Crítica: O Segredo de Marrowbone (2017) - Sessão do Medo

11 de março de 2018

Crítica: O Segredo de Marrowbone (2017)


Por mais que, obviamente, exista há bem mais tempo, o cinema de horror espanhol só ganhou destaque internacional com Os Outros (2002), suspense dirigido por Alejandro Amenábar e estrelado por Nicole Kidman no papel de uma mãe que cuida de seus filhos doentes em uma grande mansão enquanto seu marido está na guerra. Baseado em outro clássico, Os Inocentes (1961), o suspense gótico arrancou elogios do público e da crítica, sendo até hoje considerado um dos melhores filmes (não só de terror) dos anos 2000. Desde então, outras produções espanholas veio chamando atenção mundo afora, sendo O Orfanato (2007) uma delas.

A menção desses longa-metragens não é irrelevante para a crítica. Marrowbone é como se Os Outros e O Orfanato tivessem um filho. As coincidências não param por aí. Sergio G. Sánchez, diretor do filme à qual a crítica é dedicada, escreveu o segundo e é óbvio que suas inspirações são principalmente essas duas produções, não só visualmente quanto narrativamente.


Situado no fim dos anos 60, Marrowbone acompanha uma família inglesa que se muda para uma pequena cidade americana a fim de se esconder do pai dos garotos, um violento criminoso que agora está à sua procura. Mudando de sobrenome e se isolando numa casa de campo, a mãe logo adoece e sucumbe às suas condições. Antes de ir, ela faz o filho mais velho, Jack (George MacKay, Capitão Fantástico) prometer que cuidará dos irmãos e que irão se esconder do mundo até ele completar 21 anos, onde poderá oficialmente ser responsável por Billy (Charlie Heaton, Stranger Things), Jane (Mia Goth, A Cura) e o caçula Sam (Matthew Stagg, Macbeth).

O moço nutre uma paixão pela carismática "vizinha" Allie (Anya Taylor-Joy, A Bruxa) e às vezes consegue escapulir para se reunir com a amada. Porém, a garota também é a fonte das paixões do advogado Tom (Kyle Soller), que é responsável pela papelada da venda casa dos Marrowbone. A junção dessas tramas e a revelação de segredos do passado dos irmãos resultará num assustador desfecho.

Funcionando como um drama com toques de suspense, Marrowbone impressiona por sua qualidade técnica. Sergio G. Sánchez, que trabalhou com figuras como Guillermo Del Toro e J.A. Bayona, aprendeu bastante e põe tudo em prática com uma direção excelente, em conjunto de uma bela fotografia, que consegue transpor toda a tensão e sensibilidade da história em ótimos enquadramentos e jogo de câmera.


O roteiro é longo, tem quase duas horas, mas trabalha bem todos os personagens e também trabalha bem o mistério que Marrowbone esconde. Dando a entender que estamos lidando com uma trama sobrenatural, Sánchez nos engana e principalmente nos prende à história. O crédito, no entanto, deve ser dado ao jovem elenco de talentosos (e põe ênfase nisso) atores. O quarteto principal são promissores e elogiados em produções recentes e aqui não fazem feio, visto que os jovens são o foco do filme e não há muitos personagens adultos.

Agora, vocês podem estar se perguntando: "há um mas?". Sim, há. Por mais tenso e bem escrito que seja o roteiro, há algo que incomoda bastante. As similaridades com os supracitados Os Outros e O Orfanato não chegam a ser apenas inspirações visuais, mas sim em termo de história. Quando o filme termina e os créditos sobem, é deixado um amargo gosto familiar de "eu definitivamente já vi isso antes". Claro que não é um erro grotesco do filme e dentro de sua própria narrativa, Marrowbone funciona como um bom thriller, mas como já falei, as similaridades são muitas para fazer vista grossa.

Embora pegue emprestado de outros filmes do gênero, Marrowbone é um bom suspense espanhol (mesmo que seja falado em inglês, assim como Os Outros) e uma boa pedida para quem quer ver aquele filminho SuperCine de noite. Tinha muito potencial para ser algo mais grandioso e marcante, mas mesmo não sendo, consegue suprir duas horas de diversão.

por Neto Ribeiro

Título Original: Marrowbone
Ano: 2017
Duração: 110 minutos
Direção: Sergio G. Sánchez
Roteiro: Sergio G. Sánchez
Elenco: George MacKay, Anya Taylor-Joy, Charlie Heaton, Mia Goth, Matthew Stagg, Kyle Soller

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