Crítica: Aniquilação (2018) - Sessão do Medo

14 de março de 2018

Crítica: Aniquilação (2018)


"Quando passamos a ver beleza na desolação, algo muda dentro de nós. A desolação tenta nos colonizar."

Esta frase foi tirada do livro Aniquilação, escrito por Jeff VanderMeer e que consequentemente serviu de inspiração para o longa dirigido por Alex Garland (Ex Machina). Antes de eu começar a decorrer sobre a produção, vou dar um pequeno background do lançamento dela para vocês entenderem melhor. O filme é da Paramount Pictures e a princípio seria lançado mundialmente nos cinemas. Uma "briga" ocorreu internamente, onde David Ellison, um dos financiadores da Paramount exigiu mudanças no filme (como um final menos complicado e outras alterações no decorrer do longa), o que não agradou Garland e o produtor Scott Rudin. Aniquilação então foi vendido para a Netflix juntamente com outro filme do catálogo da Paramount, The Cloverfield Paradox, embora o primeiro ainda tenha tido uma estréia limitada nos cinemas mês passado.

A decisão no final das contas foi acertada, visto que Aniquilação obviamente não é uma ficção científica para as massas. Assim como outros filmes ambíguos lutaram para achar seu público nas salas de cinema como Blade Runner - O Caçador de Androides (1982), Donnie Darko (2001) e mais recentemente Mãe! (2017), Aniquilação não se sairia tão bem nas bilheterias e o acordo talvez tenha sido a melhor escolha. Vale comentar que, embora seja baseado no livro de mesmo nome que na verdade é o primeiro de uma trilogia, Aniquilação é mais uma adaptação livre que o diretor quis fazer da premissa. Muitas coisas são semelhantes ao material original mas há mudanças significativas que dão uma particularidade à produção.


No geral, a história segue a mesma. Lena (Natalie Portman) é uma bióloga ex-militar que atualmente leciona numa universidade. Um ano atrás, seu marido Kane (Oscar Isaac), saiu em uma missão secreta e não ouviu-se mais dele. Quando ele retorna repentinamente, Lena percebe que seu marido não é o mesmo. Apenas algumas horas depois, Kane passa mal e a caminho do hospital, eles são interceptados por militares.

Quando Lena acorda, ela se encontra numa base onde descobre através da Dra. Ventress (Jennifer Jason Leigh) a situação. Em algum lugar dos EUA que não é especificado, está a Área X. Neste local, uma força crescente orgânica chamada de "Brilho" vem se espalhando há três anos e segundo estudos, a tendência é apenas aumentar. Várias equipes foram enviadas para dentro do Brilho mas de todas elas, apenas uma pessoa retornou: Kane. Uma nova equipe liderada pela Dra. Ventress irá adentrar a área para coletar mais informações e quem sabe alcançar o Farol, onde a força se concentra.

Lena logo se oferece para ir na missão, acompanhada da paramédica Anya (Gina Rodriguez), a física Josie (Tessa Thompson) e a geomorfóloga Sheppard (Tuva Novotny) - mas não as informa de seu parentesco com o único sobrevivente do Brilho. Juntas, as 5 mulheres embarcam nessa viagem sem nenhuma certeza de que voltarão vivas e sem nenhuma certeza do que irão encontrar.


Intrigante do início ao fim, Aniquilação acerta exatamente ao trazer uma visão única para a história. Garland revelou que leu o livro apenas uma vez e decidiu fazer o roteiro a partir das memórias, portanto, fidelidade não era seu foco. O diretor indicado ao Oscar pelo roteiro de Ex Machina: Instinto Artificial (2015) não tem medo de ser ambicioso e ousado. Sem explicações mastigadinhas, o filme instiga o público a pôr a massa cinzenta pra funcionar e além de trazer uma ótima abordagem intelectual envolvendo horror cósmico, ainda traz um show visual que, embora apareça enferrujado em alguns momentos devido à computação gráfica, vale a pena.

O único receio que tenho em relação ao longa é a falta de desenvolvimento pessoal nas personagens. Enquanto a de Portman claramente recebe mais atenção devido à sua posição na estrutura como protagonista, as outras poderiam ter sido mais trabalhadas para que o público se conectasse melhor com a história. Pequenas coisas são mencionadas aqui e ali mas não são o suficiente e as personagens basicamente funcionam à base do carisma das atrizes.

Por outro lado, a direção de Garland é excelente e sabe proporcionar momentos tensos como a da foto acima, envolvendo um urso mutante que reproduz a voz de suas vítimas na hora do ataque. Definitivamente, uma das cenas mais perturbadoras do ano. Outra que merece destaque é uma no terceiro ato envolvendo Lena e algo que não vou mencionar mas não estragar a experiência de ninguém.

Flertando com Stalker (1979) e O Enigma de Outro Mundo (1982), Alex Garland mostra que chegou para ficar em seu segundo longa-metragem, trazendo uma ficção científica extremamente madura e que não vai sair da sua cabeça tão cedo. Pretendo rever o quão antes possível para aperfeiçoar minhas teorias e talvez notar coisas que não notei da primeira vez. E sem dúvidas, elas estarão lá.

por Neto Ribeiro

Título Original: Annihilation
Ano: 2018
Duração: 115 minutos
Direção: Alex Garland
Roteiro: Alex Garland
Elenco: Natalie Portman, Oscar Isaac, Jennifer Jason Leigh, Gina Rodriguez, Tessa Thompson

11 comentários:

  1. Anônimo3/14/2018

    Maldita modinha de ter que meter mulher em massa nos filmes, uma equipe com 5 mulheres?? pqp... Isso ai eh missão pra Stalone e cia... Como sempre foi..

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    1. Falou pouco mas falou bosta.

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    2. Anônimo3/15/2018

      Talvez tu goste dessa geração afeminada, mas pelo menos tu publicou meu comentário.

      O site de voces eh muito bom, meu problema eh essa netflix politicamente correta

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    3. Não, o problema não é da Netflix. Longe disso. A Netflix comprou o filme depois que ele já estava pronto, como já foi explicado na crítica. Longe disso. O livro já trazia as personagens femininas como protagonistas. Longe disso. Nada de errado nas moças liderando a missão, visto que pelo menos no livro, 12 equipes de homens militares armados até os dentes foram enviadas e apenas um voltou (e se você viu o filme, talvez nem seja ele mesmo). Então esse pensamento machista só mostra que o que está errado mesmo é você.

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    4. Anônimo3/15/2018

      tudo bem, o filme pode ser uma exceção, mas eh praticamente impossível hj em dia tu ver uma serie da netflix e nao ter um casal gay..

      A formula antiga, de uma equipe de homens, com uma ou duas mulheres que sempre sobrevivem no final era muito boa, vide todos os aliens, predador, e tantos outros.. formula básica mas que funcionava..

      Agora eh caca fantasmas mulheres, oceans 11 mulheres, esse filme..

      Acho essa moda um saco, so isso

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    5. Isso se chama representatividade. O mundo não é feito de apenas heteronormativos e, aliás, não é só a Netflix que aborda várias minorias em suas produções. A solução para isso é só não assistir, fácil fácil. Mas representatividade importa, abra a mente um pouco.

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  2. Anônimo3/14/2018

    ótimo filme!!!

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  3. A Grande maioria , n gostou do filme , ainda mais de um diretor q fez Ex Machina q é fabuloso !

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  4. Pqp... Estamos todos aqui pra comentar sobre " cinema " e não sobre machismo, feminismo, racismo, fascismo Rsrsrs, heterossexuais ou homossexuais. Conclusão: um perguntou bosta e o outro respondeu mais bosta ainda

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  5. Da para se divertir com esse filme na Netflix e dowloads no cinema ia tomar bucha.

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  6. O filme é itimo,talvez fsltou um pouco nsusdem tempo pra completar a hudtoris!
    Mas é diferente de todos os filmes de ficção eu já vi.
    Espero uma continuaçao.

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