Crítica: Sobrenatural - A Última Chave (2018) - Sessão do Medo

2 de fevereiro de 2018

Crítica: Sobrenatural - A Última Chave (2018)


Criado pela dupla James Wan e Leigh Whannell (Jogos Mortais), e produzido pela produtora BlumHouse Pictures, Insidious - ou Sobrenatural, como é intitulado aqui no Brasil - se tornou, em menos de 10 anos, uma das maiores franquias de terror dos anos 2010. Wan e Whannell estabeleceram uma mitologia e vários elementos a serem explorados em possíveis filmes seguintes.

primeiro apresentou o universo da franquia, o segundo expandiu tal universo, mostrando que o "The Further" era muito mais complexo do que imaginávamos, já o terceiro apenas usou elementos dos dois anteriores pra criar uma nova história. Sobrenatural: A Última Chave, dessa vez com direção de Adam Robitel (do competente The Taking of Deborah Logan) e roteiro de Leigh Whannell, tem a proposta de expandir um pouco mais o universo da franquia, mostrando o significado daquelas portas vermelhas vistas nos filmes anteriores e o passado de Elise.

Os eventos de A Última Chave antecedem os eventos dos dois primeiros e se passa logo após os eventos do terceiro, com o passado de Elise mostrado apenas em flashbacks. Na trama, Elise é contratada para investigar um caso na sua cidade natal, onde passou sua infância sofrendo abusos físicos do pai que a castigava por dizer que via espíritos no local, local esse que era localizado ao lado de um presidio onde prisioneiros eram executados pelo próprio pai de Elise, um homem que não fica muito atrás de um Jack Torrance no temperamento e na loucura. Elise agora precisa enfrentar os demônios do passado, voltado à casa que passou sua infância e adolescência para resolver um caso que pode estar relacionado com o seu passado.


O roteiro segue a cartilha da franquia, utilizando elementos já conhecidos ao invés de seguir um novo caminho. Por um lado, os fãs da série irão gostar por ter tudo o quê se espera em um filme da franquia, por outro vão ter a sensação de Déjà vu, ainda mais pelo fato do roteiro ter potencial, mas não explorar isso a favor do filme. O passado de Elise é contado de forma breve e é, sem dúvida, a parte mais interessante em comparação aos anteriores. Há também duas coisas mal exploradas que se ganhassem mais destaque traria um melhora significava: a tal prisão com corredor da morte onde muitos dos presos foram executados pelo pai de Elise, poderia ter sido usado como ponto chave pra cenas de tensão e suspense, mas é completamente ignorado pelo roteiro e as tais portas vermelhas já apresentadas antes na franquia e que servem como passagem entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos. A proposta era explorar isso, mas, pelo visto, isso foi prejudicado pela edição final do filme que cortou várias cenas presentes no trailer, incluindo aquela em que os espíritos aparecem em portas e em celas da prisão.

Outro ponto contra é a dupla Specs (Angus Sampson) e Tucker (Leigh Whannell), que desde o primeiro servem como um suposto alivio cômico, que na real só servem pra quebrar a tensão de várias cenas em que a construção de clima era necessária. Os atores são carismáticos, mas os personagens parecem deslocados desde o primeiro filme nas cenas de terror. A direção de Adam Robitel nem de longe e tão segura ou inspirada como a de James Wan. Há jumpscares genuínos, mas sem tensão ou criatividade... E por falar em falta de inspiração, a entidade da vez é o exemplo máximo disso, um demônio com as pontas dos dedos em forma de chaves, chaves que abrem as tais portas vermelhas que eu mencionei e também pode silenciar gritos (?!?!)

Sobrenatural: A Última Chave tem mais potencial que qualidade e a franquia já mostra sinais claros de desgaste por usar sempre os mesmos elementos e ideias já usadas antes.. Porém, tem algumas qualidades e fecha bem o ciclo da franquia em termos narrativos, fazendo até uma ligação com o primeiro filme e mostrando o motivo do Dalton ser assombrado no primeiro filme sem soar forçado. Não irá entrar na nossa lista de melhores do ano, mas é um filme que vale uma conferida pra quem é fã da franquia e não se importa em ver mais do mesmo.
Por Marcelo Alves

Título Original: Insidious: The Last Key (Original)
Ano produção: 2018
Dirigido por: Adam Robitel
Produtores: James Wan, Jason Blum
Leigh Whannell, Oren Peli
Elenco: Lyn Shaye, Leigh Whannell, Angus Sampson,
Spencer Locke, Josh Stewart
Duração: 103 minutos
Classificação: 14 anos

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