Crítica: Pânico no Lago (1999) - Sessão do Medo

10 de janeiro de 2018

Crítica: Pânico no Lago (1999)


Quando um mergulhador é brutalmente partido ao meio em um lago no estado do Maine, uma paleontóloga (Bridget Fonda), um xerife (Brendan Gleeson, o Alastor "Mad-Eye" Moody da franquia Harry Potter), um oficial do departamento de Caça e Pesca (Bill Pullman) e um aventureiro fascinado por crocodilos (Oliver Platt) unem forças para capturar a criatura que está colocando a vida dos moradores do local em risco. 

Essa é a premissa de Pânico no Lago, um legítimo exemplar do subgênero de filmes de animais assassinos que inclui produções como o premiado clássico Tubarão (1975), de Steven Spielberg, e Anaconda (1997). E como a maior parte dessas obras, o longa do diretor Steve Miner, o mesmo de Sexta-Feira 13: Parte 2 (1981), oferece uma diversão descompromissada, com a condição de que o espectador desligue o cérebro para curtir os seus 82 minutos.

Ironicamente, o maior atrativo do filme não é o crocodilo devorador de humanos: na verdade, quem ocupa esse papel são os personagens, interpretados por rostos relativamente conhecidos do público. Se a cientista vivida por Bridget Fonda irrita por ser um completo estereótipo de alguém que, vindo da cidade grande, reclama de mosquitos, carrapatos e da falta de higiene de uma área de floresta, o mau humorado xerife de Brendan Gleeson tem uma excelente química com o aventureiro de Oliver Platt. A personalidade dos dois parece nunca bater, o que certamente gera as cenas mais cômicas do longa. Em uma delas, o policial afirma que nunca ouviu falar de crocodilos que atravessam o oceano, ao que o outro, em um tom de deboche típico de alguém que está diante de um interlocutor ignorante, responde: "Bem, eles escondem informações como essas em livros".


Com exceção de dois momentos, Miner (que faz uma ponta como o piloto do helicóptero que leva a paleontóloga à cidade em que se passa o filme) opta por não pesar a mão na violência ou no gore: ou seja, não espere que os ataques do crocodilo resultem em um grande derramamento de sangue. Pode-se dizer, inclusive, que o longa tem uma pegada leve e ingênua - algo que é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom pelo fato de combinar com o tom cômico e as situações mirabolantes, como o momento em que uma vaca é pendurada por um helicóptero e usada como isca, algo que só poderíamos ver em um filme como esse. E ruim porque essa abordagem acaba impedindo que se crie qualquer tipo de tensão em tela: até mesmo quando um deles está prestes a ser devorado, não se sente nenhum tipo de agonia, desespero ou ameaça iminente. 

Na parte técnica, os efeitos especiais estão condizentes com as limitações do ano de lançamento e, claro, do orçamento de 35 milhões de dólares. Um acerto foi ter utilizado uma versão animatrônica do réptil (algo semelhante ao que fez Spielberg em Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros) em vez de ter apelado para um crocodilo de computação gráfica em 100% das cenas. 

Pânico no Lago prova que, apesar de os filmes de animais assassinos não serem tão populares quanto antes, eles ainda divertem. A obra teve três sequências e um crossover bizarro intitulado Pânico no Lago: Projeto Anaconda (2015), que, como o próprio título diz, coloca um crocodilo e uma anaconda frente a frente - para quem se interessar, ele está disponível na Netflix.


por Marcelo Silva

Título Original: Lake Placid
Ano: 1999
Duração: 82 minutos
Direção: Steven Miner
Roteiro: David E. Kelley
Elenco: Bridget Fonda, Brendan Gleeson, Bill Pullman, Oliver Platt, Betty White

Um comentário:

  1. Nota 3?? Meu Deus... esse filme é ruim demais!!!!! Nota 0 pra essa porcaria

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