Crítica: Verónica (2017) - Sessão do Medo

15 de janeiro de 2018

Crítica: Verónica (2017)


Fugindo um pouco do mercado americano, hoje falarei de "Verónica" (não é o mesmo que se encontra em catálogo na Netflix), terror sobrenatural espanhol do mesmo diretor responsável pela franquia "REC", Paco Plaza. O filme em questão me surpreendeu muito positivamente e por isso resolvi trazê-lo. O último trabalho do diretor que eu assisti foi "Delinquentes e Diabólicos", um terror natalino também com crianças como protagonistas. Devo dizer que ele sabe passear pelos gêneros de uma maneira bacana.

A trama gira em torno de Verónica, uma adolescente de 15 anos que resolve, junto de suas amigas, invocar o espírito de seu pai através do tabuleiro de ouija. Durante a sessão a jovem entra em uma espécie de transe e desmaia. Depois de recuperada começa a perceber coisas estranhas em sua casa, que a fazem pensar que trouxe seu pai de volta para o mundo dos vivos.

O longa é supostamente baseado em fatos, e já começa com aquele típico aviso de que a história mostrada é baseada num relatório feito pelo policial que investigou o caso. O que poderia soar forçado, acaba sendo desenvolvido de uma maneira bem convincente e natural. Em nenhum momento "Verónica" parece aquela receita de bolo pronta, que acaba não tendo um sabor diferenciado. A direção de Paco é bem firme e sutil, não apelando para jumpscare. Há uma atmosfera toda baseada no suspense e em um clima mais sensorial. Inclusive tem uma sequência que se passa em um quarto, que me deixou com um tiquinho de medo, sabe. Se utilizou de elementos típicos dessa temática, mas que funcionam muito bem.


O que mais agrada aqui é a apresentação dos personagens. Verónica é aquela típica irmã mais velha, que precisa cuidar de seus irmãos, pois sua mãe trabalha exaustivamente para garantir o sustento. Logo de cara você cria empatia pelos personagens. É tudo muito natural e as criancinhas são super carismáticas. E se formos reparar, a trama se assemelha muito ao adorado "Invocação do Mal 2". Aqui temos um espírito/entidade maligno despertado por uma tábua ouija, uma família passando por luto e necessitada sendo atormentada, e inclusive há uma freira no filme que logo nos faz lembrar da temida Valak, apesar de sua função na trama ser totalmente diferente. São pontos que se parecem bastante, mas que não soam como uma cópia propriamente dita.

O diretor se preocupa tanto em fazer algo simples, que até o cgi ele praticamente dispensou. Os efeitos são bem práticos. O roteiro escrito por Plaza e Fernando Navarro, tem pitadas de drama, suspense e terror, deixando o espectador com um poco de dúvida durante a projeção, se de fato Verónica está sendo atormentada ou é apenas o seu psicológico lhe pregando uma peça. Mas no final das contas isso é respondido em seu desfecho.


Obs: há uma cena em que se pode notar claramente como sendo referência ao filme "Os Meninos" (¿Quién puede matar a un niño?), terror setentista onde crianças loucas/más atacam um casal de turistas. Inclusive em um momento da história as crianças assistem ao filme em questão.

Com uma boa fotografia (as cenas no escuro têm uma iluminação ótima), situações críveis em seu roteiro, direção contida e um elenco surpreendentemente bom, "Verónica" se sai melhor do que muitos produtos da Blumhouse. Eu o recomendo muito pra quem está cansado desses filmes de espíritos caça niqueis, e procura por algo mais despretensioso e simples. Definitivamente devemos olhar mais pra filmes que fujam da cria Blumhouse e partir para os estrangeiros. Tem muita coisa boa escondida.

Por Lu Souza
Título Original: Verónica
Ano: 2017
Duração: 105 minutos
Direção: Paco Plaza.
Roteiro: Paco Plaza e Fernando Navarro.
Elenco: Ana Torrent, Sandra Escacena, Consuelo Trujillo, Leticia Dolera, Maru Valdivielso, Sonia Almarcha.


6 comentários:

  1. Realmente é um bom filme do Paco Plaza. Pontos interessantes na critica. De fato devemos mesmo nos desintoxicar um pouco de filmes da terra do tio sam.
    A trilha sonora também é buena.

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  2. Alguem entendeu o final

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    1. Ela percebeu que ela própria estava "machucando" os irmãos e se suicidou. A pressão psicológica, a rejeição das amigas da escola, o fato de criar os irmãos, a ausência da mãe que trabalha muito e do pai que está morto (e que supostamente cuidava dela e dos irmãos), a "inveja" que ela tinha dos vizinhos (aquelas cenas que mostra uma menina sendo cuidada pelos pais), os "problemas" da puberdade... tudo isso fez com que ela não suportasse a pressão. O filme metaforiza essa pressão com um espírito que está atacando todo mundo, mas na realidade é a própria menina.

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  3. Anônimo3/12/2018

    Achei o filme bem chatinho, só é melhor que o Invocação do Mal 2. Mas os efeitos especiais são bem feitos embora o espírito ficou parecendo um alien. Invocação do Mal 2 é ridículo, os efeitos especiais são péssimos demais, tudo excessivamente computadorizado e nem um pouco realista, esse Verônica é bem clichê, parece um Invocação do Mal 3, não vi nada demais nesse filme, comparar com O Exorcista foi dose, pra mim os melhores filmes de terror recentes continuam sendo Corra! e A Bruxa.

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  4. É o que está no catálogo da netflix sim. E mais um adendo. A freira cega diz que o caso não tem nada a ver com deus. E que a relação entre eclipse, lenda maia, portal abrindo e vendo a figura do "monstro" me parece que ele flerta com o terror espacial, e não espiritual. abs

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  5. Estou muito afim de assistir, se for mesmo melhor que invocação de mal 2 como dizem

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