Crítica: Amityville 3D - O Demônio (1983) - Sessão do Medo

29 de março de 2018

Crítica: Amityville 3D - O Demônio (1983)


E chegamos à parte 3 da franquia de terror mais longa da história, a saga da casa assombrada mais famosa do mundo, Amityville.  ‘Amityville 3-D O Demônio’ veio numa época em que várias sequências de número 3 dos anos 80 eram feitos na versão 3-D como: “Sexta Feira 13 3-D (1985)” e “Tubarão 3-D” (1983). O filme foi dirigido por Richard Fleischer e escrito por David Ambrose (sob o pseudônimo de William Wales).

Depois da prequel de 1982, a franquia tomou novos rumos. A partir da terceira parte, o longa ignora os acontecimentos dos capítulos anteriores e segue uma narrativa que não condiz com o que acontecera na vida real, adotando um roteiro puramente ficcional, apesar de que ele mencione o caso dos DeFeos em um momento. Esse foi o único filme da Orion Pictures filmado em 3-D, devido a um processo entre a família Lutz e Dino De Laurentiis sobre o enredo que não envolvia a família Lutz, na verdade, esse problema com os Lutz já vinha acontecendo desde o segundo filme onde a trama narrava a história dos Montellis, baseado nos DeFeos, e nas minhas pesquisas pude notar que se dependesse do falecido George Lutz, todos os 20 filmes de Amityville, focariam nele e na sua família.

Na história verdadeira, existiam basicamente dois grupos de indivíduos. Os que acreditavam na versão de que a casa era assombrada, e os que acreditavam que tudo aquilo não passava das loucuras de Ronald DeFeo e de uma armação dos Lutz para se livrarem da hipoteca após a declaração de falência dos seus negócios. Bem, o filme foca na história de John Baxter que representa esses céticos que achavam que tudo era uma mentira, mais precisamente, em Stephen Kaplan, que na época estava tentando provar que a história dos Lutzes era uma farsa.

Partindo para o roteiro, o protagonista da vez, como disse antes, é John Baxter (Tony Roberts), um jornalista que junto com a sua parceira fotografa, Medanie (Candy Clark), são especializados em revelar fraudes relacionadas ao paranormal. Logo no começo, eles descobrem uma farsa de um grupo de ‘paranormais’ durante uma sessão espiritual na infame casa da Ocean Avenue Nº112, Amityville, famosa pelos acontecimentos passados.    

Baxter estava atrás de uma casa para morar, John vê que Amityville era a residência ideal para ele uma vez que o preço estava muito abaixo do mercado e ele não acreditava em assombrações ou em demônios. Ele faz negócio com o corretor Clifford Sanders (John Harkins), e pronto, o jornalista passa a ser o mais novo dono daquela residência.

Daí para frente não é surpresa o que vai acontecer, na medida em que o tempo passa, pessoas vão morrendo de circunstâncias estranhas, e aparições sobrenaturais tomam conta da rotina de John, de seus amigos e de sua família. Pode-se dizer que o filme toma rumos bem duvidosos, existe uma cena em que John está no elevador e algo acontece fazendo com que o elevador suba e desça em alta velocidade, a cena é digna de riso, é o máximo que você vai fazer ao assisti-la, e não dá para entender o porquê de deixarem ela ali, foi algo sem noção, mas situações como essa vão acontecer durante o filme inteiro.

Medanie, tenta de várias formas, convencer o parceiro de que havia algo de errado com a casa, primeiro as fotos que ela tirou na residência mostrava algo estranho, o rosto deformado  de Clifford, que morreu dentro da casa. Depois ela fica presa num cômodo dentro da residência, mas nada o convence. E para se ter uma ideia da falta de cuidado com o roteiro, depois que Medaine sofre um acidente e vem a óbito, ninguém no filme sente falta ou menciona o nome dela outra vez, e olhem que ela era a parceira de trabalho do John. 

Há um momento em que a filha de John, Susan (Lori Loughlin), faz um tabuleiro de ouija junto com um grupo de amigos, a entidade fala que a jovem está correndo perigo, mas ninguém liga. Esse foi um ponto que achei interessante da película, o desfecho da encrenca que a moça se meteu e no que ela resultou. Além disso, a aparição de uma entidade para Nancy Baxter (Tess Harper), a ex-esposa de John, deixa tudo claro, ao mesmo tempo em que é uma coisa simples, se torna um pouco impactante pelo contexto da trama.

Nos últimos momentos, John finalmente acredita no paranormal, e tenta sair da casa com Nancy para evitar uma morte horrível e muito... Estranha. Durante a fuga, ele sai correndo pela casa desmoronando com Nancy enquanto todos os seus colegas vão morrendo soterrados. 

Amityville 3 é um longa decepcionante, parado e sem muita imaginação. Até há alguns momentos bons como a aparição de Susan, a jovem toda molhada e sem expressão subindo as escadas para o seu quarto (talvez a melhor cena do filme). E as referências da história original como: As janelas ficarem geladas repentinamente em certos momentos, as aparições das moscas e os zumbidos irritantes delas que aparecem a quase todo momento. Porém, o produto como um todo, não dá tensão e nem impressiona, o filme está ali e, ok. Não tem o mesmo impacto que os dois primeiros capítulos tiveram, e isso é uma pena.


A destruição da casa não fez sentido algum para mim. O Demônio quis pegar Nancy, mas acabou pegando o parapsicólogo Elliot West (Robert Joy) que junto com sua equipe, se estabeleceram na casa para provar se Nancy realmente viu ou não uma entidade na casa, e a moradia começa a desmoronar sem mais e nem menos. É como se o demônio se suicidasse, o que me leva a concluir que aquele final nada mais é do que, além de tentar dar um fim a trilogia de uma forma pouco criativa, tentar ganhar o público com efeitos em 3-D que não são lá grande coisa, a tecnologia é usada de uma forma bem porca, pare se ter uma ideia, eles usaram a terceira dimensão para um disco de frisbee voando na direção da tela. Eu sei que o ano do filme é de 1983, mas isso não impede de eles usarem a técnica em situações que poderiam dar mais impacto.  

Outra coisa que incomodou foi a mudança do quarto vermelho que ficava no porão para um poço sem fundo onde todos vivem falando que aquilo é a passagem para o inferno, que é local onde a Samara o demônio sai. Não entendi o porquê dessa mudança e ficou algo tão genérico e sem graça que não se encaixa no filme.

Apesar de todos esses problemas, não estamos falando do pior filme da franquia, acredite! Têm ‘Amityvilles’ piores. Nota: 4,0.
Uma curiosidade é que temos a participação de Meg Ryan no filme em um de seus primeiros papéis, só que o papel dela não é de destaque, sendo apenas uma das amigas de Susan.

Outra curiosidade do filme é que as cenas externas da casa foram feitas em Toms River, Nova Jersey. O interior era um cenário num estúdio do México. Os cineastas quase não fizeram filmagens da casa porque ela estava programada para ser pega e movida por um lote. Eles só conseguiram filmar as tomadas externas antes que a casa fosse movida.Originalmente, a casa tinha quatro janelas em forma de lua, duas em ambos os lados que dava de frente para a rua e para o rio. No entanto, no momento da filmagem em 3D, os donos da casa não queriam que as janelas de meia lua estivessem do lado da casa, de frente para a rua, de modo que eles as modificaram para parecerem pequenas janelas quadradas comuns. Todas as fotos das janelas de meia lua (exceto a cena mais perceptível quando John e Susan chegam à casa) tiveram que ser filmadas do lado do rio que tem o deck. Veja abaixo as fotos da casa usada para esse filme nos dias atuais. 



FICHA TÉCNICA

Titulo Original: Amityville 3D.
Titulo brasileiro: Amityville 3-D ou Amityville 3D O Demônio.
Diretor: Richard Fleischer.
Roteiro: William Wales.

Elenco: Tess Harper (Nancy Baxter), Tony Roberts  (John Baxter), Candy Clark (Melanie), Carlos Romano (David Cohler), Frederikke Borge (Elliot's Assistant).

Sinopse:Um cético repórter, John Baxter, compra por um preço bem baixo, já que ninguém queria o imóvel, a assustadora casa de Long Island, onde já tinham havido várias mortes. Logo John constata que a razão deste temor não eram tolas superstições e sim algo bem terrível.

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