Crítica: Wolf Creek | 2ª Temporada (2017) - Sessão do Medo

2 de fevereiro de 2018

Crítica: Wolf Creek | 2ª Temporada (2017)


Quando foi lançado em 2005, o longa Wolf Creek do australiano Greg McLean aterrorizou audiências nos festivais e criou aquele clássico burburinho em volta da produção. Hoje em dia, o filme é considerado um dos melhores exemplares de terror dos anos 2000 e já gerou uma ótima continuação em 2014. Mas desde então a franquia não ganhou mais capítulos. A história do serial killer Mick Taylor, interpretado por John Jarratt, continuou de outra forma: na televisão.

O canal aussie Stan lançou a ousada primeira temporada da série em 2016, também dirigida por Greg McLean, que sempre está completamente envolvido em qualquer ramificação de seu filme. No entanto, a série desapontou os fãs por trazer uma história enfadonha e que deixava o sempre protagonista (Mick Taylor) de lado, basicamente como figurante de luxo. Mas já que por lá a série fez um moderado sucesso, a segunda temporada foi anunciada e a esperança era que fosse superior. E é agora que eu digo meus amigos: foi!

Lançada no finalzinho de 2017, o segundo ano trazia uma nova história como se é de costume: um grupo de turistas em um ônibus que passeia por pontos interessantes do sul da Austrália se veem na mira de Mick Taylor. São basicamente 14 novos personagens para o assassino brincar a vontade - e quem se diverte somos nós!


A tripulação do ônibus guiado por Davo (Ben Oxenbould) é bem variada, tanto em nacionalidade, quanto em diversidade. Dentre os personagens estão o casal americano Rebecca (Tess Haubrich) e Danny (Charlie Clausen), viajando na tentativa de salvar o casamento; as amigas canadenses Kelly (Laura Wheelwright) e Michelle (Elsa Cocquerel); a família alemã composta por Tom (Chris Haywood), Nina (Felicity Price) e a filha adolescente Emma (Josephine Langlord); o solitário Brian (Matt Day); o casal Steve (Jason Chong) e Johnny (Adam Fiorentino); o ex-militar Bruce (Christopher Kirby); o fotógrafo Wade (Elijah Williams); e o britânico linguarudo Richie (Stephen Hunter).

Durante uma parada em um posto de gasolina, Mick os encontra e decide colocar um alvo em suas costas. Depois de matar o motorista, ele assume o controle do ônibus fingindo ser um motorista substituto e acaba drogando todos os passageiros. Quando eles acordam, um dia depois, estão bem longe de onde deveriam estar, no meio do deserto australiano, com o ônibus quebrado e sem nenhum meio de comunicação com o mundo externo. E então começa a caçada!

Mesmo com apenas 6 episódios - e funcionando como uma minissérie já que a temporada anterior não influencia nesta (embora uma certa cicatriz seja familiar) -, Wolf Creek apresenta alguns desgastes, visto que a história em si funcionaria melhor como um filme, do que como um evento de 300 minutos. Ainda assim, a direção ágil de Greg McLean consegue nos manter tensos o bastante para aproveitar toda a estadia neste pesadelo australiano.


Os três primeiros episódios estabelecem muito bem o novo enredo e traz algumas surpresas que podem te chocar, visto que eles servem para "passar a peneira" e separar os personagens que irão se destacar no destino final. A coisa desanda um pouco na segunda metade, onde algumas situações são apresentadas para encher a linguiça e completar os 6 episódios. Uma delas, envolvendo indígenas australianos, não favorece o produto por destoar do resto da história, embora tecnicamente seja verossímil.

Outra coisa que incomodou bastante é essa imunidade descomunal do Mick. Quem já viu os dois filmes e a primeira fase da série sabe que basicamente, ele é o protagonista e é mais fácil todos os outros personagens morrerem ou se machucarem gravemente do que ele. No entanto, aqui já beira o absurdo e quem assistir vai entender o que estou falando.


Agora vamos pros pontos positivos: A temporada aproveita todo o deserto australiano (que já foi bem explorado no segundo filme, que pra mim é o melhor) e isso resulta em várias cenas bacanas e criativas. Os personagens, por serem bem diversificados e alguns deles carismáticos, são fáceis de se conectar e não é muito difícil se pegar torcendo por alguns à medida que os episódios passam.

Um dos maiores erros da primeira temporada foi subutilizar o Mick Taylor, mas aqui isto é corrigido. Mick aparece bastante mas o suficiente para que sua presença seja sentida e não soe gratuita. O John Jarratt continua dando um show de intimidação, visto que parece que nós que estamos sendo intimidados pelo Mick e não os personagens. Cenas onde ele encara algum personagem enquanto conversa com ele são só um exemplo disto.

Também voltando às origens e se afastando do uso desnecessário de CGI, a temporada conta com bons momentos de gore. Somando tudo isso, a segunda temporada de Wolf Creek surpreende ao ser bem melhor do que a primeira e trazer um pouco do gostinho deixado pelos filmes. Se a série vai ser renovada, ainda não se sabe. Foram deixados alguns ganchos, mas que podem ser facilmente aproveitados num terceiro filme pra fechar a trilogia. De toda forma, estaremos aqui pra conferir!

por Neto Ribeiro

Criada por: Greg McLean
Canal: Stan
Episódios: 6
Elenco: John Jarratt, Tess Haubrich, Matt Day, Laura Wheelwright, Chris Haywood, Felicity Price

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