Crítica: As Garotas da Tragédia (2017) - Sessão do Medo

25 de janeiro de 2018

Crítica: As Garotas da Tragédia (2017)


Outubro passado eu escrevi um artigo falando sobre a história dos slasher movies e divaguei um pouco sobre o futuro do subgênero no cinema. Algo que ficou evidente é que a reascensão dos slashers está, de fato, no uso satírico de sua fórmula. Basicamente, desde que Pânico (1996) desconstruiu os clichês do gênero e seus rip-offs terminaram de saturá-lo para o público no início dos anos 2000, a única forma de reapresentar os slashers de forma atraente para as massas é fazer dele, acima de tudo, um filme divertido onde você acha que já sabe de tudo que irá acontecer.

Ultimamente, tivemos um pequeno boom de produções do gênero que tendem a aumentar nos próximos anos. Filmes como Terror nos Bastidores (2015), A Babá (2017) e A Morte Te Dá Parabéns (2017) são exemplos disso. Mas teve um que foi deixado de fora na época por não ter sido lançado oficialmente para o público e que figura a crítica de hoje. 

Sob uma ótica bem humorada, Tragedy Girls conta a história de duas amigas psicopatas, Sadie (Brianna Hildebrand) e McKenzie (Alexandra Shipp), que são obcecadas pela morte e ganham uma chance única quando capturam Lowell (Kevin Durand), um serial killer que vem fazendo vítimas pela cidade nos últimos meses. Elas esperam que ele as ensine tudo que um assassino precisa saber, mas quando ele se recusa, ela os mantém prisioneiro enquanto fazem suas próprias vítimas. As garotas levam esse lado obscuro de suas vidas enquanto mantém um blog, Tragedy Girls, ondem expõem os assassinatos em busca de fama. Mas tudo corre risco quando Sadie se atrai por Jordan (Randy Quaid), o filho do xerife que as ajudam na manutenção do blog e que logo desconfia que há algo de errado.


Ao contrário de outras horror comedies que buscam desconstruir seu subtipo, Tragedy Girls aproveita ao máximo os clichês que os slashers provêm sem forçar o humor negro por que, acima de tudo, ela não é apenas um filme de terror. A influência de filmes como Atração Mortal (1988) por exemplo é bastante sentida na construção do clima de ensino médio e bobagens enfrentadas pelos adolescentes nas tramas. O grande ás está em transformar as protagonistas em anti-heroínas, o que não fica muito difícil justamente por ter a ajuda de duas atrizes carismáticas: Brianna Hildebrand (série The Exorcist) e Alexandra Shipp (X-Men: Apocalipse).

Com um roteiro ácido co-assinado por ele, Tyler MacIntyre se mostra confortável e isso transparece no filme. Isso por que Tragedy Girls soa bastante natural em meio a tantas produções com a mesma intenção, onde muitas delas incomodam por tentar estabelecer um fator "cool" que não tem; um roteiro pretensioso demais para o seu próprio bem. Felizmente, não é o caso aqui.

É importante notar que o filme parece mesmo uma carta de amor dos roteiristas ao gênero. Mesmo sem se apoiar em nostalgia ou referências, o longa ainda guarda algumas falas que para os mais saudosos serão divertidas. Desde menções à filmes como Martyrs (2008) ou diretores como Dario Argento, à decoração do quarto de Sadie contendo posters de O Enigma de Outro Mundo (1982) e Anatomia de um Crime (1959), aos próprios sobrenomes das protagonistas, Cunningham e Hooper, claramente homenageando Sean S. Cunningham (Sexta-Feira 13) e Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica).

Surpreendentemente violento e perverso, Tragedy Girls não entrega uma abordagem original mas isso não chega a ser um demérito, visto que o resultado final é tão divertido quanto. Com boas doses de gore e humor, o filme é realmente um dos melhores de 2017 - uma pena que não conseguimos conferi-lo a tempo de colocá-lo na lista.

por Neto Ribeiro

Título Original: Tragedy Girls
Ano: 2017
Duração: 98 minutos
Direção: Tyler MacIntyre
Roteiro: Tyler MacIntyre, Chris Lee Hill
Elenco: Alexandra Shipp, Brianna Hildebrand, Jack Quaid, Kevin Durand, Craig Robinson, Josh Hutcherson, Timothy V. Murphy, Nicky Whelan

Um comentário:

  1. vi hoje.
    gostei, ri muito com as doidices perversas delas! mais um que guardarei na minha pasta "vale a pena ver de novo", junto com Killing Ground, Downrange e Revenge, Os Estranhos 2 e outros.

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