Crítica: Inside (2017) - Sessão do Medo

20 de fevereiro de 2018

Crítica: Inside (2017)


Se você for um diretor, tente correr de remakes. É um negócio arriscado e você tem que estar 100% confiante no seu material, principalmente em relação ao original, para que isso dê certo. Você também, como um espectador, precisa antecipar as reações do público, o que para um remake podem ser bastante previsíveis. Você precisa ter um objetivo muito claro em sua mente para adaptar um filme em outro filme e acima de tudo, você precisa ter um objetivo bom e perfeitamente justificável para refazê-lo. Em alguns casos, chega a ser absurdo o nível de cara de pau de algumas produções que refazem filmes lançados há menos de 10 anos, como foi o caso de Martyrs (2008), refilmado em 2016. Acontece que os americanos são famosíssimos por terem uma preguiça estupenda de ler legenda, então qualquer produção se torna menos atrativa se não for falada no idioma deles. Como uma forma de lucrar, eles então decidem fazer sua própria versão.

A vítima da vez é A Invasora (2007), um home invasion francês que faz parte do new french extremism, uma espécie de movimento cinemático do início dos anos 2000, geralmente envolvendo filmes de terror que são muito violentos e exploram a degradação do corpo, psicose, sexualidade, entre outros pontos. Então pode-se esperar muito sangue e gore e exemplos são Em Minha Pele (2002), Alta Tensão (2003), A Fronteira (2007) e o já mencionado Martyrs.


Em A Invasora, Sarah é uma viúva grávida que perdeu o marido tragicamente em um acidente de carro há poucos meses. Preparando-se para o parto, Sarah passará a véspera de Natal sozinha na casa que antes compartilhava com o amado e espera a visita da sua mãe, que a buscará para levar ao hospital. No entanto, durante a noite, uma mulher misteriosa bate à sua porta querendo entrar a todo custo. Depois de alguns eventos, Sarah se vê presa na própria casa com a maníaca que quer por alguma razão o bebê da protagonista.

No longa de 2007, as piores coisas acontecem. É praticamente impossível não deixar o queixo cair ou, pros mais fracos, virar o rosto, por que tem muita violência gráfica e psicológica. É um filme, de fato, perturbador. Então é óbvio que a contraparte americana não teria coragem de reproduzir toda a pancadaria e banho de sangue e optaria por algo mais simples. É o que acontece, embora Inside ainda tenha algumas doses satisfatórias de violência.

Apesar disso, é preciso comentar que é uma co-produção entre os EUA e a Espanha. O roteiro é assinado por Jaume Balagueró (REC) e a direção é de Miguel Angel Vivas (Horas de Medo). O trabalho dos dois preza o horror psicológico e o suspense, então não temos nada gratuito como o original mas sim algumas boas cenas tensas. O problema é que grande parte destas cenas são iguais às do original, então quem já viu A Invasora, só receberá algumas surpresas no final, que sim, é diferente. Nunca um remake americano teria colhões para fazer aquilo.


Rachel Nichols (P2 - Sem Saída) assume o papel da protagonista grávida enquanto a talentosíssima Laura Harring (Cidade dos Sonhos) faz a mulher psicopata, desempenhando uma performance muito boa, mas incomparável à de Béatrice Dalle no longa francês. As duas sabem como sustentar o filme sozinhas já que há poucos personagens além delas, com pouco tempo em tela também.

No geral, Inside não é um desastre. É só uma versão amenizada do original, que peca por não se arriscar mais. É aquele típico suspense Supercine que você assiste num sábado à noite quando está desocupado.
por Neto Ribeiro

Título Original: Inside
Ano: 2017
Duração: 85 minutos
Direção: Miguel Ángel Vivas
Roteiro: Jaume Balagueró
Elenco: Rachel Nichols, Laura Harring

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