10 Filmes de Horror Para Rever em P&B - Sessão do Medo

18 de abril de 2018

10 Filmes de Horror Para Rever em P&B


Filmes como The Eyes of My Mother, A Girl Walks Home Alone at Night, Darling, entre outros, mostraram que a falta de cores pode ser um elemento muito bem usado na construção de clima e também pode mudar completamente nossa perspectiva ao ver um filme com uma estética que remete as obras mais classudas do cinema.

Além de filmes independentes lançados atualmente no cinema de horror menos mainstream, o mercado mostrou que existe um interesse por parte de alguns cineastas em relançar suas obras em versões sem cores, como foi o caso de George Miller com o seu Mad Max: Estrada da Fúria Black & Chrome relançado nos cinemas americanos em circuito limitado e posteriormente em Blu-Ray e DVD e também Logan, que chegou a passar em circuito comercial em usa versão "Noir" com uma tratamento de cores preto e branco remetendo aos filmes da era Noir.

Quase 10 anos antes, Frank Darabont havia lançado O Nevoeiro em uma versão em P&B que é apontada por muitos como sendo superior a versão original por combinar mais com o tom do filme. Tendo em mão essa perceptiva de rever um filme sem cores, decide listar 10 filmes que se beneficiam em uma exibição em preto e branco e valem uma conferida.

A Noiva do Re-Animator (1989)

Sei o que você está pensando: "Por quê caralhos eu veria esse filme sem cores já que é lotado de cenas gore?". A resposta é simples: A Noiva de Re-Animator, assim como o primeiro filme, era pretendido para ser um filme filmado e lançado em preto e branco, mas infelizmente a ideia não foi aceita pelos produtores na época. O filme é uma clara homenagem ao clássico A Noiva de Frankenstein, um dos maiores clássicos do terror em preto e branco. Revendo o filme mesmo com cores é notável vários elementos dos clássicos de monstro da Universal.

Ouija: A Origem do Mal (2016)

Ouija: A Origem do Mal é um prelúdio do fraquíssimo Ouija: O Jogo dos Espíritos lançado em 2014. Diferente do primeiro que se passa nos dias atuais, esse filme é ambientado nos anos 60 e o diretor Mike Flanagan caprichou na ambientação da época, além de incorporar alguns detalhes de produção dos anos 60, como marcas na película com aquelas queimaduras de cigarro em várias cenas, falha no som, o logo clássico da Universal na introdução, etc... Pra terminar o serviço bastava apenas ter lançado o filme em preto e branco, algo que seria inconcebível para os produtores da Blumhouse.


A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999)

Tim Burton já disse em algumas entrevistas que a maior fonte de inspiração ao criar o visual de A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça foi o clássico "Mascara de Satã/A Maldição do Demônio" do mestre Mario Bava lançado em 1960, um dos poucos filmes do diretor filmado totalmente em preto e branco. O filme usa cores saturadas com um visual cinzento para trabalhar a fotografia e ambientação que remete muito aos clássicos da Hammer e o próprio Black Sunday. Ver sem cores realça ainda mais a atmosfera gótica que Burton criou.

O Bebê de Rosemary (1968)

O Bebê de Rosemary é o segundo filme da trilogia conhecida como "A trilogia do apartamento" do diretor Roman Polaski, que também é composto por Repulsa ao Sexo (1965) e O Inquilino (1976). O Bebê de Rosemary foi lançado apenas 3 anos após o primeiro filme da trilogia que havia sido rodado em preto e branco. Com um orçamento maior que o seu antecessor, Polaski decidiu filmar em cores, uma decisão acertada até certo ponto, mas temos que admitir que o filme se beneficiaria em uma fotografia sem cores, ressaltaria ainda mais todo o clima desolador do filme.


Deixe Me Entrar (2010)

Deixe Me Entrar, adaptação americana do livro sueco Låt den rätte komma in - que havia sido adaptado dois anos antes no país de origem - marca o grande retorno da produtora Hammer aos cinemas, produtora essa que foi responsável por vários clássicos do gênero desde os anos 50. A direção ficou a cargo de Matt Reeves de Cloverfield - Monstro, que adotou a mesma paleta de cores do filme já citado, com cores quentes, o amarelo domina boa parte das cenas, diferente da versão sueca que acertou a usar tons frios exatamente para ajudar na ambientação da história que se passa em um inverno rigoroso com neve em todo canto. Uma versão sem cores funciona melhor para trazer toda a "frieza" que o filme deveria passar.

Drácula de Bram Stoker (1992)

Drácula de Bram Stoker do diretor Francis Ford Coppola é sem sombra de dúvidas a melhor adaptação moderna do livro homônimo. O diretor conseguiu manter toda a aura gótica e romanticismo presente no livro e nas primeiras adaptações cinematográficas. O filme tem uma estética muito parecida com clássicos do cinema mudo, produções da Universal e Hammer. Há também um bom uso de sombras e luz em cenas envolvendo o castelo que funcionam melhor com duas cores.


Os Outros (2001)

Já dá pra considerar Os Outros do diretor Alejandro Amenábar um clássico moderno do gênero. O filme tem uma atmosfera muito bem trabalhada do começo ao fim com o bom uso da fotografia, ambientação e escuridão. A influência do clássico Os Inocentes é clara. Vale a pena ser visto sem cores e de preferencia em uma sessão dupla com Os Inocentes.

A Bruxa (2015)

A Bruxa, filme de estreia do diretor Robert Eggers vai na contramão de produções de horror atuais, sem depender de jumpscares e conveniências do gênero para assustar, se apoiando principalmente em uma atmosfera tensa fazendo bom uso da ambientação e iluminação. O filme foi filmado usando luz natural do ambiente, incluindo as cenas na casa que são iluminadas a luz de velas. Há um bom uso de luz e sombra em várias cenas e isso é notado principalmente em uma versão sem cores, que também combina com a atmosfera do filme.

Sob a Pele (2013)

Sob a Pele, do diretor Jonathan Glazer, adaptação do livro de mesmo nome do escritor Michel Faber é sem dúvida o filme mais "artístico" e estranho dessa lista. Existe até hoje um debate sobre o filme ser ou não um filme de horror. O clima incômodo (Under the Skin, o titulo original em inglês significa exatamente isso) e as cenas bizarras já colocam ele dentro do gênero, pelo menos para mim. Assim como A Bruxa - que inclusive é da mesma A24 -, Sob a Pele vai na contramão de tudo que vemos no horror atual e não segue conveniências do gênero. O diretor Jonathan Glazer criou cenas que parecem pesadelos filmados, mesmo sem partir pro surrealismo ou psicodelia. Em preto e branco, tais cenas ficam ainda mais bizarras.

Babadook (2014)

Babadook, filme australiano de terror psicológico dirigido por Jennifer Kent em seu subtexto é sobre luto e depressão e ainda traz consigo um monstro que é inspirado no visual de personagens do expressionismo alemão. Esses dois fatores gritam preto e branco. Curiosamente, o filme é baseado em um curta metragem que por sua vez era em preto e branco e dirigido pela mesma diretora.

Menções Honrosas: Re-Animator, Psicose 2, Re-Animator, O Nevoeiro, A Mulher de Preto...

Nenhum comentário:

Postar um comentário