Crítica: Os Estranhos (2008) - Sessão do Medo

16 de março de 2018

Crítica: Os Estranhos (2008)


Já se faz quarenta anos desde que John Carpenter aterrorizou as audiências em sua obra-prima seminal Halloween, onde transpôs na tela um medo que era comum naquela época. No longa, uma jovem adolescente que por nenhum motivo aparente é aterrorizada por um estranho mascarado na noite de Halloween. O mistério por trás das razões de Michael Myers, que é tratada como uma figura quase onírica no filme de 78, é desmanchado na sequência lançada três anos depois. Mesmo assim, a sensação causada pelo filme ainda perdura em projetos realizados nos dias atuais. Outros filmes, como Mensageiro da Morte (1979), que basicamente é uma cria de Halloween, também explora esse tipo de situação, onde uma babá recebe ligações de um estranho. Para quem não ligou os pontos, este é o filme que originou Quando um Estranho Chama (2006). 

De todas as formas, esse tipo de quebra da ideia de segurança entre as paredes de seu lar acabou sendo um tema importantíssimo nos filmes de terror dos anos 2000. Depois que Casey Becker foi brutalmente morta na abertura de Pânico (1996) e outros diversos filmes que se seguiram abordavam a mesma situação, chegou a vez de um subgênero propriamente dito firmar seu lugar. Não que os home invasions tenham sido criados nesse milênio, mas foi nos anos 2000 que eles chegaram para ficar.


Alta Tensão (2003) flerta com o gênero mas foi com outra produção francesa que tudo "começou". Eles (2006) conta a história de uma professora e seu marido que compram uma enorme casa isolada e que, durante uma das noites, são surpreendidos por algumas pessoas que não estão ali nas melhores das intenções. Ao mesmo tempo, entrava em produção Os Estranhos, que viria a receber algumas críticas dizendo que é uma versão americana de Eles. Embora haja sim algumas semelhanças, os filmes não são relacionados e acho bom esclarecer isso logo no início da crítica.

Pelo contrário: Os Estranhos veio de uma experiência pessoal do diretor e roteirista Bryan Bertino. Quando era menor, numa noite, alguém bateu na porta de sua casa perguntando por uma pessoa que não morava lá. No outro dia, ele e os pais descobriram que um de seus vizinhos tinha sido assassinado. Esse acontecimento serviu de base para o filme, onde o casal Kristen (Liv Tyler) e James (Scott Speedman) vivem uma noite de terror. Voltando de um evento onde ele a pediu em casamento e ela rejeitou, os dois estão numa situação tensa e só querem descansar. Passando a madrugada na casa de infância de James, a tranquilidade do lugar é interrompida quando uma moça bate na porta. "Tamara está?", diz ela. Mesmo negando, ela ainda insiste, mas vai embora. Isso é só o começo. Logo em seguida, revela-se um trio de mascarados que perturbam o casal e tem intenções violentas para eles.

Durante um curto período de tempo, um pouco mais de 80 minutos, Bryan Bertino constrói uma história assustadora que manipula um medo bastante comum entre o público. Sem colocar a carroça na frente dos bois, ele tem paciência de desenvolver o suspense na hora certa, com bons momentos de tensão e uma pequena dose de violência, embora ela não seja o foco do longa. O terceiro ato soa um pouco cansado, mesmo com o filme sendo pequeno, mas isso não é um grande erro.


Numa situação real, é pouco provável que você conheça os invasores, assim como seus motivos bem explicadinhos. Bryan sabe disso e não revela absolutamente nada sobre Os Estranhos. Não revelar seus rostos é essencial para o desempenho da obra e até mesmo numa cena onde o trio tira suas máscaras, a câmera não nos mostra. Quando questionados sobre o por que de estarem fazendo aquilo, uma das moças responde: "Por que vocês estavam em casa". Genial!

Eu sou um pouco suspeito para falar de Os Estranhos, pois o filme tem basicamente todos os elementos que eu gosto em um filme de terror. Não é à toa que eu o considero um dos melhores exemplares do gênero dos anos 2000. Resolvi revê-lo em antecipação ao lançamento da sequência, Os Estranhos: Caçada Noturna, que entra em cartaz nos cinemas brasileiros no fim de Maio, e fiquei feliz ao ainda manter o amor que tenho por ele.

por Neto Ribeiro

Título Original: The Strangers
Ano: 2008
Duração: 85 minutos
Direção: Bryan Bertino
Roteiro: Bryan Bertino
Elenco: Liv Tyler, Scott Speedman

Um comentário:

  1. concordo plenamente com o que vc falou, esse filme consegue passar uma aflição que poucos filmes consegue fazer tanto que se tornou um dos meus filmes favoritos tenho medo que a sequencia decepcione e não consiga transmitir a mesma a sensação de agonia.

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