Crítica: Hellraiser - Julgamento (2018) - Sessão do Medo

18 de março de 2018

Crítica: Hellraiser - Julgamento (2018)


Hellraiser é uma daquelas franquias que conseguiu o seu espaço na história do gênero de terror, ele trouxe um dos vilões mais icônicos do cinema, o Pinhead e os seus aliados Cenobitas. Pode-se dizer que a primeira quadrilogia tinha uma ordem cronológica, seguia um ritmo e dava para tudo ser encaixado numa linha temporal. A partir do 4, a franquia passou a adotar a ideia de filmes independentes que (com exceção de 'Hellraiser 6' de 2002) segue histórias independentes, sem conexão uma com a outra.

O problema foi que a fórmula de sucesso foi se perdendo com o passar do tempo, e os filmes foram perdendo a qualidade. Doug Bradley foi o responsável por dar vida ao grande vilão, porém, depois de ‘Hellworld’ de 2005, com 8 filmes interpretando o antagonista, abandonou o seu caractere mais famoso, assim, dando espaço para Stephan Smith Collins fazer o seu Pinhead no péssimo ‘Hellraiser Revelations’ de 2011, o que pode-se dizer que é o fundo do poço da franquia... Até agora.

Sete anos depois do desastroso ‘Revelações’, o ‘Hellraiser Judgement’ foi dirigido, escrito, e atuado pelo artista de efeitos visuais, Gary J. Tunnicliffe. 

Logo no começo o filme se auto explica mostrando como o grande vilão, Pinhead, passou a atuar usando Carl Watkins como a sua primeira vitima. Num mundo onde os pecados ficaram mais intensos e frequentes, foi necessária essa mudança. Isso é até um ponto curioso, nos filme, a famosa caixa tinha um papel importante na escolha das vitimas dos Cenobitas, nesse filme, a caixa, apesar de não ser descartada, possui um destaque e participação minima. 

As vitimas escolhidas recebem um convite para aparecer numa casa, ao chegarem lá, são imobilizadas e passam por uma espécie de julgamento onde a pessoa fala de seus pecados com o Auditor que vai escrevendo tudo na sua maquina de datilografar. Se o júri (composto por três mulheres deformadas) decidir que a vítima é culpada, ela vai desfrutar de uma morte bem dolorosa feita pelo Açougueiro e pelo Cirurgião, dois demônios bem bizarros.

Cá entre nós, o ritual para determinar se a pessoa é culpada ou inocente, é bem nojento, consiste em comer papel com ‘lagrimas de crianças’ e vômito. Mas, tudo isso é mal explorado e mal feito, talvez isso se deva ao baixo orçamento do filme, uma estimativa de 350 mil dólares. Então não espere cenas nítidas de gore e mortes bem feitas, na verdade, nem dá para entender o que está acontecendo em alguns momentos, chegando beirar ao amadorismo.  

Depois dessa introdução meia boca (porém, uma das mais interessantes do filme), a história foca em três detetives: Christine Egerton, e os irmãos Sean e David Carter que começam a investigar assassinatos relacionados aos 10 mandamentos, assassino esse chamado por eles de 'Preceptor', descobrir quem é o assassino e levá-lo a justiça é o foco do trio que vai mergulhando num mundo bizarro conforme avançam. Após uma leve investigação, o detetive Sean chega ao local onde acontece o julgamento, uma casa na rua Ludovico, nº 55. Ele é pego, no entanto o homem consegue fugir levando consigo a famosa caixa. Essas cenas de investigação são bem chatas porque não acontecem nada de interessante, você fica na expectativa de ver algo tenebroso ou de ter uma história legal, mas não acontece nenhuma coisa e nem outra.

O final até conta com uma reviravolta, mas que não impressiona, a solução encontrada para o desfecho é preguiçosa e a impressão que se tem é que você perdeu tempo assistindo isso por uma hora e vinte minutos. É aquele ditado: “Não há nada ruim que não possa piorar”, e me refiro a franquia como um todo, se você não gostou de ‘Hellraiser Revelations’, vai odiar esse aqui.

O elenco é composto por atores que fizeram vários trabalhos, então possuem uma certa experiência, mas também parecem estar muito desanimados com esse projeto. Gente, no elenco, temos: Heather Langenkamp, Gary J. Tunnicliffe e Paul T. Taylor. A equipe tinha tudo para fazer um filme divertido com boas homenagens e referências tanto aos filmes anteriores quanto a outros filmes do gênero. Mas não, o que temos aqui é um show de horrores em atuação, com personagens inexpressíveis da qual ninguém se importa se vive ou morre, além do fato de usarem muito mal os atores que tinham em mãos, por exemplo, a participação de Langenkamp foi pífia.  

O que dizer sobre o grande ícone da franquia? Pinhead (dessa vez, interpretado por Paul T. Taylor)... Ele foi reduzido a um coadjuvante cujo seu papel ficara a atrás do verdadeiro destaque, o Auditor (vivido por Gary J. Tunnicliffe), responsável pelos julgamentos. Tanto o vilão com os pregos no rosto quanto os outros cenobitas, aparecem bem pouco no longa. Não espere um banho de sangue provocado por eles! E para a cereja do bolo, o capítulo conta com a participação da ‘Porteira do Éden’, Jophiel (interpretada por Helena Grace Donald) que têm objetivos genéricos e destoa da história. Tipo, você vê os cenobitas num lugar sujo e cheio de corrente, e de repente aparece aquele ser irradiado de luz, angelical e contrastante com Pinhead, mas com um objeto furado que não leva a lugar algum, só está ali para ser a ferramenta que conclui a saga do Pinhead, jogado a força e o público tendo que engolir.



A história dos julgamentos até que tinha potencial, mas foi tão mal explorado que ficou desinteressante. Para mim, pelo trailer já dava para ver que o longa não seria bom, mas é triste assistir a esse capítulo e ver que eu estava certo, e que provavelmente nunca mais verei aquele Pinhead e os cenobitas de outrora nos cinemas, isso frustra bastante.

Então, para encerrar, pode-se dizer que ‘Hellraiser: O Julgamento’ é um filme fraco, um dos piores da franquia, se não for o pior. É mal feito, mal interpretado, mal dirigido. Esse pode ser o prego que faltava para enterrar a franquia. Isso leva a concluir que esse filme, assim como o antecessor, nada mais foi do que um  filme feito para que a Dimension Films continuasse com os direitos sobre a franquia, nos entregando algo indigno. Mas, digo a vocês, se for para continuar fazendo essas besteiras, é melhor que a franquia migre para uma empresa mais séria e que dê a franquia o filme que o público espera para ver há anos. 

Curiosidade: O local onde acontece o julgamento é no endereço: casa 55 Ludovico. Esse é o nome do tratamento usado no filme 'Laranja Mecânica'.

Nota: 2,0.

FICHA TÉCNICA

Titulo Original: Hellraiser Judgement.
Titutlo Brasileiro: Hellraiser Julgamento. 
Diretor: Gary J. Tunnicliffe.
Roteiro: Gary J. Tunnicliffe.
Elenco: Alexandra Harris (Detetive Christine Egerton), Damon Carney (Sean Carter), Heather Langenkamp (Landlady), Jeff Fenter (Carl Watkins), Paul T. Taylor (Pinhead), Randy Wayne (Detetive David Carter), Rheagan Wallace (Alison Carter).

Sinopse: Os detetives Sean e David Carter estão em um caso para encontrar um macabro assassino em série que aterroriza uma cidade. Unindo forças com a detetive Christine Egerton, eles investigam a fundo um labirinto espiral de horror que pode não pertencer a este mundo.


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