta à Melanie (Samara Weaving), uma cliente que veio reivindicar sua casa, prestes a ser tirada, e que foi expulsa pelo próprio Derek.

Mayhem segue uma fórmula que vem sendo bastante utilizada para transformar filmes, principalmente aqueles com tons de comédia, em histórias descoladas. Narrações irônicas, edição ágil, trilha sonora "famosa" para casar bem com cenas de pancadaria ou de enaltecimento dos heróis, entre outros elementos. Em alguns filmes, essa fórmula funciona. Infelizmente, o roteiro de Mayhem não é tão descolado quanto tenta ser.


Embora seja sim divertido, o filme mal-aproveita tudo que pretende abordar e embora Lynch dirija algumas sequências bacanas, existem outras dignas de vergonha (como um confronto num andar). Isso fica ainda mais evidente se você pegar por exemplo o já mencionado Belko Experiment, que sabe usar toda a ironia do ambiente de trabalho finalmente soltando a tensão, trazendo tanto situações tensas quanto hilárias. Isso não acontece aqui.

O que sustenta os quase 90 minutos de filme é a presença carismática de Steven Yeun, que prova que é um bom protagonista e eu espero ver mais dele em futuras produções, e também a da maravilhosa Samara Weaving, que se destacou ultimamente ao protagonizar outra horror comedy, A Babá. Os dois juntos tem uma ótima química, o que é fundamental.

Com boas doses de violência, mas sem nada que se destaque, Mayhem consegue ser tão divertido quanto pretensioso. Não é muito memorável, principalmente por reutilizar uma premissa já melhor trabalhada em outro filme, mas consegue ser um bom passatempo para quem pretende ver um filme de terror farofa.
por Neto Ribeiro

Título Original: Mayhem
Ano: 2017
Duração: 86 minutos
Direção: Joe Lynch
Roteiro: Matias Caruso
Elenco: Steven Yeun, Samara Weaving, Steven Brand, Caroline Chikezie, Mark Frost, Dallas Roberts

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