Crítica: A Fera Assassina (2006) - Sessão do Medo

12 de fevereiro de 2018

Crítica: A Fera Assassina (2006)



Sempre tive a impressão de que bons filmes de lobisomens são peças raras no mercado: mesmo com os clássicos O Lobisomem (1941) e Um Lobisomem Americano em Londres (1981), não dá para negar que o monstro é vítima de longas muito ruins - Lobo (1994), protagonizado por ninguém menos que Jack Nicholson, é um deles. No entanto, garimpando pela Internet, é possível encontrar bons exemplares do gênero. Trazendo um lobisomem que fala e tem apetite sexual, A Fera Assassina (2006) rende uma hora e meia de diversão, risadas e tensão.

No filme do diretor Lance W. Dreesen, o tímido Derek (Trevor Duke-Moretz) leva sua melhor amiga Sam (Kimberly J. Brown) e os colegas da faculdade para passar a noite no chalé isolado do seu padrasto (Richard Tyson). Tudo ia bem até o grupo ser atacado por um lobisomem sádico que se diverte matando os jovens, restando apenas Derek e Sam de sobreviventes. A partir daí, a dupla passa a desconfiar que Mitchell, o padrasto do protagonista, é o responsável pelo massacre no chalé - suspeita que só aumenta quando eles vão investigando seu passado e seus comportamentos, como o estranho fato de ele sempre viajar em noites de lua cheia. 


Com estética que lembra um telefilme, A Fera Assassina (tradução péssima para Big Bad Wolf, título igualmente lamentável) é um longa para se assistir sem maiores pretensões. Logo, não se assuste com a computação gráfica ruim (a cena da transformação do padrasto na criatura é de dar vergonha alheia), com corpos mutilados que parecem feitos de plástico ou com a maquiagem de lobisomem que mais parece uma fantasia barata de Halloween - se eu não soubesse do que se tratava o enredo, confundiria o monstro com um gorila em sua primeira aparição (é sério!).

O que torna o filme um bom exemplar do gênero é o fato de o diretor e roteirista Dreesen abraçar a pegada trash e não tentar se levar a sério. A partir do momento em que o lobo parafraseia o clássico Os Três Porquinhos ("porquinhos, porquinhos, me deixem entrar! Com o ar dos meus pulmões, eu vou soprar, vou soprar e vou arrancar as suas tripas!"), o espectador se dá conta de que o longa não foi pensado com o objetivo de tirar o seu sono à noite ou de fazê-lo gritar no sofá. Afinal, terror não é só aquilo que assusta - se fôssemos usar isso como parâmetro, cairíamos em um fosso infinito de subjetividade, pois o que assusta um espectador pode não assustar outro. 


Assim, A Fera Assassina aposta na boa atuação de Richard Tyson como o vilão da história e no humor negro para conquistar o seu espectador. Humor que vai de uma cena em que o lobisomem chuta a cabeça de uma vítima e grita "gol!" até o diálogo que se segue ao estupro de um das personagens - algo que provavelmente teria repercussão negativa caso o filme fosse lançado hoje. Adiciona-se a tudo isso uma boa dose de tensão, na qual a todo momento temos o pressentimento crescente de que Derek e Sam vão ser flagrados vasculhando a vida de Mitchell.

O longa também traz, em uma espécie de tributo aos fãs do terror, duas referências aos filmes antigos de lobisomens. Uma delas está no sobrenome de Mitchell: Toblat, um anagrama para Talbot, que, por sua vez, é o sobrenome do personagem de Lon Chaney Jr. em O Lobisomem. A outra é a participação especial do ator David Naughton, o protagonista de Um Lobisomem Americano em Londres, no papel do xerife da cidade. 

Com todos esses ingredientes, não dá para negar que A Fera Assassina é uma ótima opção de entretenimento e uma presença obrigatória em listas de filmes de lobisomens.  

Obs: na versão dublada em português, o lobisomem tem uma voz bizarra, que o torna mais impossível ainda de ser levado a sério! Para quem quiser encarar o filme dublado, ele está disponível no Youtube. 
por Marcelo Silva

Título Original: Big Bad Wolf
Ano: 2006
Duração: 95 minutos
Direção: Lance W. Dreesen
Roteiro: Lance W. Dreesen
Elenco: Trevor Duke-Moretz, Kimberly J. Brown, Richard Tyson, Sarah Christine Smith, Robin Sidney, Sarah Aldrich

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